
Pelo dinheiro que custam, as duas picapes devem satisfações ao motorista. A Montana entrega conta-giros no painel e capricho de acabamento, com plásticos bem cortados no lado de fora e nenhum sinal de parafuso ou metal exposto do lado de dentro. Por outro lado, quem não comprar o santantônio levará imperdoáveis tampinhas de borracha cravadas na lataria. Se alguma escapar, teremos goteira a bordo. A Strada não faz isso mas, em compensação, fica devendo qualidade na cabine. O painel da porta mistura peças mal encaixadas e uma forração de curvim que pode rasgar se topar com algo pontiagudo. A borracha da bola de câmbio nem esperou pelo "se" e durante o teste já estava descascando. É uma antiga reclamação dos clientes da Fiat. A seu favor, a Strada tem bancos de tecido preto, mais resistentes à sujeira, e bastante espaço nas portas para guardar objetos. Os dois carros carecem de forração acústica, mas isso fica mais evidente na Montana.
O motor 1.8 Flex Power da Chevrolet nem precisava levantar a voz para se fazer notar. Com a reforma sofrida em setembro passado, ganhou coletor de admissão de plástico (finalmente) e balancins roletados, passando a render 114 cavalos com álcool e 112 com gasolina. A vantagem sobre o 1.4 Fire é expressiva: temos cerca de 40% mais torque e potência.
Tudo ou nada Com o 1.8, a Montana chega aos 100 km/h 3,7 segundos mais cedo que a Strada (ambas com álcool). Os números mais importantes estão na prova de retomada, que dão idéia da disposição delas quando estiverem carregadas. De 60 a 100 km/h, 2 segundos de vantagem para a Chevrolet. Uma coisa fique clara: a Strada não é fraca. É apenas comportada, à altura do seu câmbio de engates imprecisos e do pedal de freio no estilo tudo-ou-nada, sem meio-termo. Ande com calma e nada disso representará problema. Pedais e câmbio também não são o forte da Montana testada, mas aqui é diferente: se a Strada adora frear, a Montana reluta em desacelerar. Você alivia o pé e o giro demora a cair. Pena. Motor bravo e suspensão firme mereciam conjunto mais afinado.
O baile da Montana nas provas de desempenho você já esperava, afinal o motor 1.8 é bem maior. Mas no consumo, surpresa, a Montana arrancou um quase-empate com a Strada no ciclo rodoviário. Na cidade, aconteceu o esperado: vitória do mais fraco, por 7,2 a 6 km/l. Diferença razoável, que poderia ser definitiva num carro de serviço. Mas, de volta àquele ponto: picape de trabalho, mesmo, é a ótima Strada Fire. Entre as picapes de passeio, nesta faixa de preço, ainda é a Montana que está por cima.
| MONTANA 1.8 |
| R$ 30.400 Versatilidade e estilo de sempre, com motor há pouco aprimorado |
| SUSPENSÃO |
| muito bom - É a mesma da Meriva, com outra calibração. Dura, boa de estrada e incômoda na terra. |
| AO VOLANTE |
| muito bom - Os bancos com ajuste de altura mudam bastante a posição de dirigir e a caixa de roda oferece apoio razoável. Mas a alavanca de câmbio tem curso longo e o acelerador custa a responder. Os plásticos são de boa qualidade. |
| CARROCERIA |
| muito bom - Perde um pouco na caçamba para ganhar atrás do banco: contra a Strada cabine simples, valeu a pena. |
| MOTOR E CÂMBIO |
| muito bom - Nunca este motor 1.8 pareceu tão suave. O torque continua farto, e o câmbio longo tira proveito disso para deixar a Montana silenciosa e até econômica na estrada. |
| MERCADO |
| muito bom - Se você não consegue ver a Strada Fire como carro de lazer, vá em frente, a picape é esta aqui. |
| STRADA 1.4 |
| R$ 32.100 O motor mais barato chega, enfim, à carroceria mais recente |
| SUSPENSÃO |
| muito bom - Com feixe de molas na traseira, agüenta melhor o tranco e é mais macia. |
| AO VOLANTE |
| bom - Banco elevado demais - e o ajuste de altura do volante, opcional, fará pouco para ajudar. Os botões do ar-condicionado riscam as unhas e são difíceis de ler, e as saídas de ar são baixas demais. Pedal de freio e câmbio ruins de manejo. |
| CARROCERIA |
| muito bom - Com duas opções de carroceria, o cliente leva o que quer. Mas a Montana consegue oferecer mais cabine neste preço. |
| MOTOR E CÂMBIO |
| muito bom - O motor 1.4 surpreende pela valentia e suavidade, mas a Montana 1.8 tem cerca de 40% mais torque e potência. |
| MERCADO |
| bom - Para o mercado, as irmãs Adventure e Fire valem mais a pena que a Trekking. Por ora, a versão 1.4 não parece mudar essa imagem. |
Teste QUATRORODAS
| Bolso | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Consumo e autonomia, as grandes vantagens da Strada
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| Conforto | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Fiat vende opcionais separadamente, mas alguns são micos. Com a GM é o contrário: equipamentos racionais, mas amarrados uns aos outros
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| Segurança | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Só a Fiat oferece ABS e airbag duplo como opcionais. Alarme, nas duas, é acessório
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| Desempenho | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na pista, baile da Montana, um carro mais divertido e preparado para levar peso
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| Ficha técnica | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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| Dimensões | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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| condições do teste | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Temperatura: 25 ºC Pressão atmosférica: 760 mmHg Altitude: 660 m Umidade relativa: 55% | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| veredicto | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| A nova Strada Trekking com motor 1.4 custa menos - e oferece menos, na mesma medida. Pelo mesmo valor, a Montana consegue oferecer motor 1.8 e mais espaço na cabine. Perde-se espaço na caçamba mas, para uso misto, acaba compensando. A Trekking cabine estendida seria adversária mais difícil, mas está custando caro. |




