13859 km
O caçula da frota passou as férias sob os cuidados do nosso revisor de textos Renato Bacci. Entre as diversas viagens entre a capital e o interior de São Paulo, Bacci e sua família sentiram os efeitos da falta de fôlego do motor 1.0. “Já tivemos outros 1.0 no Longa e não me lembro de algum sofrer tanto com subidas quanto o Uno. Chega a exigir que o motorista reavalie seu modo de dirigir, principalmente se estiver com mais de duas pessoas, ar-condicionado
ligado e alguma bagagem. É preciso especial atenção antes de decidir fazer uma ultrapassagem”. Ele tem razão. Mesmo vazio, o hatch obriga o motorista a trabalhar com o câmbio de maneira a deixar o giro do motor sempre muito elevado para enfrentar uma ladeira, ainda que ela não seja tão íngreme. A estrada revela uma subida adiante? Desligue o ar-condicionado, reduza para quarta marcha e pise fundo. A ausência de conta-giros no painel só dificulta a vida do motorista.
A opção da fábrica por um câmbio de relações mais longas tem a ver com a preocupação com o consumo de combustível. Para quem roda constantemente em estradas, uma coisa é certa: o motor 1.4 é a melhor pedida para o Uno.
Outro ponto negativo apontado pelo revisor foi o pouco espaço para as pernas no banco traseiro. “Para a cabeça, no entanto, a altura é suficiente”.
Bacci observou ainda o bom isolamento acústico (no cofre do motor) e o comportamento exemplar na chuva: “Me pareceu mais silencioso que o Agile, um modelo que em tese é de categoria superior. Também dirigi muito sob chuva intensa e os pneus pareceram bastante adequados ao carro, sem qualquer sinal de aquaplanagem”.
Consumo:
No mês (30,3% na cidade): Álcool – 8,5 km/l
Desde out/10 (35,2% na cidade): Álcool 8,4 km/l
2708 km
Além do cheiro de carro novo, muitos justificam a compra de um zero-quilômetro sob o argumento de estar a salvo de custos e aborrecimentos na manutenção. Na coluna dos custos, o Uno está honrando essa ideia. Mas já chegou exigindo atenção. O que o levou de volta à revenda não foram só o volante desalinhado e a luz do reservatório de gasolina de partida a frio. Este último problema, aliás, desapareceu após alguns quilômetros e depois do nosso primeiro teste, feito com 1073 km.
Talvez pelas frenagens e acelerações a que ele foi submetido, mas o mais provável é que ele tenha se acostumado com o combustível fóssil (ele usa álcool desde que saiu da revenda). Apagada a luz do painel, foi a vez dos faróis desregulados, seguidos de uma anomalia que exigiu até a visita de um técnico da Fiat: o direcionador do fluxo do ar-condicionado não ia até o fim de seu curso. Perto dali, ele estalava, como se os cabos que o acionam fossem curtos demais.
A revenda Amazonas (SP) solicitou a vinda de um técnico da fábrica, que determinou a troca de todo o painel. Como a peça não estava disponível na concessionária, tivemos de retirar o carro e aguardar a peça. Por sorte, na semana seguinte ela apareceu. A troca exigiu dois dias de trabalho, mas o Uno voltou tinindo. Volante e faróis já haviam sido arrumados.
Voltando a nosso primeiro teste, o Uno ainda está meio amarrado. Foi de 0 a 100 km/h em 17,5 segundos, percorrendo 1000 metros em 38,1 segundos. As retomadas de 40 a 80 km/h, de 60 a 100 km/h e de 80 a 120 km/h foram, respectivamente, de 12,4, 19 e 32,4 segundos. Em termos de frenagem, o ABS ajudou o carro a parar em 16,1 metros, vindo a 60 km/h, em 27,8 metros (80 km/h) e em 64,2 metros (120 km/h). Esta última marca foi sensivelmente melhor que as obtidas pelo Uno 1.0 e pelo 1.4 na edição 605, mas ainda parece alta. Se não é um primor de desempenho, o consumo com álcool foi bastante bom: 8,2 km/l na cidade e 11,6 km/l na estrada. O Uno só poderia ser um pouco mais silencioso. Em marcha lenta, ele registrou 45,3 dB. A 120 km/h, 69,9 dB.
Após as primeiras provas, o Uno parecia ter chegado ileso ao fim do mês, mas um pequeno acidente na Marginal Pinheiros deve levá-lo de volta à rede Fiat. Por distração, em um engarrafamento, um motorista bateu em sua traseira, danificando o painel de metal sob o para-choque e a própria peça, que terá de ser substituída. O editor Péricles Malheiros, que dirigia o carro com uma camiseta da revista, foi identificado pelo motorista, que é fã da QUATRO RODAS e se mostrou uma pessoa responsável, assumindo o custo do conserto. Mas isso é assunto para o mês que vem.
Principais ocorrências
1350 km: colisão traseira
Consumo
No mês (41,1% na cidade): Álcool – 8,7 km/l
Desde out/10 (45,5% na cidade): Álcool – 8,1 km/l
33611 km
O recall da mangueira de combustível do Agile foi feito, após duas semanas de espera a partir do prazo inicial que a GM estabeleceu, em 13 de setembro. Como o carro também tinha diversos pequenos problemas para resolver, como um vazamento no reservatório do óleo da direção hidráulica, freios baixos (apesar das novas pastilhas) e um alinhamento que insiste em nos fazer
coçar a cabeça, deixamos o hatch na Itacolomy, em São Paulo, com a lista de itens que deveriam ser verificados. Nenhum deles foi sanado, fora o recall em si.
Fomos encaminhados a um box de atendimento cujo responsável estava em férias. Acabamos atendidos por outro consultor. “Atendidos” talvez seja um exagero. Ele pareceu nos ouvir, mas sem muito interesse. Recebeu o carro e não fez nenhuma checagem de suas condições. Por via das dúvidas, deixamos com ele uma “cola” com tudo o que gostaríamos que fosse verificado. Saímos com a promessa de que ele nos ligaria para avisar quando os serviços estivessem terminados. O que poderia ocorrer no mesmo dia.
No fim do dia seguinte, sem resposta nenhuma, ligamos para o consultor. Ele se limitou a dizer que o carro estava pronto. Questionado sobre os problemas que apontamos, afirmou que o vazamento na direção hidráulica é normal (a tampa tem um respiro que deixa o fluido escapar), que o freio não tinha problema – as pastilhas estavam novas – e que o alinhamento estava correto. Retiramos o carro no mesmo dia.
Como a checagem dos problemas terá de ficar para uma próxima visita a outra autorizada, resolvemos verificar o alinhamento por nossa conta. Visitamos a Quadrelli, oficina especializada em suspensão, em São Paulo, e recebemos um diagnóstico preocupante: mesmo após uma revisão com tão pouco tempo, na qual foi feito alinhamento e balanceamento, a cambagem da roda traseira esquerda do Agile estava fora do padrão de fábrica. Esperamos que essa seja a explicação para a cantoria do carro em curvas para a direita.
A boa notícia, para a GM e para o consumidor, ficou por conta das palhetas do limpador de para-brisa. Ressecadas, exigiam troca imediata. Pesquisamos em lojas independentes e o preço que encontramos, pelo par dianteiro genérico, foi de 39,90 reais. Na autorizada Carrera da Vila Leopoldina, o par original saía por 40,07. Obviamente, optamos pelo original.
Consumo
No mês (37% na cidade): Álcool – 7,5 km/l
Desde mar/10 (31,8% na cidade): Álcool – 7,9 km/l
31591 km
O mês do Agile foi agitado. Enquanto ele atravessava a revisão dos 30 000 km, chegou a notícia do recall da mangueira de combustível, que resseca e pode provocar vazamentos. Nem foi preciso conferir a numeração do chassi: todos os Agile entraram no pacote. Nosso carro estava na concessionária Viamar Pereira Barreto, em São Paulo (SP), quando pedimos que aproveitassem para fazer o recall. Mas, segundo o assessor técnico, ele só poderia ser feito após 13 de setembro, no início do atendimento, três semanas depois da revisão. Sabemos que uma operação desse porte pode envolver uma logística intrincada na distribuição de peças, mas 20 dias para uma troca de mangueira é muito.
Mas não foi só o prazo para atender o recall que passou da medida. Quando nos forneceram o orçamento, incluíram a limpeza da injeção e do motor. Como de costume, recusamos. O consultor disse que, se esses serviços não fossem feitos, o carro corria o risco de perder a garantia. Mantivemos a recusa sem nenhum receio, o que pode não acontecer com aqueles que não leem o manual de instruções.
Na volta do carro, verificamos que o volante trepida acima de 90 km/h (problema no balanceamento, supostamente feito por 100 reais, juntamente com o alinhamento), as palhetas estão ressecadas e o reservatório da direção hidráulica tem vazamentos. Apesar de não terem sido reportados na entrega para a revisão, estavam aí motivos legítimos de executar serviços que trariam benefício real. A solução deve ficar para a próxima visita aos concessionários. Dessa vez para o recall, que já tem fila de espera de duas semanas.
Consumo
No mês (31,5% na cidade): Álcool – 8,6 km/l
Desde mar/09 (31,4% na cidade): Álcool – 8,0 km/l
39997 km
Você que acompanha nossos carros de Longa Duração todo mês não vai se surpreender com o que vem a seguir: a luz da injeção do ForTwo acendeu novamente. Surpreendente mesmo é o tempo que uma peça aparentemente simples levou para ser substituída. Vamos aos fatos.
Aproveitamos o defeito para testar o SmartMove Assistance, serviço de assistência 24 horas da marca. Para isso, escolhemos uma rua perto de uma movimentada avenida de São Paulo, a Francisco Morato. Ligamos para o 0800 e relatamos que a luz de injeção havia acendido e que estávamos com receio de rodar até a concessionária. A atendente nos perguntou se isso já havia acontecido antes. Depois de afirmarmos não ser aquela a primeira vez, a moça nos recomendou que esperássemos uma plataforma, que levaria o carro até a oficina mais próxima. No caso, de novo a Europamotors. O tempo que ela levaria para chegar foi estimado em cerca de uma hora. Trinta minutos depois do prazo, ligamos novamente e voltamos a questionar se não seria melhor ir dirigindo. Fomos informados de que a plataforma já estava na região. Ela demorou mais 20 minutos para recolher o carro e levá-lo à oficina.
Chegando à Europamotors, esperávamos que o procedimento fosse semelhante aos anteriores: um “reset” da central eletrônica, para apagar o registro de erro, seguido da recomendação para mudarmos a gasolina. Não foi. Desta vez o diagnóstico foi de queima do sensor de pressão do turbo, também chamado de MAP, que precisaria ser substituído. A complexidade do conserto (quase como trocar uma lâmpada) foi inversamente proporcional ao tempo que a peça levou para chegar à concessionária. Menos mal, o conserto foi feito em garantia. Ficamos 14 dias com o carro parado. Quando ele voltou para nossas mãos, uma surpresa desagradável: na parte traseira esquerda, o painel de plástico estava marcado, como se tivessem tentado retirar a peça com uma chave de fenda. Questionada, a concessionária não soube explicar o que havia acontecido, mas se dispôs prontamente a solucionar o caso. Ficamos de ver isso no mês que vem.
Resultado da longa internação, o Smart rodou apenas 740 km este mês, um provável recorde negativo na história do Longa Duração. Não estranhe se sua conta não bater. Erramos ao dizer que o ForTwo havia rodado 37 611 km em setembro. Esse era o número de agosto. Em setembro, ele já havia percorrido 39 257 km.
Consumo
No mês (76,6% na cidade): Gasolina – 11,7 km/l
Desde set/09 (43,7% na cidade): Gasolina – 12,1 km/l
37611 km
Nosso Smart tem sofrido com o frio intenso do inverno. E de uma forma inusitada. Em dias gélidos e com o carro parado há um bom tempo, era sair e ouvir a suspensão dianteira fazendo barulhos, como se houvesse algo solto – ou como se ele estivesse reclamando de ser acordado no inverno. A curiosidade é que, após rodar alguns quilômetros, os ruídos cessam. Estranho? Também achamos. Em tempo quente, os ruídos não comparecem. Antes de reclamar do fato ao concessionário, fomos buscar uma segunda opinião, com os especialistas da Suspentécnica.
Achar o defeito não foi fácil. Como rodamos um pouco – da redação até a oficina -, o sistema se aqueceu, reduzindo o ruído. A equipe da especializada ficou um bom tempo analisando o carro. E o ruído só surgiu após meia hora, quando resolvemos balançar o carro no chão. Naquele instante, bingo: dois mancais da barra estabilizadora – de borracha – apresentaram um discreto jogo. Curiosamente, o ruído some em dias mais quentes, ou após o carro rodar alguns quilômetros, pois, aparentemente, a borracha aquece, se dilata e a folga some. Outra folga notada foi nos batentes superiores dos amortecedores, mas que não gerava ruído.
Levamos o carro até a Europamotors, de São Paulo. Dois dias depois – e após uma cautelosa análise de um técnico da fábrica, segundo o consultor Gilson Marcos -, recebemos um orçamento. Não seria o primeiro do mês: aos 37 500 km, paramos na mesma concessionária para a troca de óleo do motor, ao salgado custo de 315 reais. Cada litro do óleo Mobil nos custou 61 reais, enquanto o filtro saiu por 71 reais.
A surpresa ficou nesse segundo orçamento. Por telefone, o consultor nos informou que iriam fazer a “revisão” do carro, trocando o óleo do motor e filtro – itens trocados 2 500 km antes -, além de nos cobrar pelo serviço de reaperto, lubrificação e revisão da suspensão dianteira e, também, por um coxim de câmbio danificado. Isso com o carro na garantia. Questionamos inicialmente o óleo e o filtro de óleo do motor. E o consultor rapidamente desfez a “confusão”. Mas continuou a afirmar que os demais serviços não eram cobertos pela garantia.
Ligamos para o serviço de atendimento ao cliente da Smart e relatamos o caso. Algumas horas depois, recebemos um retorno da marca, reforçando que um técnico da fábrica estava acompanhando o caso e que iria indagar da concessionária o motivo da cobrança. E prometeu uma resposta para o dia seguinte. Quem nos ligou, porém, foi o técnico da concessionária: “Detectamos um pequeno vazamento de óleo no motor, que pede a troca de um retentor. Tenho que descer o motor para arrumar, em garantia”, disse o técnico.
No dia seguinte, o SAC da Smart nos comunicou que teríamos de arcar com o conserto do coxim e com o reaperto da suspensão, pois, segundo o consultor, são itens não cobertos pela garantia. O custo disso foi de 190 reais pelo reaperto e 214,68 reais pelo coxim. Uma lâmpada do farol, modelo H7 (a terceira trocada no nosso Smart), também foi substituída, ao valor de 20,38 reais.
Consumo
No mês (58,3% na cidade): Gasolina – 11,3 km/l
Desde set/09 (43,1% na cidade): Gasolina – 12,1 km/l
34801 km
Talvez você já conheça o médico Milton Valente, pois não é a primeira vez que ele aparece no Longa Duração. Além de cuidar da saúde dos funcionários da Editora Abril, ele cultiva especial gosto por carros e acompanha de perto o movimento da nossa garagem. Dono de um Civic, o doutor Milton fez questão de avaliar nosso Smart. Após 15 minutos com o carro, ele nos liga para descrever a sensação causada pelo tranco da transmissão automatizada: “Escuta, parece que o Smart está freando sozinho nas trocas de marca, é normal?” Para nós, que estamos acostumados, sim. Mas que causa estranheza, isso é verdade.
Após um fim de semana com o carro, Valente reportou que o carro está “afogando para sair”. Na verdade, a sensação é causada pelo retardo do acelerador eletrônico. Essa demora, uma característica do carro, parece ter sido amenizada por alguns usuários, conforme relatos na comunidade do carrinho no Orkut. O remédio receitado para isso seria o Sprint Booster, vendido nos Estados Unidos. O equipamento, segundo o fabricante, reduz o tempo de resposta do pedal, tornando as acelerações mais rápidas. Oficialmente, a Smart afirma que “qualquer equipamento que não seja original não é recomendado pela marca”.
Outra reação anotada foi a luz do controle de tração, que piscava quando o Smart escalava uma lombada. A explicação para o sintoma está na programação conservadora do sistema, que atua ao menor sinal de perda de aderência. “Olha, eu odiei no começo, mas, no fim, gostei. Se eu fosse fazer um test-drive curto, não ia gostar”, diz Valente. Mas, depois de algumas curvas, elogiou a estabilidade do compacto: “Parece que ele anda sobre trilhos”. Será que ele receitaria o Smart para uso na cidade? “Para estacionar em lugares apertados, ele é ideal. Mas, pelo preço dele, eu escolheria um carro maior, como um Honda Fit. Entrega muito mais, custando o mesmo preço.”
Consumo
No mês (42,2% na cidade): Gasolina – 13,7 km/l
Desde set/09 (42,5% na cidade): Gasolina – 12,1 km/l
21657 km
A quantidade recorde de chuvas em São Paulo aumentou o número dos buracos na cidade. Nosso Smart encarou um deles, e não deu outra: levou a pior. Saiu com marcas na roda dianteira direita, um amassado e uma trinca. O pneu não foi afetado. Já o bolso…
Levamos o carro à concessionária Europamotor, de São Paulo (SP), para um orçamento. Após um dia, a resposta: a roda nova custaria 1 527 reais. Alinhamento e balanceamento, 240 reais, além de uma hora de mão de obra, a 170 reais, para retirar o pneu de uma roda e colocar em outra. Na autorizada Bullit, de Barueri (SP), valores semelhantes: o mesmo pela roda, 240 reais pelo alinhamento e 165 por balanceamento e montagem. Se não questionássemos, seriam 1 937 reais na primeira concessionária ou 1 932 na segunda, preço elevado em ambas.
A consultora da Europamotor ofereceu a opção de reparar a roda, numa empresa terceirizada, por nada menos que 800 reais, fora alinhamento e balanceamento. Para piorar, ela afirmou que o serviço não era recomendado pela fábrica. “Mas eles não estão vendo”, disse. Verdade que, mesmo oferecendo a opção, eles não aconselhavam o procedimento. A roda ficaria frágil e “o carro é tão novinho…”
Recusamos o reparo e optamos por adquirir uma roda nova. Como questionamos o preço, a consultora reduziu a mão de obra, dessa vez para 80 reais. No orçamento definitivo, surpresas. O valor da roda caiu para 1 445,92 reais e ganhamos um surpreendente desconto de 20% no total da fatura. Valor final: 1 476,74 reais. Autorizamos o serviço e recebemos o extenso prazo de cinco dias úteis para o reparo – basicamente, uma simples troca de roda.
E os concorrentes, que também usam componentes de liga leve importados? No caso do Fiat 500, de aro 15, o preço é de 1 135 reais, enquanto a roda de um Mini Cooper, aro 16, custa 1 285,51.
Uma semana depois, o Smart voltou. Não bem como queríamos. Não achamos o extintor e o volante estava desalinhado. E a luz de injeção acendeu, após uma viagem até Campos do Jordão (SP). Na concessionária, a suspeita da injeção recaiu sobre o combustível. Mas a análise revelou que ele estava dentro dos parâmetros. “Esse problema tem afetado algumas unidades do Smart e também alguns Mercedes- Benz”, revelou a consultora. A solução, segundo a concessionária, é “ressetar” o sistema de injeção, eliminando os erros. A direção foi realinhada e o extintor “reapareceu” – segundo a Europamotors, estava embaixo do banco (um dos lugares que checamos antes de reclamar o sumiço).
Principais ocorrências
20829 km: roda danificada em buraco
21543 km: luz da injeção acendendo
Consumo
No mês (25,9% na cidade): Gasolina – 12,6 km/l
Desde set/09 (40,9% na cidade): Gasolina – 11,6 km/l
18431 km
Nas férias de fim de ano, o ritual de colocar a bagagem no carro e encarar a estrada foi repetido pelo designer da revista Paulo Inoue a bordo de nosso compacto de Longa Duração. Em seu relato abaixo, ele conta sua viagem de 2 311 km, indo até Bauru (SP) para celebrar o Natal e, em seguida, descendo a serra até São Sebastião (SP) para estourar o champanhe à beira-mar. Tirando uma lâmpada de farol queimada (trocada na garantia), o mês foi tranquilo. O Smart até serviu de meio de transporte para a matéria sobre karts vintage desta edição e – quer saber? – ficou bem à vontade entre eles.
“O fato de ser solteiro e sem filhos ajudou bastante para que o Smart fosse meu companheiro de estrada por três semanas. Afinal, pude carregar toda a – pouca – bagagem em minhas viagens, que incluíram estradas de terra, serras e buracos, sob muito sol e chuva. Carismático, o Smart atraiu olhares e sorrisos por onde passava, fosse numa pacata cidade interiorana, fosse no badalado litoral norte paulista. Mas fiquei com a sensação de que as pessoas já se acostumaram com essa pequena novidade. Como a cidade de Bauru estava deserta (os estudantes voltaram a suas cidades natais), não o avaliei na noite interiorana, já que as casas noturnas da região estavam fechadas…
Na hora de encarar a estrada, mesmo sendo fã confesso do carro, fiquei apreensivo. Imaginei uma viagem com sobressaltos, devido aos incontáveis buracos que viriam pela frente. Mas fui surpreendido pelo bom rendimento do motor, exigindo concentração para que não ultrapassasse, facilmente, os 120 km/h, velocidade máxima permitida na rodovia Castelo Branco. Ou exagerasse nas curvas da serra que liga Taubaté a Ubatuba (SP).
Mas nem tudo foram flores. Nessa peregrinação, também encarei alguns quilômetros de estrada de terra. E foi aí que o Smart reafirmou sua predileção por pisos bem aplainados. Intolerante a buracos e irregularidades do piso, ao trafegar na terra, mesmo a baixíssima velocidade, ele não esconde o desconforto. Aí foi a minha vez de sorrir. Ou melhor, rir para não chorar.”
Principais ocorrências
18347 km: lâmpada queimada
Consumo
No mês (40,2% na cidade): Gasolina – 11,7 km/l
Desde set/09 (43,4% na cidade): Gasolina – 11,4 km/l
14094 km
Assim que finalizamos a edição passada da revista, um dado da nota fiscal do serviço de troca de óleo, feito aos 7 500 km, nos deixou com uma dúvida. Qual seria a marca dos 4 litros de “óleo 5W30 Performance”? Procuramos a resposta no manual do proprietário e não a encontramos. Nem na versão brasileira, nem no livreto destinado aos proprietários de Portugal, ambos disponíveis no porta-luvas do nosso Smart. Também não encontramos qualquer adesivo no carro com a especificação do lubrificante.
A única referência ao assunto no manual é um pedido para entrar em contato com o serviço de atendimento ao consumidor da marca para descobrir qual a especificação ideal, de acordo com o clima da região. Fizemos o teste São Tomé e entramos em contato com a empresa. Atendidos pelo consultor técnico Reinaldo Lima, ficamos sabendo que havia duas opções, o Pentosynth 5W40 semissintético (utilizado pela Smart para troca do óleo) e o Mobil 1 0W40 sintético (o mesmo usado no primeiro lote de carros vendidos por aqui).
Com base nos dados do consultor técnico, a troca de óleo realizada pela Bullit Automóveis, autorizada Smart que fica em Barueri (SP), estaria incorreta. A princípio, o consultor disse que, se fosse utilizado qualquer óleo que não os recomendados, o motor poderia ser danificado. Questionamos, então, o que aconteceria com nosso automóvel, já que, supostamente, houve a troca incorreta na concessionária autorizada. “Garanto que o carro de vocês não terá problemas”, afirmou o técnico, pois, segundo ele, há vários óleos homologados pela Mercedes-Benz para o Smart, uma evidente contradição em relação à primeira informação dada pelo mesmo funcionário.
Respostas
Procuramos o consultor Carlos Silva, da Bullit, que fez a troca de óleo, e descobrimos que eles utilizam o 5W30 por recomendação da fábrica. “Conversei com a área técnica da marca e lá confirmaram que o óleo usado para troca, aqui, é o ideal”, afirmou Carlos Silva. Segundo ele, há quatro especificações de óleo homologadas: 0W30, 0W40, 5W30 e 5W40. E que o óleo 5W30 Performance, usado em nosso carro, é de bandeira Mercedes-Benz.
Por fim, fomos até a fonte: questionamos a própria Mercedes-Benz sobre o óleo correto do Smart e o porquê de tanto desencontro nas informações. A resposta oficial é que há duas especificações de óleo apenas, o 5W30 sintético – igual ao utilizado em nosso carro – e o 0W40, também sintético. As marcas recomendadas pela Mercedes-Benz para o Smart são: Fuchs Titan e Motul 8 100 (5W30) e Mobil 1 (0W40). E não há um óleo com bandeira da marca. A Mercedes também assumiu a falha do manual do proprietário. Segundo ela, houve um erro de revisão na primeira edição impressa do manual, já corrigido nos novos manuais. Os proprietários dos Smart com manuais incompletos serão notificados por meio de carta, com as informações corretas do óleo. O desencontro de informações, segundo a marca, foi apenas um equívoco, e diz que toda a rede está plenamente orientada a informar todas as especificações recomendadas pelo fabricante.
Consumo
No mês (65,1% na cidade): Gasolina – 9,9 km/l
Desde set/09 (41,8% na cidade): Gasolina – 11,3 km/l
O mais completo teste de automóvel realizado por uma publicação no Brasil. QUATRO RODAS compra os carros como se fosse um consumidor comum e, depois de rodar por 60 mil quilômetros, desmonta até o último parafuso.