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JAC J3

Desmonte do JAC J3

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Por Péricles Malheiros | Foto: Pedro Rubens

Cercado de expectativa, o J3 foi incorporado à frota de Longa Duração em maio de 2011. Em ritmo acelerado, inverteu a ordem natural, passou o 3008 em quilometragem e chega ao desmonte em tempo recorde – este foi o teste de Longa Duração mais breve de QUATRO RODAS.

O J3 é o segundo chinês no Longa Duração. Com o Effa M100, a experiência havia sido desastrosa – o teste foi interrompido antes do fim por problemas com o carro e com a rede. Na apresentação do J3 à frota de Longa Duração, deixamos claro que compartilhávamos as mesmas dúvidas que o consumidor: “Será que ele aguentará nosso asfalto? Haverá um plano que garanta peças de reposição? A garantia de seis anos vai funcionar na prática? O atendimento da rede autorizada será eficiente?” Após quase um ano de convívio e com todas as peças desmontadas e analisadas, chegou a hora das respostas.

O início de nossa relação não foi dos mais tranquilos. Com apenas 216 km no hodômetro, a suspensão dianteira ficou barulhenta, o que nos obrigou a retornar à concessionária em que adquirimos o J3, a JAC Gastão Vidigal. O problema foi resolvido em 40 minutos, com a substituição da bandeja da suspensão dianteira direita. Nos meses seguintes, foi a vez de uma pane elétrica nos levar à rede. Foram cinco visitas até que o problema – um simples conector do chicote elétrico na porta traseira direita – fosse detectado e solucionado. Daí para a frente, a vida do J3 foi de uma normalidade entediante. A luz de injeção acendeu aos 31 580 km, mas foi alarme falso: a diagnose não indicou nenhuma anomalia na central eletrônica.

O plano de manutenção da JAC, com revisões a cada 10 000 km e uma troca de óleo entre elas, foi elogiado pelo consultor Fabio Fukuda, responsável pelos desmontes de QUATRO RODAS: “Muita gente deve se incomodar de parar o carro a cada 5 000 km, mas não tenho dúvida de que o ótimo estado do motor é mérito das visitas constantes”, disse.

As medições feitas antes do desmonte propriamente dito antecipavam a saúde do quatro-cilindros de 1 332 cm3 desenvolvido pela empresa austríaca AVL. As linhas de óleo e combustível estavam com a pressão dentro dos padrões de fábrica. Os valores de compressão dos cilindros estavam preservados, longe do mínimo tolerado, que é de 174,05 psi. Foram aferidas 246,56 psi nos cilindros 1 e 2 e 232,06 psi nos cilindros 3 e 4 – a JAC considera normal uma diferença de até 21,76 psi. Os números são mérito dos anéis dos pistões, todos com distância entre pontas dentro dos padrões estipulados pela fábrica. O virabrequim estava com todas as medidas (diâmetro de moentes e munhões e folga axial) em conformidade.

No limite

No andar superior do motor de bloco de alumínio e duplo comando de válvulas com admissão variável, tudo na mais perfeita ordem. “O nível de impregnação de carvão nas válvulas de admissão está abaixo do esperado, comprovando que os retentores cumpriram seu papel e impediram que o lubrificante do motor escorresse pelas hastes e ganhasse as câmaras de combustão”, diz Fukuda. Todas as válvulas de admissão e escape estavam com folga dentro dos limites previstos pela JAC. As velas de ignição, substituídas na revisão dos 30 000 km, estavam em bom estado.

A análise do câmbio fez com que o sempre comedido Fukuda se empolgasse: “Está perfeito. Se me mostrassem essa caixa desmontada e dissessem que ela havia rodado menos de 5 000 km, eu acreditaria”. Anéis sincronizadores, luvas de engate, garfos, rolamentos e engrenagens estavam intactos. O conjunto de embreagem também se mostrou robusto: o material de atrito do disco ainda tinha 1,2 mm de espessura – o mínimo é 0,3 mm. “Aguentaria mais cerca de 40 000 km”, afirma Fukuda. Com tantos destaques positivos, indagamos nosso consultor sobre a possibilidade de uma invasão não autorizada por parte da JAC: “Impossível. As marcações que fazemos pelo carro são invioláveis. Qualquer alteração no motor, câmbio, na suspensão e até na rede elétrica seria facilmente detectada nas inspeções pós-revisão”, disse. Os carros de Longa Duração têm cerca de 100 pontos marcados no início da jornada e passam por verificação após cada revisão, quando também são inspecionados os itens com substituição prevista no plano de manutenção. Apenas um coxim do motor apresentava sinal de desgaste, mas nada que comprometesse sua eficiência ou obrigasse a uma breve substituição. Os coxins do câmbio estavam em perfeito estado.

Onde há fumaça

A troca da bandeja quando o J3 ainda era um seminovo abalou nossa confiança na suspensão. A situação se reverteu com o desmonte. “É um dos conjuntos mais robustos que já desmontei”, disse Fukuda. Os amortecedores passaram ilesos pelos 60 000 km, chegando ao fim da jornada sem sinais de folga, vazamento ou desgaste dos batentes. O sistema de direção terminou o teste intacto, mas não merece tantos elogios. Aos 52 400 km, uma fumaça vinda do cofre do motor nos fez visitar a JAC Bandeirantes. “A linha de alta pressão do sistema hidráulico da direção se rompeu e o fluido estava pingando no coletor de escapamento”, disse o consultor da concessionária. O serviço, feito em garantia, poderia ter sido mais eficiente. O vazamento desapareceu, mas um ruído na caixa de direção forçou nosso retorno. A autorizada disse ter resolvido o problema com um simples reaperto, mas não foi bem assim: “A caixa de direção foi substituída. Sem óleo, o pinhão e a cremalheira da caixa antiga devem ter sofrido danos”, disse Fukuda. Ainda que tenha resolvido o problema, a concessionária deveria ter informado o serviço efetuado.

Como o Longa Duração analisa também o atendimento prestado ao consumidor, vale ressaltar que a JAC superou as expectativas. Apesar de ter patinado na largada, ao demorar para resolver um simples problema de curto-circuito, as concessionárias prestaram um serviço exemplar. Cordial, ágil e eficiente, a rede JAC é, disparada, a que se saiu melhor nos últimos anos do teste de Longa Duração de QUATRO RODAS. Existe a possibilidade de o nosso J3 ter sido identificado pela rede e obtido alguma atenção especial? Sim, existe. Por outro lado, ao consultarmos outros proprietários de J3 (segunda edição de dezembro de 2011), confirmamos o bom tratamento da rede como sendo um padrão. No caminho certo e com poucos (mas importantes) pontos a corrigir, a JAC respondeu satisfatoriamente as perguntas do início do teste: o J3 aguenta nosso asfalto, nunca ficou parado por falta de peças, os poucos componentes que falharam foram substituídos em garantia, sem discussões, e, à exceção de pequenos e raros deslizes, a rede foi impecável. O resultado não poderia ser outro: J3 e JAC aprovados com louvor.

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APROVADO

De bandeja

O carro veio com uma bandeja danificada: foi o único problema durante todo o teste. pivôs e terminais chegaram íntegros aos 60 000 km, sem folga ou sinal de ressecamento.

Disco nas paradas

Aos 50 000 km, a autorizada alertou sobre a necessidade de troca das pastilhas. a Fiat não tomou o mesmo cuidado com nosso Uno de Longa Duração e os discos, danificados, tiveram de ser substituídos. as lonas do freio traseiro encerraram o teste com meia vida.

Por conta da casa

No início do teste, o J3 teve o filtro de cabine substituído em caráter de cortesia. Na revisão dos 50 000 km, nova troca. avulso, o componente custa 57,60 reais.

Sede limpa

Sem marcas nas sedes de válvulas ou qualquer sinal de formação de borra, o cabeçote se mostrou bem dimensionado e adaptado ao nosso combustível.

Cotas de carbono

A temperatura mais elevada e o fluxo de exaustão dos gases mantiveram as válvulas de escape isentas de carvão. Nas válvulas de admissão, o nível de material depositado foi considerado normal para um motor a gasolina.

O bloco passou

A construção de alumínio amplia a (real) impressão de que o bloco atravessou os 60 000 km intacto. As galerias de água e oleo estavam limpas, comprovando os benefícios de uma boa manutenção, com a troca regular dos fluidos.

Na medida

Os anéis de compressão estavam com folga de entrepontas dentro dos limites de fábrica, o que explica a reduzida formação de carvão na cabeça dos pistões.

Dentes perfeitos

O câmbio arrancou elogios do nosso consultor, Fabio Fukuda: “É difícil, hoje em dia, um câmbio dar problema, mas o do J3 vai além. Está impecável”. Sincronizadores, luvas, garfos e engrenagens terminaram o teste em perfeito estado.

Árvore sem galho

Livre de sinais de deficiência de lubrificação ou riscos provenientes de oleo contaminado por partículas metálicas, o virabrequim estava com todas as medidas dentro dos padrões.

Caixa-forte

A carroceria sobreviveu às nossas ruas e estradas: não foram encontradas trincas, as partes móveis abriam e fechavam sem dificuldade e não houve invasão de água ou pó.

Até os 100 000 km

Para bater o recorde de apenas 11 meses no Longa Duração, o J3 rodou 76,8% de sua quilometragem na estrada, quase o mesmo que o Uno, com 75,2%, desmontado em dezembro de 2011. a embreagem do JaC terminou em estado ainda melhor: aguentaria rodar mais 40 000 km.

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ATENÇÃO

Mudança de direção

Aos 52 400 km, o J3 começou a “fumar” e foi para uma parada não programada. “era a linha do sistema hidráulico da direção. ela começou a vazar em cima do escapamento e precisou ser substituída”, disse o consultor. com ruídos, o carro voltou à Jac, que efetuou a troca da caixa de direção, em garantia, mas sem nosso consentimento.

Cuidado com o estresse

Nenhum dos coxins — três sustentam o câmbio e um, o motor — apresentou ruptura no elemento elástico. Apenas no do motor, a borracha apresentava uma discreta marca característica de estresse por movimentação. nada que exigisse troca, apenas uma atenção especial.

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HISTÓRICO

158 km – rádio com dificuldade de sintonia

216 km – Bandeja da suspensão com bucha danificada é substituída em garantia

4 405 km - Vidros elétricos deixam de funcionar pela primeira vez

8 003 km – Substituição do chicote do vidro elétrico da porta traseira direita

31 580 km – Luz de injeção acesa no painel

52 400 km – Substituição da linha de alta pressão do sistema hidráulico da direção

52 579 km – Substituição (não informada) da caixa de direção

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CHECK-UP

Quilometragem / 1331 km / 60 001 km / diferença (%)

0 a 100 km/h (s) / 12,3 / 12 / 2,43
0 a 1 000 m (s) / 34 / 33,7 / 0,88
3a 40 a 80 km/h (s) / 8,2 / 7,8 / 4,87
4a 60 a 100 km/h (s) / 12,6 / 11,8 / 6,34
5a 80 a 120 km/h (s) / 21,6 / 18,6 / 13,88
Frenagem 60 km/h a 0 (m) / 15,7 / 17 / 8,28
Frenagem 80 km/h a 0 (m) / 28,4 / 29 / 2,11
Frenagem 120 km/h a 0 (m) / 61,9 / 65,3 / 5,49
Consumo urbano (km/l) / 11,2 / 11,8 / 5,35
Consumo rodoviário (km/l) / 14,9 / 15,4 / 11,2
Ruído interno PM (dBA) / 40,9 / 40,7 / 0,48
Ruído interno RPM máx. (dBA) / 73,4 / 73,8 / 0,54
Ruído interno 80 km/h (dBA) / 62,4 / 64,7 / 3,68
Ruído interno 120 km/h (dBA) / 70/ 69,2 / 1,14

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FOLHA CORRIDA

Preço de compra:
37 900 reais (maio/2011)
Quilometragem total: 60 192 km
46 242 km (76,8%) rodoviário
13 950 km (23,2%) urbano
Consumo total: 4 805,63 litros de gasolina (13 452,45 reais)
Consumo médio: 12,5 km/l
Custo por 1000 km: 39,08 reais
2 500 km – grátis (Brás Leme)
10 000 km – 99 reais (Bandeirantes)
20 000 km – 120 reais (Aeroporto)
30 000 km – 99 reais (Lapa)
40 000 km – 360 reais (Brooklin)
50 000 km – 668 reais (Sorocaba)
Troca de óleo/peças entre revisões – 534 reais
Alinhamento, balanceamento e rodízio a cada 10 000 km - 465 reais

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NÚMEROS DO MÊS

No mês (10,3% na cidade)
- Gasolina 13,9 km/l
Desde maio/11 (23,2% na cidade) – Gasolina 12,5 km/l

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VEREDICTO

Digno de elogio, o J3 deixará saudade. Assim como o serviço prestado pela rede. Apesar da obrigação de parar a cada 5 000 km, o chinês também se destacou pelo baixo custo de manutenção, menor até que o de alguns populares testados no Longa Duração. Se você ainda tinha preconceitos com relação à qualidade do carro e da rede, fim do mistério: o JAC J3 vale seu investimento.

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