49588 km
No nosso Smart de Longa Duração, não tem escapatória. Basta o asfalto ter uma emenda, daquelas que um carro comum mal acusa, ou a tampa de um bueiro pouco mais alta que o piso, e lá vem aquela batida seca que dói no coração. A impressão é de que o carro vai desmontar. No mais das vezes, é apenas susto, causado pelo curso da suspensão do ForTwo, necessariamente curto por uma questão de estabilidade. Já em um buraco maior pode haver danos à roda, como já nos aconteceu, ou mesmo à suspensão, que fica desalinhada.
Até o momento, e já estamos bem avançados em nosso teste, sempre foi possível realinhar o carro. Em outras palavras, os eventuais danos que o piso efetivamente causou ao urbaninho foram todos passíveis de conserto, por mais severos que parecessem pela percussão na cabine.
Se o ForTwo esperneia com um tapinha leve ou se nosso piso é tão torturante quanto as reações do Smart permitem supor, é algo que por ora não teremos como responder. No entanto, a hora do desmonte se aproxima, quando será possível responder sobre a profundidade dos danos causados pelas irregularidades superficiais.
Consumo:
No mês (36% na cidade): Gasolina – 11,6 km/l
Desde set/09 (43,4% na cidade): Gasolina – 12 km/l
34801 km
Talvez você já conheça o médico Milton Valente, pois não é a primeira vez que ele aparece no Longa Duração. Além de cuidar da saúde dos funcionários da Editora Abril, ele cultiva especial gosto por carros e acompanha de perto o movimento da nossa garagem. Dono de um Civic, o doutor Milton fez questão de avaliar nosso Smart. Após 15 minutos com o carro, ele nos liga para descrever a sensação causada pelo tranco da transmissão automatizada: “Escuta, parece que o Smart está freando sozinho nas trocas de marca, é normal?” Para nós, que estamos acostumados, sim. Mas que causa estranheza, isso é verdade.
Após um fim de semana com o carro, Valente reportou que o carro está “afogando para sair”. Na verdade, a sensação é causada pelo retardo do acelerador eletrônico. Essa demora, uma característica do carro, parece ter sido amenizada por alguns usuários, conforme relatos na comunidade do carrinho no Orkut. O remédio receitado para isso seria o Sprint Booster, vendido nos Estados Unidos. O equipamento, segundo o fabricante, reduz o tempo de resposta do pedal, tornando as acelerações mais rápidas. Oficialmente, a Smart afirma que “qualquer equipamento que não seja original não é recomendado pela marca”.
Outra reação anotada foi a luz do controle de tração, que piscava quando o Smart escalava uma lombada. A explicação para o sintoma está na programação conservadora do sistema, que atua ao menor sinal de perda de aderência. “Olha, eu odiei no começo, mas, no fim, gostei. Se eu fosse fazer um test-drive curto, não ia gostar”, diz Valente. Mas, depois de algumas curvas, elogiou a estabilidade do compacto: “Parece que ele anda sobre trilhos”. Será que ele receitaria o Smart para uso na cidade? “Para estacionar em lugares apertados, ele é ideal. Mas, pelo preço dele, eu escolheria um carro maior, como um Honda Fit. Entrega muito mais, custando o mesmo preço.”
Consumo
No mês (42,2% na cidade): Gasolina – 13,7 km/l
Desde set/09 (42,5% na cidade): Gasolina – 12,1 km/l
34801 km
Cintos torcidos, ruídos de acabamento e na suspensão, que por sua vez se mostrava excessivamente dura. Foi com esses sintomas que levamos nosso Smart para a revisão de 30 000 km. Após quatro dias, quanta diferença! Os ruídos internos – reclamação constante desde sua compra – sumiram e a suspensão se mostrou muito mais macia na absorção de imperfeições. E o cinto não torce mais.
Quando levamos o Smart à Europamotors, de São Paulo, o orçamento veio sem nenhum dos tradicionais kits de empurroterapia, no valor de 3 175 reais. A “facada” incluía a troca dos discos de freio dianteiros (ao preço de 754 reais cada um) e das pastilhas de freio. Mas o consultor ofereceu um serviço de retífica dos discos, ao custo de 152 reais. E garantiu que esse serviço manteria as medidas do componente dentro do limite do fabricante.
O restante se manteve no padrão de preços de um Mercedes-Benz: presilhas de fixação dos painéis internos (eles trocaram quatro, para solucionar os ruídos), 12 reais cada uma; filtro de óleo do motor, 70 reais; filtro de ar da cabine, 98 reais; pastilhas de freio, 370 reais, além dos 58 reais por cada litro de óleo sintético da Mobil (nosso Smart usa 4 litros). De mão de obra, gastamos mais 570 reais pela revisão e 152 reais pela troca das pastilhas de freio. No total, a fatura foi de 1 690 reais.
Para calar os ruídos de rodagem, os amortecedores dianteiros e um rolamento de roda foram substituídos. De acordo com a concessionária, apresentavam barulho e foram trocados na garantia. Com a troca dos componentes, o alinhamento e o balanceamento foram gratuitos. A concessionária também caprichou bastante na lavagem.
Ao fim do serviço, hora de viajar. Rodamos, em uma das viagens, 1400 km. Saímos de São Paulo pela BR-116, indo até Curitiba (PR) e, em seguida, descendo até o litoral paranaense, passando pela Estrada da Graciosa (PR), para voltar depois a São Paulo. Com o tempo chuvoso, o Smart ignorou a pista molhada e não se apequenou diante das carretas na intimidadora BR-116. E, com uma direção despretensiosa em relação ao consumo, fizemos 16 km/l de média durante toda a viagem. Um número surpreendente. Pelo caminho, as tradicionais perguntas (“É carro indiano? É elétrico?”) somaram-se a outra: “Você teve coragem de rodar tudo isso com esse carrinho?”
Consumo
No mês (42% na cidade): Gasolina – 13,4 km/l
Desde set/09 (42,5% na cidade): Gasolina – 12 km/l
24717 km
Uma das críticas de quem dirige nosso Smart é a percussão progressiva ao trafegar em pisos irregulares. É encontrar um piso que não seja plano para ter início uma sequência de batidas nada perfeitas. Já no asfalto liso, ele não dá um pio. E, em sua última visita à concessionária Bullit, em Barueri (SP), para a troca de óleo dos 22500 km, pedimos uma verificação, mas nada foi resolvido.
Buscamos então a ajuda de especialistas para descobrir, afinal, quais são os grilos de nosso Smart. “Como faz barulho, né?”, disse Evilácio Souza Filho, da Papa Grillos, empresa paulista especializada em remoção de ruídos de dentro dos automóveis. “E são somente ruídos de acabamento, não há barulhos de suspensão ou de torção de carroceria”, afirmou. Para Sousa, os revestimentos traseiros são os mais barulhentos: “Há muito atrito atrás. Já na frente há vibração dos dutos do ar-condicionado, dentro do painel.” De acordo com o especialista, são grilos que podem ser solucionados. “Mas tem que fazer no carro todo, painel, laterais… Custaria cerca de 800 reais.”
Já José Adriano Sousa, da Ruído Zero, relata o quão complicado é eliminar os ruídos do Smart, com a experiência adquirida no carro de um cliente. “É um carrinho barulhento mesmo, pois tem muito plástico. Tive que desmontar o carro quase inteiro, pois resolvia um barulho maior e os outros menores iam surgindo. Demorei quatro dias para fazer um serviço que, normalmente, leva a metade do tempo”, afirma o especialista. Segundo a Central de Relacionamento Smart, porém, esse tipo de serviço não é recomendado, pois pode afetar a garantia do veículo: “Há a possibilidade de interferir em algum sistema eletrônico do carro, anulando a garantia”, disse a consultora.
E quão barulhento nosso Smart é? Na pista, descobrimos. Fizemos três passagens (a 40, 60 e 80 km/h) em dois tipos de piso: liso e de paralelepípedos. Em segunda marcha, a 40 km/h, nosso decibelímetro marcou 61,3 decibéis (dB) no piso liso. Já no piso áspero, o ruído interno chegou a 71 dB. A 60 km/h, em terceira marcha, registramos 61,4 dB no piso liso e 73,8 no piso áspero. A cacofonia a 80 km/h em quarta marcha chegou a 76,8 dB, no piso irregular. No liso, era de 63,4 dB. Ou seja, um aumento considerável, de mais de 10 dB, causados quase que totalmente por ruídos de acabamento (uma parte vem do atrito dos pneus com o piso). O editor Péricles Malheiros, que fez o teste, relatou que, no piso áspero, o barulho de plástico solto chega a incomodar. “Parece que estamos dentro de um chocalho.”
Consumo
No mês (32,8% na cidade): Gasolina – 12,9 km/l
Desde set/09 (39,9% na cidade): Gasolina – 11,7 km/l
15459 km
Chegou a hora da primeira revisão do Smart. E a concessionária escolhida entre as poucas opções da marca foi a Europamotors, em São Paulo (SP), que atende veículos da Mercedes-Benz. Após três dias de espera por um orçamento, o susto: 916,95 reais. Os valores incluíam 4 litros de óleo 0W40 Mobil 1 sintético (61 reais cada litro), “kit de lubrificação” por 60 reais, “protetor de bateria antizinabre” por 44,20 reais e o filtro de óleo do motor, por 88,75 reais. À soma, acrescentem-se 480 reais por três horas de serviço (160 reais a hora), que incluía um reaperto de todo o sistema de suspensão.
Negamos o kit de lubrificação – nada mais que passar graxa em partes móveis e silicone em borrachas – e o protetor de bateria antizinabre (que, segundo a concessionária, era um spray aplicado nos terminais de bateria), pois não constavam no manual de serviços. A conta? Deu 812,75 reais. Com desconto, “passamos a régua” em 790 reais. Ainda assim, muito alto. Para relembrar, a primeira revisão do nosso recém-desmontado C4 Pallas custou 410 reais e o Ford Ka teve 87,34 reais de despesa em igual serviço.
Ou seja, se por um lado o Smart não gerou despesas com quebras ou desgastes prematuros, por outro nos cobra altos preços por serviços que, em teoria, podem ser feitos em qualquer centro automotivo. E por um custo muito mais baixo. Mas, de acordo com a marca, uma troca de óleo feita fora da concessionária manda a garantia do veículo para o espaço. Mesmo no caso do Smart, que tem substituições do lubrificante fora do período de revisão – e que não são marcadas no manual do proprietário.
Como nessa primeira revisão não nos foi oferecido o serviço de alinhamento e balanceamento de rodas, fomos conferir se tudo andava bem com nosso Smart. Na Suspentécnica, em São Paulo (SP), o laudo comprovou que o alinhamento ainda está em dia e a ausência de vibrações no volante mostra que as rodas, aparentemente, não carecem de novo balanceamento. Nosso consultor técnico Fábio Fukuda foi um dos nove motoristas do carro neste mês. Mesmo após a revisão, acusou a canja de percussão proporcionada pelas portas e suspensão em pisos irregulares. Pelo jeito, uma sina do compacto de Longa Duração.
Principais ocorrências
14971 km: barulhos ao rodar em pisos irregulares
Consumo
No mês (71,1% na cidade): Gasolina – 12,9 km/l
Desde set/09 (44% na cidade): Gasolina – 11, km/l
28493 km
Durante exatos 26 dias nosso Hyundai enfrentou constantes idas e vindas entre nossa garagem e a concessionária Caoa Robert Kennedy, em São Paulo. Tudo começou na revisão dos 20 000 km, após um alinhamento mal feito. A solução só veio após três idas à concessionária e 441 km rodados só em testes feitos por seus técnicos. O sintoma pré-revisão era mínimo: leve ruído na suspensão. No pós-revisão, eram vários: direção trepidando e puxando para a direita, além dos parafusos da suspensão danificados e sem aperto.
A tremedeira foi resolvida com a troca de uma das rodas, que estava amassada e que tinha sido passada para o eixo dianteiro pelos técnicos da concessionária, além do balanceamento. Só a troca da roda amassada custou 1 770 reais. E o problema da direção puxando foi solucionado após a concessionária desmontar novamente as torres de suspensão – que tinham sido postas abaixo para a troca dos batentes dos amortecedores – e detectar que os parafusos inferiores de fixação, que estavam com o sextavado arredondado, tinham sido limados no meio pelo técnico que efetuou o alinhamento. Uma “gambiarra perigosa” (palavras da concessionária) para corrigir o valor de cambagem – e que poderia causar a quebra do parafuso.
Em um primeiro momento, a concessionária sugeriu que o carro poderia ter sido alterado fora da concessionária. Negamos e questionamos se o carro já tinha chegado à concessionária com esses parafusos alterados. Em caso positivo, iríamos até Atibaia, à última concessionária que efetuou o alinhamento no carro, cobrar explicações. “O carro chegou com os parafusos intactos aqui”, afirmou o chefe de oficina Ney, da Caoa Robert Kennedy. Diante do fato de ninguém mais ter mexido no carro – além deles mesmos -, e frente aos diversos erros durante o alinhamento, o chefe de oficina pediu desculpas e explicou tudo que foi feito.
Além da troca dos parafusos defeituosos, o alinhamento foi revisto, com um equipamento de diagnose que mostra qual o ângulo de trabalho da direção elétrica. “Foi muito útil usá-lo”, afirmou o gerente da concessionária, Sérgio. “Facilitou para encontrarmos o alinhamento ideal.” Então por que não foi feito assim antes? O que importa é que, enfim, o carro ficou bom. Demorou, mas ficou.
Consumo
No mês (24,5% na cidade): Gasolina – 10,6 km/l
Desde dez/09 (30,7% na cidade): Gasolina – 9,5 km/l
21224 km
Com a chegada da revisão dos 20000 km do nosso i30 de Longa Duração, fomos em busca de uma concessionária para efetuar os serviços necessários. E a escolhida foi a Caoa Robert Kennedy, em São Paulo. Até então, tudo praticamente impecável com nosso hatch médio. A única reclamação era um leve ruído na suspensão dianteira, quase imperceptível.
A revisão prevê troca de lubrificante do motor e dos filtros de óleo, ar e combustível, além das velas. Também estão previstos alinhamento e balanceamento, limpeza do sistema de ar-condicionado e troca do filtro de ar da cabine, pelo custo de 976 reais. Três dias depois, na entrega, fomos informados de que os dois batentes dos amortecedores dianteiros foram trocados, sem custo adicional. “É um ‘recall’”, afirmou o consultor Marcelo Peixoto de Lima. “Todos os i30 que chegam estão tendo o componente trocado, pois os antigos apresentavam deformação.”
Retiramos o carro em uma sexta-feira e logo constatamos que, além de desalinhado, o i30 passou a fazer barulhos na suspensão dianteira. Mas, antes de retornar à concessionária, fizemos uma análise na Suspentécnica, em São Paulo. A origem do barulho no i30 eram seis parafusos que fixam a torre de suspensão na carroceria, soltos. Além do ruído, seria impossível obter o alinhamento. Com o tempo, se uma das torres se soltasse, haveria risco de acidente. Também foi notado que as quatro rodas estavam amassadas, uma delas com deformação maior.
Sem alterar o quadro, retornamos com cuidado à concessionária e reclamamos dos sintomas, sem apresentar o diagnóstico. Após um dia, recebemos o telefonema para retirar o veículo. Segundo o chefe de oficina Ney, a suspensão tinha sido checada e reapertada. Em uma volta rápida, além de o volante puxar para a direita, os ruídos persistiam. Na volta, na nossa frente, o chefe de oficina decidiu fazer uma inspeção no carro. Encontrou os parafusos soltos. “Eu só tenho que lhe pedir desculpas por essa falha nossa, vou convocar toda a oficina para uma reunião hoje à noite”, disse Ney, visivelmente constrangido.
No dia seguinte, o consultor Marcelo nos ligou para pegar o carro. “Agora ele está perfeito.” Na trave. Os barulhos sumiram, mas a direção insistia em puxar para a direita. “Vou paralisar todos os alinhamentos até descobrir o defeito”, afirmou Ney. A concessionária pagou o táxi da viagem de volta.
No dia seguinte, segundo o chefe de oficina, o carro foi para outra concessionária a fim de refazer o alinhamento. Ligamos no fim do dia para ver se estava pronto. Ele foi sincero: “Olha, está 95%. Vou pedir para a engenharia da Hyundai ver o carro e ter certeza de que não estamos falhando em nada”. Em compensação, o consultor Marcelo nos ofereceu um carro reserva. Agradecemos e recusamos. No mesmo dia, o serviço de atendimento ao cliente também nos ligou com a mesma gentileza, igualmente recusada.
Treme-treme
Quatro dias depois, o veículo ficou pronto. Ao sair da concessionária, notamos que, enquanto o carro esteve na autorizada, 173 km foram rodados. Aparentemente, tudo estava bem. Mas foi só pegar uma reta longa para ver a direção puxando para a direita e a direção trepidando a 100 km/h, já que a roda mais amassada foi passada para a frente.
Como que por telepatia, antes de reclamarmos mais uma vez, recebemos a ligação do gerente da concessionária, Sérgio. “Você pode trazer o carro aqui?” Podíamos, claro. Mas antes passamos na oficina Fukuda Motorcenter, onde nosso consultor Fabio Fukuda detectou várias porcas da suspensão com o sextavado perdido – algumas de tal forma que impossibilitavam reaperto ou soltura. E o pneu direito estava raspando na parte interna da caixa de roda.
A oficina Quadrelli, de São Paulo, especializada em suspensão, aferiu o alinhamento: “Cambagem e cáster estão dentro dos padrões. O que está fora é o valor de convergência”, afirmou Wagner Quadrelli. Esse valor determina quão paralelas estão as rodas do mesmo eixo. Em nosso i30, as rodas estavam “abertas”, nos eixos dianteiro e traseiro, causando desgaste dos pneus. E faziam com que a roda raspasse dentro do para-lama. Deixamos tudo igual e, mais uma vez, retornamos à concessionária. Até o fechamento da edição, o carro ainda estava por lá…
Principais ocorrências
20917 km: problemas na suspensão
Consumo
No mês (48,8% na cidade): Gasolina – 9,8 km/l
Desde dez/09 (32,6% na cidade): Gasolina – 9,2 km/l
28787 km
“O carro está cantando pneu em qualquer curvinha”, comentou o editor Péricles Malheiros ao voltar de uma viagem ao Rio de Janeiro. Também sob seu comando, o hatch apresentou dificuldade de partida no frio e a luz de injeção acesa, anomalias devidamente registradas no diário de bordo.
Aliás, o Agile não era primário em nenhum dos dois defeitos apresentados. A partida a frio apresentou falhas em duas outras ocasiões recentes (dias frios, mesmo com o tanque auxiliar devidamente abastecido), enquanto a luz de injeção também acendeu em duas datas distintas.
O rádio, por sua vez, emudeceu. Em greve de silêncio, exigiu por escrito o código de segurança, enquanto a bateria dava sinais de anemia – a partida está pesada e o painel chega a diminuir a intensidade de luz nessa situação, o que nos fez suspeitar do regulador de voltagem. Da nossa lista anterior já constavam um estalo na suspensão e a vibração metálica embaixo do carro. No mês passado, demos um pulo na oficina Suspentécnica, em São Paulo, que detectou que o estalo provinha de um coxim de câmbio, com excesso de aperto.
Com um bom rol de reclamações em mãos, ligamos para a concessionária Aba Higienópolis, de São Paulo, e conseguimos levar o carro no mesmo dia. O técnico ficou até surpreso com a quantidade de pontos a serem verificados. O bom é que, no dia seguinte, o carro ficou pronto. E não é que ficou bom? A suspensão, segundo o técnico, foi reapertada seguindo os parâmetros de fábrica, enquanto o escapamento teve trocado em garantia o tubo flexível que liga o coletor ao restante do escapamento. A malha metálica que reveste o componente apresentava uma folga na trama, o que gerava a vibração, de acordo com o consultor.
Na injeção, não foram detectadas falhas ou anomalias. “Testei o sistema de partida a frio e escaneei a injeção e não encontrei nada. Mesmo assim, ‘resetei’ o módulo, para retornar o carro aos parâmetros originais”, afirmou. A bateria recebeu uma recarga e o rádio teve seu código reprogramado. Pelo visto, o regulador de voltagem estava inocente.
Consumo
No mês (27,7% na cidade): Álcool – 8,1 km/l
Desde mar/10 (31,5% na cidade): Álcool – 7,9 km/l
24267 km
Chegou a hora da revisão dos 20000 km do Agile. Aproveitando a oportunidade, reclamamos mais uma vez dos barulhos que assombram a cabine. As reclamações eram um ruído na suspensão e uma vibração metálica nas acelerações – como se houvesse algo solto no sistema de escape. Reclamamos ainda da imprecisão do engate das marchas e do “raspar” no momento de acionar a ré, além de um ruído no sistema de transmissão.
Na primeira inspeção feita pelo consultor técnico da concessionária Nova, de Pinheiros, foi encontrado o motivo de um dos barulhos. O parafuso que fixa a haste do amortecedor dianteiro esquerdo estava solto. O que não se sabe é se isso foi causado por algum serviço realizado ou se ele se soltou com o tempo. Seja como for, é um sinal de alerta e justifica registrar o histórico de peças que se desprenderam: caixa de ar, coxim e defletor de escapamento.
Também o protetor de cárter estava com dois parafusos soltos, afirmou o consultor Fábio. Segundo ele, essa era a causa do ruído metálico nas acelerações. O consultor notou os calços de borracha colocados na última revisão, solução adotada pela Carrera para eliminar uma vibração no defletor de calor do escapamento. E retirou todos. “Era só alinhar a peça direito, não precisa colocar as borrachas para afastar o defletor”, afirmou. E ajustou o trambulador do câmbio, para melhorar os engates.
Pegamos o carro no dia seguinte, mas nem todos os ruídos sumiram. A suspensão ficou silenciosa, ao passo que o estalo nas acelerações se manteve. E a transmissão continuou ruidosa, embora os engates tenham melhorado. Na Suspentécnica, em São Paulo, com o auxílio de um estetoscópio, o especialista Alberto Trivellato detectou um ruído no coxim de câmbio. Na suspensão, de fato, o silêncio dos justos.
“O coxim não está danificado. Pode estar com aperto excessivo. Muitas vezes, é só soltar e reapertar corretamente que o barulho cessa. Como esse carro não tem isolamento acústico no cofre, os barulhos do mecânicos invadem a cabine”, diz o especialista.
Essa sensação de que o Agile não veio apertado de fábrica é compartilhada por vários leitores: Sérgio José Carminatti nos relatou que seu Agile “já apresentou ruídos no escapamento e na carroceria, ao trafegar em pisos irregulares”. O leitor Joel Santana igualmente sofre com o ruído metálico, “como se tivesse algo solto no escapamento” – segundo ele, não solucionado ainda. E também reclamou do ruído de transmissão, alto.
Na hora do orçamento, mais folgas apareceram, dessa vez no papel. Dos 375 reais propostos pela Chevrolet no site, a revisão dos 20000 km chegou às nossas mãos com o valor de 884 reais. A tradicional limpeza de bicos virou “limpeza do sistema de alimentação”, por 150 reais. Propuseram também a limpeza dos dutos de ar-condicionado, pelo mesmo preço, além da adição de um aditivo para o óleo do motor, chamado na conta de “Teflon redutor de atrito”. Recusamos todos e aceitamos tão-somente a troca do filtro de ar – não prevista para esta revisão. Segundo o consultor, o componente, que custa 13,48 reais, estava bem deteriorado.
Mesmo excluindo vários itens, a conta não fechava como manda o site da GM. E o serviço, que inclui 4 litros de óleo, filtros de combustível, óleo e de ar da cabine, ainda estava mais caro que o anunciado pela marca. Questionamos o preço e conseguimos um desconto na mão de obra da revisão. Com o alinhamento e balanceamento (100 reais), o aditivo do limpador de para-brisa (8,54 reais) e o filtro de ar, chegamos à fatura final de 488 reais.
Consumo
No mês (37,7% na cidade): Álcool – 8 km/l
Desde mar/10 (32,2% na cidade): Álcool – 7,9 km/l
8734 km
No mês passado, nosso Agile estacionou, aos 3000 km, para uma checagem fora de rotina: além de luzes de ABS e airbag acendendo no painel, alguns ruídos no conjunto mecânico nos chamaram a atenção. Uma visita ao box de serviços rápidos da marca resolveu o problema. Mas, durante as viagens que o Agile fez neste mês – visitando o interior de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais –, novos ruídos vieram na bagagem.
Duas anomalias se destacavam. Nas arrancadas em semáforo, uma trepidação excessiva do lado direito; em curvas, barulho de componentes soltos. São ruídos diferentes da primeira reclamação. Na época, um coxim de motor solto foi o culpado pelo defeito. Dessa vez, os males provinham de várias fontes. A trepidação na arrancada, segundo a concessionária, era causada pelo defletor do escapamento, próximo ao motor, que estava solto. Além do reaperto dos quatro parafusos de fixação da peça, o consultor da concessionária Itacolomy, de São Paulo, também adotou outra solução: calçou o componente com batentes de borracha, para afastá-lo da carroceria. Não se trata de uma recomendação da fábrica, mas sim um procedimento já aplicado em outros Agile que passaram por lá, segundo o consultor. “Lançamento é assim mesmo. Surgem alguns barulhos, nós corrigimos e mandamos relatórios para a fábrica”, disse.
O consultor também reapertou a suspensão e lubrificou componentes. Questionado sobre esses constantes reapertos, ele afirmou: “Isso é absolutamente normal”. O que ele achou curioso foi a caixa do filtro de ar, completamente solta. “Nunca vi isso antes. Os elementos de fixação estão intactos, não há um componente quebrado”, afirma. Segundo o consultor, a peça é fixada por pressão, por meio de buchas na carroceria, que não se soltam com trepidação.
A suspeita recaiu então sobre a concessionária Nova, que reapertou o coxim do motor na visita anterior. Para acessá-lo, é preciso retirar a caixa de ar. Pode ter faltado força no reencaixe… Neste mês também visitamos outra concessionária, a Itororó Veículos. Mas nessa ocasião era rotina: aos 5000 km, foi efetuada a primeira troca de óleo e filtro de óleo do motor. Cada litro de óleo 5W30 semissintético saiu por 18 reais, enquanto o filtro custou 15 reais. A mão de obra, de 8 reais, fez o serviço chegar a 95 reais.
Principais ocorrências
6712 km: barulhos na dianteira
Consumo
No mês (25% na cidade): Álcool – 8,2 km/l
Desde fev/10 (32,2% na cidade): Álcool – 7,8 km/l
O mais completo teste de automóvel realizado por uma publicação no Brasil. QUATRO RODAS compra os carros como se fosse um consumidor comum e, depois de rodar por 60 mil quilômetros, desmonta até o último parafuso.