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Carros | Comparativos
Focus Sedã x Vectra GLS x Bora
Janeiro 2001

Focus Sedã x Vectra GLS x Bora

Modernos e equipados, os novos sedãs compactos desafiam a liderança do Vectra

Por Paulo Campo Grande / Fotos: Marco de Bari
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ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

De um lado, o conhecido Vectra. De outro, os recém-chegados Focus e Bora. Por definição, Vectra é um sedã médio. Focus e Bora são compactos. Na prática, porém, eles disputam o mesmo mercado. Possuem motorização, desempenho, preço e até dimensões semelhantes. Pela primeira vez desde o lançamento da versão atual, em 1996, o Vectra tem dois rivais com chances de ameaçar a sua liderança no mercado nacional. O sedã da General Motors é o carro mais vendido do Brasil depois dos modelos que possuem versões populares. Em 2000 foram contabilizados cerca de 30000 unidades. Este ano, a Ford planeja vender 7200 Focus Sedã e a Volkswagen, 12000 Bora. A quantidade é modesta, mas a ambição de conquistar o consumidor da GM é declarada. Não é por acaso que Focus Sedã e Bora chegam com preços na mesma faixa do Vectra. O primeiro possui duas versões, uma por 36217 reais e outra por 42 998 reais. O segundo tem também duas configurações, Básica e Confortline, com cinco pacotes de equipamentos. Neste caso, os preços variam de 35 812 a 50803 reais. O Vectra, GL, GLS e CD, custa entre 34599 e 47999 reais. Para este comparativo QUATRO RODAS selecionou as seguintes versões: Vectra GLS (41 999 reais), Focus Sedã Ghia (42 998 reais) e Bora Básico Pacote 2 (43430 reais).

No que diz respeito ao conforto, item importante nessa categoria, o Vectra tem a vantagem de possuir uma maior distância entre os eixos. Com isso, O sedã oferece mais espaço que seus concorrentes. O motorista conta com maior distância para as pernas e os passageiros do banco traseiro, com mais espaço lateral. Para a bagagem, o Vectra dispõe de 468 litros de capacidade no porta-malas, contra 477 litros do Focus e 455 litros do Bora. Mas, como conforto não se mede só em centímetros ou litros, o GM perde para o Ford no acabamento. O revestimento dos bancos, das portas e do painel do Focus é de qualidade superior e o carro ainda possui um pacote de equipamentos de série mais completo. Isso inclui dois tipos de regulagem de apoio lombar para o banco do motorista, controle remoto do sistema de som no volante, teto solar e computador de bordo. O Bora é o mais despojado. Na versão analisada, o revestimento dos bancos é comparável ao de um modelo popular. É importante lembrar, no entanto, que, por 42 998 reais, o Focus é oferecido na versão Ghia top de linha, enquanto os outros, na mesma faixa de preço, são versões intermediárias. Se o cliente quiser, é possível aproximar o nível de equipamentos, mas aí o preço fica defasado. O Bora na versão Confortline, por exemplo, que traz bancos de veludo e rodas esportivas, entre outros itens, custa 46 219 reais.

O Focus sobressai também pelo design. Mais inovador do que os outros, segue o estilo "New Edge" iniciado pelo Ford Ka. Ângulos agudos e vincos transversais dão um ar futurista aos modelos dessa linha. O Vectra, por sua vez, continua atraente, com contornos que causaram boa impressão desde o lançamento. Não foi por acaso que o design serviu de tema para a campanha de lançamento da linha 2000 do modelo. No ano passado, o Vectra passou por uma leve reestilização, com pequenos toques de modernidade, evidenciados pelos faróis e pelas lanternas com refletores de superfície complexa e lentes transparentes. Já o visual do Bora não surpreende. É interessante notar que os projetistas da Volkswagem se esforçaram para fazer um sedã com características próprias. Conseguiram em relação ao Golf, que lhe empresta a plataforma. Mas não se pode dizer o mesmo em relação ao Passat, o sedã médio da marca.

Ao volante o motorista experimenta o estilo e a funcionalidade de cada um. No Vectra, as linhas horizontais do painel dão uma sensação de espaço lateral, mas ficam em um nível baixo, acompanhando a linha de cintura do carro. Já no Focus as linhas se cruzam à frente dos olhos e o painel está localizado em um plano mais elevado. Nos três sedãs os principais comandos estão à mão. O destaque negativo fica para os controles dos vidros. Distribuídos ao redor da alavanca do câmbio, são de difícil acesso. Fumar pode não fazer bem à saúde. Quem fuma, porém, deve agradecer ao projetista da Ford que instalou o cinzeiro bem próximo do volante. Ao primeiro olhar, aquela gavetinha preta destoa do acabamento imitando madeira, mas a utilidade do artefato é indiscutível. Vale comentar ainda uma curiosidade do Bora. Vista pelo lado de dentro, a porta do motorista é bem diferente da do passageiro. E não se trata dos comandos de vidros e espelhos retrovisores. A diferença está nos puxadores mesmo. O do motorista está na posição horizontal e o do passageiro, inclinada.

À medida que a comparação avança, o Focus se distancia dos rivais. Dono do motor mais potente e com uma relação peso/potência mais favorável, só perde em torque disponível para o Vectra. O Focus é equipado com um motor 2.0 de 130 cv de potência e 17,9 kgfm de torque, contra o 2.2 de 123 cv e 19,4 kgfm do Vectra e o 2.0 de 116 cv e 17,3 kgfm do Bora. Neste comparativo, o Ford acelerou de 0 a 100 km/h em 11s40, enquanto o Vectra cravou 12s24 e o Bora, 12s90, na mesma prova. Em retomadas, o Bora e o Vectra foram melhores, nas diferentes passagens. Isso se explica pelas relações de marchas mais curtas. O câmbio do Ford, de relações mais longas, combina com o temperamento suave do carro, que se manifesta nas trocas de marcha, na leveza da direção e na maciez da suspensão. Se o câmbio mais longo torna o carro mais lento, em compensação permite ao motor trabalhar de forma mais econômica. O Focus alcançou as melhores médias nesse comparativo. Fez 10,16 km/l na cidade e 13,23 km/l na estrada, contra respectivamente 8,24 km/l e 11,62 km/l do Vectra e 9,62 km/l e 12,68 km/l do Bora.

O Bora se destacou nos testes de frenagem. Vindo a 80 km/h, parou em 26,24 m, enquanto o Focus fez o mesmo em 27,32 m e o Vectra, sem ABS, percorreu 29,76 m. Apesar de não ter um desempenho empolgante, o Bora agrada quem aprecia dirigir interagindo com o carro. Ao contrário do Focus, que deixa o motorista relaxado, o Bora mantém o condutor ligado. Sua suspensão é firme e o volante tem boa pega. A impressão é de que seu sistema de direção tem uma relação mais direta com as rodas, embora necessite do mesmo número de voltas no volante que os outros para descrever um giro completo.

A superioridade do Focus é evidente. O Bora custa um pouco mais que o Vectra, mas oferece itens importantes como duplo airbag e ABS, com EBD (distribuidor eletrônico de força de frenagem entre os eixos). O Vectra, por sua vez, terá de esperar pelas melhorias que virão com a próxima geração, que será lançada no final deste ano na Europa. Deve ficar maior, mais moderno, e aí não vai mais competir com Focus e Bora, mas sim com Mondeo e Passat. A versão atual perdeu seu ar inovador da época do lançamento. O Vectra foi o primeiro carro nacional a ter recursos avançados importantes, como suspensão traseira multilink e motor e câmbio fixados em um subchassi. Em compensação, hoje o sedã da GM tem a seu favor uma imagem forte e positiva, enquanto os rivais ainda são ilustres desconhecidos. O Vectra é nacional, o que significa facilidade de manutenção e compra de peças. O Focus vem da Argentina e o Bora, do México. O Vectra tem bom valor de revenda. E, no último Salão do Automóvel de São Paulo, foi apontado, em uma pesquisa do instituto DataFolha, como o carro nacional dos sonhos dos visitantes da exposição.

Segundo a GM, a atual versão tem pelo menos mais dois anos de vida no mercado brasileiro. Que o novo modelo será vendido no Brasil é certo, mas ninguém na montadora fala quando. Até lá o sedã ficará vulnerável aos ataques da jovem concorrência. Ainda que os adversários, por definição, sejam de um segmento inferior.




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