54049 km
Nosso assistente Eduardo Campilongo foi curtir as férias de fim de ano no Rio de Janeiro. O hodômetro se aproximava dos 52 500 km, quilometragem prevista para a última troca de óleo antes do desmonte. Agendamos o serviço na Smart Barra, a única concessionária no Rio de Janeiro. A rede Smart é tão minúscula quanto o carro – além da autorizada do Rio, há duas em São Paulo, e uma no Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Santa Catarina.
Pagamos 544 reais pela manutenção, que incluiu 4 litros de lubrificante, filtro de óleo e mão de obra. Na edição de setembro de 2009, fizemos o mesmo serviço por 315 reais, em São Paulo.
Na viagem de retorno, uma pedra atingiu o parabrisa, fazendo surgir, de imediato, uma grande trinca em direção ao centro. O técnico da Carglass, empresa especializada na reparação de para-brisas deu a sentença em segundos: “Foi muito perto da borda, não dá para consertar”. E ficou claro que a pedrada dói mais nos donos de Smart que moram no Rio. Em São Paulo, houve variação de preço entre as duas concessionárias. A troca (com peça e mão de obra) foi cotada em 1 503 reais na Europa Motors e 1 700 reais na Itatiaia. No Rio, na mesma autorizada que fez a troca de óleo, o orçamento foi de 2 558 reais – uma diferença de até 70% na comparação com São Paulo. A Mercedes, dona da Smart, reconhece que suas oficinas têm autonomia para praticar preços diferentes entre si. Mas uma fonte ligada à marca alemã revela: “Os casos de cobrança de preços abusivos estão ficando recorrentes. Em breve, a Mercedes precisará interceder para preservar a imagem da Smart”. A maior variação detectada foi na mão de obra. Para trocar o para-brisa, a Smart Barra cobrou 358 reais, contra 160 reais da Europa Motors, uma diferença de 123,8%.
Consumo:
No mês (30,8% na cidade): Gasolina – 13,2 km/l
Desde set/09 (42,4% na cidade): 12,1 km/l
Principais ocorrências:
53345 km: uma pedra atingiu o canto do para-brisa
10618 km
Nem bem o Uno se refez da passagem pela concessionária para um reparo de funilaria (uma pancada na traseira exigiu reparos no painel traseiro e troca do para-choque), agora a ansiedade de um portão de garagem combinado com a malemolência do motor 1.0 justificariam nova ida ao funileiro. A questão é: vale a pena? Saindo da garagem de seu prédio, a editora Maria Paola de Salvo teve dificuldades com o motor do Uno frio, que não respondeu com a presteza esperada. Em vez de vencer a ladeira, ele morria no meio do caminho. Numa das tentativas de sair com o carro, o portão resolveu começar a se fechar sobre o carro. O resultado foram marcas no teto do novato, algumas das quais um belo polimento resolve. Outras, só a pintura, mesmo.
O grande problema de pequenos riscos é que eles exigem a repintura de toda a peça. Quando isso é no teto, a questão fica ainda maior. Tudo porque há margem para a interpretação de que uma raladinha foi, na verdade, um acidente grave, talvez um capotamento. A suspeita desvaloriza o carro muito mais que o próprio dano. Um serviço mal feito pode até dificultar a renovação de um seguro, por exemplo.
Mesmo sabendo disso, levamos o Uno a três concessionárias e a três lojas independentes para verificar o que nos recomendariam: consertar o carro, para vendê-lo por um preço mais alto, ou passá-lo para a frente do jeito que está. Ninguém recomendou que consertássemos o carro, pelo contrário: chegaram a nos dizer que não fizéssemos isso. Os preços de venda variaram de 24 000 reais, em uma loja independente, a 26 000 reais, em uma concessionária da própria Fiat. Novo e com o mesmo conteúdo que o nosso traz (ABS e airbags), o carro custa cerca de 36 000 reais.
Apesar de o prejuízo parecer grande (quase 10 000 reais), a desvalorização do carro não pode ser creditada só à batida. A venda de um seminovo, como o nosso, sempre implicará perda de dinheiro. Entre o seminovo e o zero, a escolha sempre vai recair neste último (que traz facilidade de financiamento e cheiro de carro novo), a não ser que o seminovo tenha preço muito inferior, forma de torná-lo atraente. Com isso, apesar de novo custar 36 000 reais, nosso Uno poderia ser vendido a um particular por, no máximo, 30 000.
O resto da desvalorização é de responsabilidade da venda a autorizadas e lojas, opção indicada apenas para quem tem pressa de fazer negócio ou quer evitar a espera por um particular. Considerando que o preço máximo que pegaríamos no Uno seriam 27 000 reais, até que o teto não atrapalhou tanto assim.
De todo modo, vale a ressalva: todas as concessionárias e lojas disseram que consertariam o teto depois de comprar o carro. “Minha oficina é boa, senão eu não arriscaria consertar”, falou o vendedor de uma concessionária. Em outra, o vendedor disse que o reparo seria feito por meio de micropintura.
Consumo:
No mês (24,5% na cidade): Álcool – 8,8 km/l
Desde out/10 (36,7% na cidade): Álcool – 8,4 km/l
8346 km
Desde a reportagem sobre dirigir com economia, faço questão de melhorar minha marca de consumo na Via Dutra, em direção ao Rio de Janeiro. O cenário era bastante favorável: feriado só na cidade de São Paulo e com previsão de chuva no litoral. Estrada vazia, portanto, e uma ótima oportunidade de avaliar, com mais atenção, o consumo de nosso i30.
O computador de bordo não tem funcionamento tão prático. Os registros de consumo médio e quilometragem parcial precisam ser zerados separadamente, quando o normal é fazer tudo junto. E em vez de km/l ele usa a unidade europeia, litros/100 km. Nessa conta ao contrário, quanto menor o valor, melhor.
Por isso o número que aparecia no painel não me empolgava: logo antes do primeiro pedágio, a tela digital azul registrava 11,8 (equivalentes a 8,5 km/l), sempre com ar-condicionado ligado. A velocidade média (88 km/h, numa estrada com limite entre 100 e 120 km/h) mostra que trânsito não era problema.
Conforme a estrada ganhou relevo, desliguei o piloto automático. Seu conforto é inegável, mas, em nome de manter a velocidade programada, ele fica variando bruscamente a aceleração a cada subida e descida – quando o ideal, do ponto de vista do consumo, é variar suavemente. Nessa hora, o mais econômico é comandar o acelerador com os próprios pés. Para afinar a comunicação, a pedida é usar um par de tênis de solado sensível, tipo All Star.
O número melhorou para 11,4 em Roseira (SP), para 11 redondos em Resende (RJ) e alcançou 10,6 em Nova Iguaçu (RJ). Mas continuou alto. Equivale a 9,4 km/l, bem distantes dos 12,8 km/l registrados pelo nosso C4 Pallas – e olha que ele pegou três horas de congestionamento na estrada.
A transmissão automática não ajuda o i30. O escalonamento do câmbio até que é bem feito – a 100 km/h, o motor trabalha a confortáveis 2 500 rpm. Mas, como a maioria de nossos carros médios, tem apenas quatro marchas. O consumo de um carro com quatro marchas varia mais, conforme a condição de uso, do que o de um carro com cinco marchas. Isso porque aumenta a chance de o motor funcionar distante de seu ideal. Bastou andar com limite de velocidade um pouco mais baixo (80 km/h, na avenida Brasil) para o consumo melhorar bastante: 13,7 km/l.
Esperava melhorar a marca do i30 na viagem de volta, mas a chuva e o trânsito invalidaram a prova. Já em São Paulo, o i30 teve seu para-choque dianteiro raspado por um motoboy que nem quis parar. Como resultado, há dois pequenos riscos paralelos na borda da peça. Como o dano é mínimo, e apenas estético, vamos orçar o reparo da pintura apenas na primeira revisão do i30, aos 10 000 km.
Principais ocorrências
6623 km: ralado no para-choque
Consumo
No mês (31,1% na cidade): Gasolina – 9,1 km/l
Desde dez/09 (32,1% na cidade): Gasolina – 9,5 km/l
18668 km
Um descascado no para-choque progrediu até ficar do tamanho de uma laranja. Depois, o para-lama dianteiro direito também começou a descamar. No protetor interno da peça encontramos vestígios de tinta. E, no cofre do motor, sinais de pó de lixamento. Como isso seria possível em um carro que está conosco desde zero? Uma hipótese seria o Agile ter passado por um reparo antes de chegar até nós – ou em alguma das estadas em concessionária. Na dúvida, levamos o carro até o Cesvi Brasil para um diagnóstico mais preciso.
Os técnicos confirmaram: para-choque e paralama foram repintados. E o serviço foi mal feito. O relatório do Cesvi diz: “Este veículo sofreu algum tipo de dano na ponta do para-choque dianteiro, do lado direito, e no para-lama dianteiro direito, tendo sofrido reparos de funilaria e repintura do paralama e retoque em aproximadamente 40% da área do para-choque. Também foi medida a espessura da tinta. “Notou-se, em algumas áreas, uma camada muito acima do recomendado para um veículo repintado, indicando que existe grande quantidade de massa e primer no local da reparação.”
Com essas informações, fomos à autorizada Carrera, no Butantã (SP), onde o Agile foi comprado. Lá a análise feita por um técnico constatou o que já sabíamos: o carro foi reparado. “Olha, em ‘off’, se tivesse sido pintado aqui, constaria no sistema,” afirmou o técnico. Mesmo assim, a concessionária fotografou o veículo e encaminhou a queixa para a Chevrolet.
Ao longo da vida, o Agile visitou cinco autorizadas, todas em São Paulo: na Nova, aos 3 000 km, ficou por três dias para solucionar problemas de ruídos e de luzes de advertência do ABS e airbag; na Itororó Veículos, uma hora, aos 5 000 km, para trocar o óleo. Na Itacolomy, aos 8 000 km, ficou de um dia para o outro, para corrigir ruídos. Em outra Carrera, de Higienópolis, foi feita a revisão dos 10 000 km, em um dia. E, aos 15 000 km, na Itororó da Heitor Penteado, levaram uma hora para a troca de óleo. Perguntamos ao técnico da Carrera qual o prazo para se fazer um serviço desse: “No mínimo, dois dias”. Na teoria, a única que teria tido tempo, além da revenda onde compramos o carro, seria a Nova, onde ele ficou três dias.
No entanto, segundo o gerente Maurício, da Nova, não consta nenhuma ordem de serviço de pintura. “Posso lhe garantir que, aqui, não aconteceu nada.” A General Motors do Brasil afirmou que, se o veículo acaba sofrendo avarias pequenas durante o transporte, ele é encaminhado para reparo em concessionárias que se destacam pela excelência de seus serviços. “Se o dano puder representar qualquer perda ao consumidor, o veículo danificado é devolvido à GM do Brasil, que o incorpora à sua frota, e um novo veículo é entregue à concessionária em substituição ao retirado do mercado”, afirma a resposta da GM.
Segundo Marcelo Florêncio, assistente de direção do Procon-SP, o Código de Defesa do Consumidor afirma que todos os fornecedores da cadeia são responsáveis nessa situação e cabe ao consumidor escolher quem responde pelo vício oculto. “No caso de automóveis, em que o valor agregado é alto e a depreciação representa um prejuízo ao consumidor, a solução tem que ser imediata”, afirma Florêncio. Ficaria à escolha do consumidor devolver o produto e receber o valor integral, trocar o produto por outro igual ou semelhante ou ainda ser ressarcido pelo prejuízo.
Principais ocorrências
16172 km: para-choque descascado
Consumo
No mês (28,6% na cidade): Álcool – 7 km/l
Desde mar/10 (30,5% na cidade): Álcool – 7,9 km/l
O mais completo teste de automóvel realizado por uma publicação no Brasil. QUATRO RODAS compra os carros como se fosse um consumidor comum e, depois de rodar por 60 mil quilômetros, desmonta até o último parafuso.