Por Péricles Malheiros
47 364 km
A revisão dos 40 000 km foi conturbada e pede uma breve recapitulação: a autorizada Paris condenou o par de amortecedores dianteiros e alegou ter feito a troca, em garantia. Uma inspeção do nosso consultor técnico Fabio Fukuda, no entanto, revelou que as peças sequer foram tocadas. Depois de uma nova ida à Paris – e nova verificação –, a repetição do problema: “Não trocaram de novo, as peças são as mesmas. A mancha de óleo está mais seca, o que pode significar que o vazamento cessou, já que o funcionamento parece estar normal e não há qualquer tipo de ruído”, disse Fukuda
Por se tratar de um componente vital para a segurança, retornamos à rede Peugeot, mas dessa vez na concessionária Pavillon. “Esses amortecedores estão funcionando perfeitamente. Não há necessidade de troca”, disse o consultor. Como a Paris também derrapou na hora de fazer o rodízio – o lado esquerdo foi esquecido –, corrigimos a posição na oficina de Fukuda. A troca resultou numa vibração incômoda do volante e aproveitamos a ida à Pavillon para solicitar uma nova rodada de alinhamento e balanceamento, serviços feitos a contento, por 98 reais.
Elogiado por todos pelo acabamento primoroso e pela qualidade dos materiais empregados na cabine, o 3008 surpreendeu no último mês. A guarnição (borracha de isolamento) da porta dianteira esquerda começou a se soltar sem motivo aparente. “Eu a reposicionei em duas ocasiões, mas ela não fica mais na posição correta”, disse o fotógrafo Silvio Gioia, que aproveitou para fazer uma foto para o nosso diário.
Cheio de fôlego, espaço e itens de conforto, o 3008 continua sendo a primeira opção de nossa frota para quem vai viajar. Pena que os serviços prestados pela rede não tenham contribuído com outro item importante para quem vive na estrada: confiabilidade.
Consumo
No mês (48,5% na cidade): Gasolina – 9,2 km/l
Desde mar/11 (34,5% na cidade): Gasolina – 9,6 km/l
Guarnição da porta do motorista passou a se soltar sozinha. E teima em não ficar no lugar.
Péricles Malheiros
34 029 km
Ao retornar de uma viagem ao Rio de Janeiro, nosso consultor Fabio Fukuda levou um grande susto. “Estava a 100 km/h numa curva e, de repente, sem passar por qualquer buraco ou irregularidade, a traseira do carro ficou solta. O 3008 dançou de um lado para o outro, mudando de faixa e assustando inclusive os motoristas que estavam próximos”, relata Fukuda, que após o susto parou no acostamento. Sem identificar nada visualmente, decidiu seguir viagem. “Completei o trajeto a menos de 60 km/h, pois senti que algo não estava certo.”
Em sua oficina, a constatação: o mesmo amortecedor que a concessionária Victoire, de São Paulo, havia trocado no mês anterior estava novamente com sinais de vazamento, mas desta vez muito mais severo. Deixamos o 3008 na concessionária Super France, que retornou no dia seguinte com o diagnóstico: “Vamos trocar o mesmo componente que a outra concessionária trocou”.
Os amortecedores do 3008 se comunicambpor uma linha hidráulica. Um compensador entre eles faz com que o fluido de um corra para o outro, a fim de melhorar o desempenho dinâmico dos componentes. Tanto na Victoire quanto na Super France o conjunto foi trocado em garantia.
Após retirarmos o carro na Super France, dois dias depois, fomos para a Fukuda Motorcenter. “Agora, sim, deu para entender. Esta é a posição correta do amortecedor, com o bico de conexão hidráulica voltado para trás, não para a frente, como a Victoire fez”, disse Fukuda. “Forçada para caber no espaço errado, a tubulação de metal sofreu um estresse que culminou no seu rompimento junto ao amortecedor, com a movimentação do carro.”
Mais confiantes no trabalho da Super France, solicitamos uma cotação de alinhamento e balanceamento. “Não fazemos aqui, pois o carro é pesado demais para o nosso equipamento”, respondeu o consultor. Nem tudo é perfeito.
Consumo
No mês (30,7% na cidade) - Gasolina: 9,1 km/l
Desde mar/11 (32,9% na cidade) – Gasolina: 9,7 km/l
Dificilmente os pneus chegarão aos 40 000 km sem tocar os indicadores de desgaste (esq.) | Amortecedor tem que ser montado com a linha hidráulica no sentido inverso ao da mola (dir.)
Por Péricles Malheiros
00187 km
O Agile, desmontado em setembro, tem um substituto na seção Longa Duração: o Cruze. A opção por um outro Chevrolet se justifica pelo nível de novidade do sedã, montado sobre uma plataforma nova, com motor e câmbio também estreantes.
Optamos pela versão que, segundo a GM, responderá por 80% das vendas: LT com câmbio automático. Pagamos à parte a pintura metálica, cor Bege Desert (990 reais), e o pacote R7D, que inclui câmbio automático, revestimento interno de couro e sensor de chuva (4 000 reais). Apesar de ser lançamento, ainda conseguimos um desconto: a conta, que sairia por 72 890 reais, foi fechada em 71 900 reais.
O carro foi retirado na concessionária paulistana Nova – como de praxe, sem qualquer identificação QUATRO RODAS. Mal saímos e alguns problemas se apresentaram. Antes que o hodômetro chegasse aos 100 km, o ar-condicionado passou a funcionar de maneira intermitente: só refrigerava a cabine quando a temperatura externa estava abaixo de 25 ºC. Ao mesmo tempo, um ruído metálico vindo da parte inferior do carro foi se intensificando. Na Fukuda Motorcenter, oficina responsável pelo desmonte dos carros de Longa Duração, solicitamos ao nosso consultor Fabio Fukuda a marcação das peças – diversos componentes são imperceptivelmente identificados a fim de averiguarmos a execução dos serviços prestados pela rede no decorrer dos 60 000 km.
No elevador, descobrimos a origem dos ruídos notados ao transitar por ruas de paralelepípedo. “O espelho (uma fina chapa metálica) do freio dianteiro esquerdo está vibrando”, disse Fukuda.
Até o início de outubro, o site da GM não informava os preços das revisões, mas a marca nos passou a tabela sugerida (veja ao lado). Como ocorre com o J3, o plano de manutenção do Cruze prevê uma troca de óleo entre as revisões (a cada 10 000 km), mas, diferentemente da JAC, a GM não faz sugestão de preço para a substituição do lubrificante, apesar de ser obrigatória para manutenção da garantia.
Principais ocorrências
27 km: Espelho do freio dianteiro esquerdo vibrando
85 km: Ar-condicionado com funcionamento irregular
Segurança para baixo do tapete: botões de pressão mantêm as peças dianteiras no lugar (esq.) | Ar-condicionado temperamental: quando o dia estava quente, não resfriava a cabine (dir.)

Por Péricles Malheiros
37 986 km
Aos 37 564 km, nosso Uno foi deixado na concessionária paulistana Amazonas Leste para uma troca de óleo e filtro. No dia seguinte, o consultor entrou em contato: “Detectei que é preciso trocar discos e pastilhas de freio”. Escaldados, autorizamos a realização apenas do serviço previsto inicialmente, pelo qual cobraram 130 reais.
Levamos então o Uno para uma análise do nosso consultor Fabio Fukuda, da oficina Fukuda Motorcenter, que confirmou a necessidade da troca sugerida pela Amazonas Leste. “As pastilhas estão realmente muito desgastadas e devem ser substituídas. Com 10,4 e 10,7 mm de espessura, os discos ainda estão dentro do mínimo tolerado (10,2 mm), mas estão muito riscados. Uma retífica até nivelaria a superfície, mas como o desbaste consome cerca de 1 mm do metal, a espessura ficaria abaixo do mínimo tolerado pela fábrica”, disse Fukuda. Ponto positivo para a Amazonas Leste, que mostrou eficiência e honestidade ao recomendar um serviço de fato necessário, e ponto negativo para a Ventuno, que poderia ter realizado a troca das pastilhas na revisão dos 30 000 km, evitando a troca prematura dos discos.
Para restabelecer a saúde do sistema de freio, o orçamento inicial foi de 477 reais. Após a primeira rodada de negociação, deram um desconto de 10% e a conta caiu para 430 reais. Mais lágrimas de nossa parte. No fim, pagamos somente 380 reais, valor equivalente a um desconto de mais de 20% em relação ao orçamento inicial.
Com os freios revigorados, nosso Uno voltou a mostrar dificuldade de pegar em dias frios. Mas notamos que o problema está na luz-espia de alerta sobre o baixo nível de gasolina no reservatório de partida a frio. Ela não acende, mas o tanquinho está vazio. Pediremos a verificação na próxima revisão, a dos 45 000 km.

Boracha de encosto do tampão traseiro cai sozinha. Sem ela, fazia barulho; no chaveiro, a troca da fechadura, danificada após uma tentativa de arrombamento na rua.
Por Péricles Malheiros
16859 km
O assunto do 3008 no mês passado foi sobre suas idas e vindas à concessionária Pavillon. Só para recordar: a revisão dos 10000 km correu sem problema, mas a trepidação do volante acima de 100 km/h em uma viagem pós-serviço deixou claro que alinhamento, balanceamento e rodízio não haviam sido feitos a contento. Aliás, no contato feito com a autorizada, descobriu-se que eles sequer foram efetuados. Tentamos uma vez mais, numa data determinada pelo próprio consultor, mas chegando lá tivemos que voltar: os parâmetros de alinhamento do 3008 ainda não haviam sido fornecidos pela fábrica.
Buscamos uma outra Pavillon, do bairro de Santana – as duas primeiras tentativas foram feitas na Pavillon Imirim. A solução, enfim, foi dada: nos 3 902 km após o serviço, nada de trepidação do volante. Ou seja, o 3008 voltou a ser o carro de Longa Duração mais elogiado.
A maior prova do seu bom comportamento está no campo do diário de bordo reservado aos apontamentos – positivos ou negativos. Neste último mês, nenhum registro foi feito, a não ser no início da jornada, quando a trepidação ainda incomodava nas viagens. E carro de Longa é como juiz de futebol: quanto menos é citado, mais claro é o sinal de que está tudo bem. E basta forçar um pouco o time de motoristas que se reveza ao volante que os elogios aparecem. Renato Bacci, nosso revisor, diz: “Adoro viajar com ele. Ativo o piloto automático e nem noto quando ele encara uma subida. Motor e câmbio se entendem muito bem”.
Por falar em viagens, nosso 3008 tem rodado a maior parte do tempo em estradas. Na média, só perde para o Uno em rodagem na cidade, 30,4% contra 26,9%. E os campeões da estrada têm outro ponto comum: o número absoluto de consumo de combustível no último mês, 9,8 km/l. É preciso computar aí que o 3008 é dono de um motor 1.6 turbinado que bebe apenas gasolina e que o Uno, com seu 1.0 flex, só queima álcool.
Consumo:
No mês (27,5% na cidade): Gasolina – 9,8 km/l
Desde mar/11 (30,4% na cidade): Gasolina – 9,8 km/l
A prancha pode ficar rente ao piso ou em duas posições altas, compartimentando o porta-malas (esq.); Com o banco elevado, é preciso tomar cuidado para não bater a cabeça no arco da porta (dir.).
Por Péricles Malheiros
11500 km
Todo carro de Longa Duração exige, antes de qualquer parada para revisão, uma visita ao site do fabricante. Ao consultarmos o da Peugeot, em meados de abril, ficamos decepcionados por descobrir que as tabelas com os preços fixos das revisões não contemplavam os dois últimos lançamentos da marca: o 3008 e o sedã 408. Mais tarde, porém, boas notícias. Próximo do fechamento desta edição, no início de maio, o site já apresentava os preços das revisões dos Peugeot estreantes.
A primeira tentativa de agendamento da revisão foi frustrante. A atendente da autorizada Victoire avisou que só poderia nos atender dali a três semanas. Tentamos, depois, a concessionária Pavillon, que aceitou de imediato o carro. Ao deixarmos nosso crossover sob os cuidados da Pavillon, o consultor apontou para um enorme banner e disse: “A revisão de 10000 km custa 297 reais”. Ou seja, foi honesto quanto ao valor e não empurrou serviços desnecessários. Ele também se comprometeu a entregar o carro no dia seguinte. Deixamos uma única solicitação: fazer alinhamento, balanceamento e rodízio – a fábrica recomenda esses serviços a cada 10000 km. Na primeira viagem pós-revisão, ao interior de São Paulo, porém, a direção trepidava acima de 100 km/h. De volta à capital, retornamos à Pavillon e descobrimos que os serviços extras simplesmente não foram executados. O consultor nos pediu que voltássemos no dia seguinte. E foi o que fizemos. Nova frustração: “Descobri que ainda não temos os parâmetros para fazer o alinhamento desse carro”, disse o mesmo consultor em tom de desculpa, explicando que a fábrica ainda não havia fornecido as informações necessárias. Inconformados com tantas idas e vindas sem resultados, deixamos clara nossa insatisfação. O próximo passo é tentar realizar os serviços em outra concessionária.
Consumo:
No mês (15,7% na cidade): Gasolina – 10,7 km/l
Desde mar/11 (31,7% na cidade): Gaolina – 9,8 km/l
Porta-objetos é refrigerado, mas a ventilação é constante, sem possibilidade de fechamento (esq.); Porta-trecos no assoalho traseiro são uma herança do lado minivan do crossover 3008 (dir.).
Por Péricles Malheiros
2085 km
Com pouco mais de 50 km rodados, o J3 assustou ao apresentar ruídos na suspensão dianteira. Fizemos o que qualquer consumidor faria: ligamos para a concessionária onde foi feita a compra – a JAC Gastão Vidigal, em São Paulo – e mostramos indignação. Ao retornarmos com o carro, o atendimento foi imediato. Depois de uma volta por ruas de paralelepípedo, o consultor foi direto com nosso J3 para a oficina. E dela saiu após 40 minutos. “Às vezes, o material elástico é danificado na montagem. Por isso, substituí a bandeja direita da suspensão, que estava com uma das buchas rompida”, disse o técnico. O alinhamento de direção, segundo o técnico, também foi refeito em garantia.
Sanado o problema, rodamos os primeiros 1000 km sem esticar as marchas nem ultrapassar os 80 km/h, conforme indica o manual do proprietário – consultores de três concessionárias disseram que esse zelo poderia ser dispensado. Aos 1331 km, o J3 passou pela primeira prova de fogo no Longa Duração: o teste completo no Campo de Provas da TRW, em Limeira (SP).
De volta às ruas e estradas, o hatch começou a ser observado por todos os lados. O editor Paulo Campo Grande destacou pontos negativos e positivos: “Gostei da qualidade do revestimento dos bancos e do trabalho silencioso das palhetas tipo flat-blade, mas acho que o volante poderia ser mais macio e que a sobreposição de conta-giros e velocímetro dificulta a consulta rápida”. O redator-chefe Zeca Chaves também notou deslizes no acabamento: “Há um chicote elétrico muito próximo aos pedais. Meu pé esquerdo chegou a enroscar nele”.
Testamos o sistema de agendamento de revisões do site da JAC – a primeira acontece aos 2500 km. Preenchemos o formulário na noite de uma terça-feira. Na quarta-feira, bem cedo, uma atendente entrou em contato conosco por telefone para confirmar as informações. A qualidade da revisão em si, porém, é assunto para o próximo mês.
Consumo:
No mês (40,3% na cidade): Gasolina – 9,4 km/l
Desde mar/11 (40,3% na cidade): Gasolina – 9,4 km/l
Principais ocorrências
216 km: Bandeja da suspensão com bucha danificada é substituída em garantia

Sistema de regulagem de altura do volante emperrado: quem dirigiu o J3 reclamou dele (esq.); Olhe onde pisa: o pé pode enroscar no chicote elétrico que passa próximo aos pedais (dir.).
53007 km
O Agile treme todo a menos que você saia “queimando embreagem” – ou seja, mantenha o giro em cerca de 2 500 rpm enquanto o carro ganha movimento. Neste mês, consultamos três concessionárias paulistanas. Todas consideraram a tremedeira uma característica normal do Chevrolet.
A primeira visitada foi a Nova. Após uma volta com o carro, o consultor disse: “Eu também senti a trepidação, mas todo Agile com essa quilometragem é assim. A embreagem está com meia vida e não está patinando”. Na Carrera Ceasa, o técnico se apressou em dizer: “Não preciso nem andar”. Puxou o freio de mão e tentou sair com o carro. “Se a embreagem estivesse ruim, ela patinaria, e o carro não teria arrastado as rodas traseiras. Essa trepidação é normal”, disse. Na terceira autorizada, a Carrera Eliseu de Almeida, o consultor sequer entrou no carro: “Preciso desmontar tudo, mas esse orçamento é cobrado”. “E se não estiver?”, perguntamos. “É cobrado do mesmo jeito.”
Houve, no entanto, um discurso comum entre as três oficinas consultadas. segundo elas, a única maneira de minimizar a trepidação é manter a rotação do motor elevada enquanto o carro sai da inércia. Lembra aquela senhorinha com dificuldade de sincronizar a operação dos pedais da embreagem e do acelerador? Pois bem, ela se daria bem com o Agile.
Neste mês tivemos ainda um pequeno susto. O Agile estava parado no trânsito quando foi abalroado por uma moto. “O fluxo no corredor formado entre os carros parou de repente e um motociclista não conseguiu frear. Ele atingiu, ao mesmo tempo, a moto da frente e a lateral direita do Agile. Sorte que ninguém se machucou”, diz Ismael Baubeta, da equipe de QUATRO RODAS MOTO. Aproveitamos a apuração sobre a embreagem e solicitamos às duas concessionárias Carrera um orçamento para o conserto da batida. Resultado: 1817 reais na unidade Ceasa e 1531 na Eliseu de Almeida, um “desconto” de 15,7%.
Consumo:
No mês (55,9% na cidade): Álcool – 8,2 km/l
Desde mar/10 (34,4% na cidade): Álcool – 8 km/l

A guarnição superior da canaleta da porta do motorista se deslocou com o movimento do vidro (esq.). A porta foi atingida por uma moto. Os primeiros orçamentos ficaram entre 1531 e 1817 reais (dir.).
59446 km
O ForTwo toca seus últimos acordes no Longa Duração. Como de costume, fomos aferir sua popularidade (e cotação) no mercado. Visitamos três estabelecimentos – um showroom de novos, uma autorizada Mercedes-Benz e uma loja particular. A sinceridade da vendedora do showroom Vila Nova, em São Paulo, foi desconcertante: “Não temos interesse nenhum na compra. Agora, se você oferecer seu carro numa troca, posso pagar entre 30 000 e 35 000 reais”. Mas ela também jogou aberto: “Aconselho vender para particular. Pode demorar um pouco, mas acho que você pega até uns 40 000 reais”. Saímos de lá e fomos direto para a concessionária Mercedes-Benz Itatiaia. “Você está com sorte, pois tenho um comprador em vista para esse carro. Pago 45 000 reais”, disse Ricardo Fanin, gerente de vendas. Para encerrar as tentativas, passamos também na Hannover Veículos, uma loja multimarcas de importados seminovos. Rennan Garcia, o vendedor, mostrou tanto entusiasmo na compra do nosso Smart quanto a vendedora do showroom Vila Nova, ou seja, quase nenhum. “Se você quiser, tenho um Smart igual ao seu, 2009, porém com apenas 2 700 km rodados. Você dá o seu e me volta outros 7 000 reais.”
Aos 58 700 km, notamos que os pneus traseiros estavam com desgaste acentuado. “Qualquer poça d’água faz o controle de estabilidade atuar, indicando que a traseira perdeu contato com o asfalto”, disse Juliano Barata, assistente de fotografia. Na paulistana Pneus Albuquerque, conseguimos um par traseiro por 900 reais, preço mais em conta que os 2 000 reais cobrados pela concessionária carioca Ago e os 1400 reais pedidos pela Europa Motors, de São Paulo. Feita a troca, nosso ForTwo perdeu o medo da chuva e ganhou maciez de rodagem.
Aos 59 600 km, a luz da injeção acendeu no painel e lá fomos nós para a Europa Motors. Parte da mangueira de captação de ar entre a caixa do filtro e a boca do turbo havia se deslocado. O conserto foi feito em garantia e o Smart rumou para Limeira para seu último teste antes do desmonte. Pela inquietação e conversas dos funcionários da autorizada, ficou claro que nosso Smart era chamado de “O carro da QUATRO RODAS”. Estaríamos, então, sujeitos aos benefícios de cuidados especiais? Difícil: aproveitamos o pit stop e levamos para a Europa Motors uma notificação de infração de trânsito (dirigir falando ao celular) registrada no período em que nosso Smart passou por lá para fazer a substituição do para-brisa trincado, em janeiro. A gerência informou que assumiria os pontos e arcaria com o pagamento da multa.
Consumo:
No mês (23,3% na cidade): Gasolina – 13,7 km/l
Desde set/09 (40,6% na cidade): Gasolina – 12,2 km/l
Principais ocorrências
59600 km: tubo de alimentação de ar do turbo se soltou, acendendo a luz de injeção no painel
Porta-malas é minúsculo, mas a cobertura removível garante certa versatilidade (esq.). Na reta final, um pit-stop para troca dos pneus traseiros, que já assustavam na água (dir.).
48484 km
Ar, direção, trio elétrico, ABS e airbag dão ao Agile LTZ o status de carro completo. Mas foram os mimos extras que fizeram o hatch ganhar fama (e força) no mercado. O computador de bordo é completo, oferece temperatura externa com precisão de um décimo de grau Celsius e consumo em litros por trecho selecionado.
Uma lida no manual permite ao piloto usufruir mais das modernidades do Agile. O modo noturno do painel desabilita o conta-giros, o indicador do nível de combustível e o termômetro do motor. Função prática? Cansar menos a visão em viagens. Mas é preciso reconhecer que o modo noturno não compromete a segurança. Ele é automaticamente desativado se o combustível descer a um nível muito baixo, se o motor trabalhar em temperatura elevada ou se uma luz de advertência ou de falha se acender. O computador de bordo também dispara avisos de bateria da chave fraca, lâmpada dos piscas queimada e quando o hodômetro “vira” acima de 1 milhão de quilômetros.
Ao mesmo tempo que agrada, o Agile incomoda com seus deslizes típicos de um projeto novo. Quem pega o carro e utiliza o porta-malas reclama do péssimo sistema que obriga a introdução da chave para destravar a tampa após uma tentativa malsucedida de fechamento – e aí as batidas com força exagerada são inevitáveis. O deslize mais grave está na mangueira de drenagem do ar-condicionado. Para conduzir a água para fora do carro, ela se encaixa num orifício de borracha junto aos pés do passageiro dianteiro. Com o entra e sai, ela acaba sendo deslocada. O resultado pode ser observado quando se levanta o tapete: carpete manchado e gotas no verso da borracha.
Em janeiro, a concessionária Anhembi, de São Paulo, garantiu que 3 litros de óleo eram suficientes para o motor nas trocas sem substituição do filtro, contrariando a informação apresentada no manual, de 3,25 litros. Questionada, a GM confirmou que a certa é a que consta no manual e que a concessionária foi alertada sobre o procedimento incorreto.
Consumo:
No mês (40,2% na cidade): Álcool – 8,1 km/l
Desde mar/10 (30,2% na cidade): Álcool – 8 km/l
Não reparamos quando os acabamentos dos parafusos da porta sumiram (esq.). Dreno do ar-condicionado deixa a água vazar para baixo do tapete (centro). Rádio é bastante interativo, com USB e viva-voz Bluetooth (dir.).
O mais completo teste de automóvel realizado por uma publicação no Brasil. QUATRO RODAS compra os carros como se fosse um consumidor comum e, depois de rodar por 60 mil quilômetros, desmonta até o último parafuso.