Cobalt x Prisma
Nas versões automáticas, eles guardam poucas, mas decisivas diferenças
Por Ulisses Cavalcante | Fotos Marco de Bari | 09/10/2013
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Prisma e Cobalt são filhos legítimos de uma "nova Chevrolet", conforme diz a campanha publicitária da marca. Substitutos naturais do Corsa e Astra, que por quase 20 anos se mantiveram firmes nas prateleiras, têm mais semelhanças do que diferenças. Próximos em tamanho e preço, não há mais uma divisão tão clara de posicionamento mercadológico. E isso tem uma explicação implícita: ambos são frutos da plataforma GSV, uma base global de carros pequenos da General Motors que também dá forma para o Sonic (hatch e sedã) e a minivan Spin.

A novidade da vez é o Prisma 1.4 automático, que encarou nossos testes de pista e um inimigo íntimo, o Cobalt 1.8 equipado com a mesma transmissão de seis marchas. Dependendo da versão, os preços se intercalam e o sedã menor pode custar mais que o sucessor do Astra. Nas fotos você vê as versões mais caras de cada um. O Prisma LTZ 1.4, com preço sugerido de 50 490 reais, é apenas 2 300 reais mais barato que o Cobalt topo de gama. E o que se ganha ao pagar esse extra pelo modelo mais caro? Um veículo mais espaçoso, com motor mais forte, porta-malas maior e volante com mais comandos.

Enquanto nunca houve um Astra 1.4, seu substituto Cobalt nasceu equipado com essa motorização e só depois ganhou a opção 1.8. A dupla Onix/ Prisma, que aposentou o Corsa, recebeu a central multimídia MyLink antes do Cobalt - que, a rigor, está numa categoria superior. Além disso, foi o modelo menor que recebeu a honraria de estrear a transmissão automática GF6 de segunda geração. São três exemplos de que a segmentação tradicional do passado não existe mais, na qual havia um degrau de valores e tamanho bem distinto.

Um dos efeitos indesejáveis das transmissões automáticas convencionais é a perda de potência inerente ao conversor de torque. Outro é o aumento no consumo de combustível. Nos dois aspectos, a engenharia da GM merece os parabéns pelo casamento do motor 1.4 com a caixa de seis marchas - a mesma que equipa o Cruze, vale lembrar. Na prova de 0 a 100 km/h, o Prisma automático marcou 13,1 segundos, contra 12,1 de sua versão equivalente manual. Saiu-se melhor nas retomadas de velocidade e não penalizou demais o consumo. Com etanol, registramos 7,7 km/l na cidade, enquanto o manual fez 8,2 km/l.

Equipado com motor 1.8, os números de desempenho superiores do Cobalt são óbvios, mas a surpresa é que não foram tão maiores assim. Contamos 11,7 segundos para chegar a 100 km/h. As marcas de consumo foram ainda mais próximas, 6,9 e 9,5 km/l, na cidade e estrada. Até a potência dos dois é bem parecida, apesar da grande diferença de cilindrada: o 1.4 SPE/4 desenvolve 106 cv com etanol, apenas 2 cv a menos que no 1.8 Econo.Flex. No entanto, o grande diferencial entre eles não é a potência, mas o torque. Por causa de seus 17,1 mkgf em rotação mais baixa (3 200 rpm), o Cobalt revela uma agilidade urbana que o Prisma (com 13,9 mkgf a 4 800 rpm) não tem. E que faz falta em situações de risco, como ultrapassagens.

Mas o Cobalt traz ainda como item de série um design que faz muita gente torcer o nariz: sua falta de harmonia e beleza fica evidente ao lado do Prisma. O sedãzinho é a prova de que dá para fazer um compacto de visual atraente. Ainda que ele não arremate todos os concursos de beleza dois quais possa participar, é bem mais agradável que o irmão.

A redenção do Cobalt surge no interior. Se você não liga para o que os outros veem (ou dizem) do lado de fora, vai se sentir mais bem acolhido aqui. Painel e bancos formam um conjunto harmonioso, confortável e ergonômico. Embora as dimensões internas de Cobalt e Prisma sejam parecidas, a sensação de amplitude do patinho feio é maior. Já no porta-malas o espaço para carga é imbatível. São 563 litros, ante "apenas" 500 do Prisma.

Na linha 2014, o Cobalt passou a contar com o MyLink de série. É o mesmo equipamento do Prisma, exceto pelo volante multifuncional. Enquanto Onix e Prisma dividem uma direção sem botões de volume ou para atender o celular, o Cobalt compartilha a peça com o Cruze, este sim equipado com comandos do sistema multimídia.

Na balança de qualidades, compensa pagar mais caro pelo Cobalt e ignorar seu visual menos atraente. Outro trunfo é que, mesmo maior e mais potente, pode ser mais barato que o Prisma. O melhor negócio é a versão intermediária LT 1.8 automática, por 48 390 reais.



PRISMA

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO

Equilibrado e gostoso de guiar, é competente nos três itens.


MOTOR E CÂMBIO
Pouca energia é desperdiçada com o câmbio automático. Bom casamento com o motor de pequeno volume.


CARROCERIA
A tampa traseira alta dificulta um pouco a visibilidade. Nas manobras, o sensor de estacionamento faz toda a diferença.


VIDA A BORDO
Poderia ter mais porta-objetos e o volante multifuncional com comando de volume.


SEGURANÇA
Falta cinto de três pontos e encosto de cabeça no assento traseiro central.


SEU BOLSO
Apesar do custo-benefício interessante, o Cobalt mostra-se ainda mais convidativo. O Onix não gera tantas dúvidas.



COBALT

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO

Agrada pela maciez de rodagem. A coluna de direção poderia ter ajuste de profundidade.


MOTOR E CÂMBIO
O conjunto funciona melhor na cidade que na estrada, já que a força aparece em baixa rotação. O Ecotec 1.8 (do Cruze) faria toda a diferença no Cobalt.


CARROCERIA
Visual é o calcanhar de Aquiles do sedã.


VIDA A BORDO
É mais espaçoso e aconchegante que o Prisma. Ganha pontos com o uso de materiais claros.


SEGURANÇA
Não tem cintos de três pontos e encosto de cabeça no assento traseiro central. Mas compensa com o repetidor do pisca na lateral da carroceria.


SEU BOLSO
A pouca diferença no preço faz compensar o gasto em um carro maior e mais potente. Se fosse mais bonito, não haveria dúvidas ao escolher entre ambos.



VEREDICTO

Cobalt e Prisma são frutos de uma filosofia de redução de custos cujo compartilhamento de peças os torna extremamente parecidos. Na ponta do lápis, o Cobalt oferece mais por menos, mas perde pontos pelo visual menos atrativo. Nenhum dos dois é um mau negócio. A escolha por um ou outro depende de gosto pessoal.

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