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Smart ForTwo

Desmonte do Smart ForTwo

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Por Péricles Malheiros |  fotos: Sergio Chvaicer

No momento da compra de um Smart For-Two, o cliente espera um atendimento à altura da estrela que brilha na fachada da autorizada. E é compreensível que seja assim. Primeiro, porque o preço elevado (hoje, a partir de 57 900 reais) o torna um carro de nicho; segundo, porque os pontos responsáveis por sua manutenção são concessionárias Mercedes-Benz. Porém, após um ano e nove meses com o Smart ForTwo no Longa Duração, é possível afirmar: o carro chegou aos 60 000 km vendendo saúde, mas atuou como um luminoso painel, sinalizando falhas graves da rede.

Com o motor em temperatura normal de trabalho, as medições começam na oficina Fukuda Motorcenter. A pressão de óleo é verificada em marcha lenta e a 3 500 rpm – nas duas condições, tudo estava dentro dos padrões previstos pela fábrica. A mesma conformidade foi verificada na linha de combustível.

Pressão interna
Antes de proceder à abertura do motor, Fabio Fukuda, responsável pelo desmonte dos carros de Longa Duração, realizou os testes que aferem o nível de pressão interna dos três cilindros – por padrão, são feitas três aferições em cada um, a fim de evitar distorções. “Nos três cilindros, os números obtidos ficaram bastante próximos aos 14 bar indicados pela fábrica. Com 13,77, 13,83 e 13,8 bar respectivamente nos cilindros 1, 2 e 3, dá para considerar que as diferenças são aceitáveis para um motor que já rodou 60 000 km”, diz Fukuda.

Hora de iniciar o desmonte. Toda a parte inferior do Smart é protegida por uma espécie de prancha plástica. “Presa por parafusos e encaixada em vários pontos, ela exigiu cuidado especial na desmontagem. Havia alguns sinais de raspadas, mas nada que revelasse um grande impacto. As aberturas que direcionam o fluxo de ar para arrefecimento do motor também estavam intactas”, disse nosso consultor. Assim que o Smart subiu no elevador, Fukuda percebeu que algo estava errado: “Havia sinais de vazamento de óleo entre o motor e o câmbio”.

Motor retirado, o cabeçote também passou por um exame prévio. Injetando ar sob pressão na peça, Fukuda constatou que a estanqueidade (capacidade de vedação entre as válvulas e suas respectivas sedes) também estava mantida. Já com o componente desmontado, todas as folgas de válvulas foram medidas e estavam dentro do intervalo considerado normal pela fábrica, entre 0,18 e 0,26 mm nas de admissão e entre 0,26 e 0,34 mm nas de escape. Apenas as válvulas de admissão apresentavam acúmulo de carvão mais significativo, enquanto o cabeçote e as válvulas de escape se apresentaram “limpos”. Fukuda atribui o depósito de material (óleo e combustível) nas válvulas de admissão ao intervalo que a fábrica determina para a troca das velas, 60 000 km. “Elas estão gastas e não permitem a queima ideal da mistura, facilitando a formação e depósito de carvão nas válvulas”, diz. Mas o problema maior está no efeito dominó que o uso de velas “cansadas” provoca. “Desgastadas, elas exigem mais energia para produzir faíscas, sobrecarregando os cabos de vela. Estes, por sua vez, envelhecerão precocemente em função da utilização forçada e passarão a exigir mais das bobinas. Ou seja, ‘esticar’ o uso de um componente tão barato como velas pode significar, no médio prazo, uma despesa pesada. E perfeitamente evitável.”

No andar inferior ao cabeçote, o bloco, tudo perfeito. Os cilindros estavam com diâmetro, conicidade e ovalização dentro dos limites previstos pela fábrica, assim como a folga em relação aos pistões e as medidas do virabrequim (diâmetros de moentes e munhões e folga axial). Lembra o vazamento detectado por Fukuda? “O problema está no retentor do volante de motor, algo que não vejo nos carros de Longa Duração há muitos anos”, diz ele. E alerta: “O reparo é caro, pois exige a remoção do câmbio ou do motor. Fora isso, o vazamento seria suficiente para barrar o carro num programa de inspeção veicular como o Controlar, de São Paulo, onde o carro roda”.

O mais surpreendente estava por vir. Na dianteira, causava estranheza a presença de uma espécie de trapo pendurado nos dois mancais da barra estabilizadora. Segundo Fukuda, alguma concessionária deslocou os mancais para o lado, envolveu a barra estabilizadora com uma fita de tecido e, sobre ela, voltou a colocar os mancais. “Foi uma tentativa desastrosa de eliminar ruído. Obviamente, a medida corretiva ideal seria a substituição por mancais novos.” Como se não bastasse, o amortecedor dianteiro direito estava com a orelha de fixação quebrada. De novo, havia sinais de negligência no “reparo”: foi colocado um calço entre o corpo do amortecedor e a manga de eixo. São sinais de amadorismo inaceitáveis para qualquer oficina. E inacreditáveis em se tratando de concessionária de fábrica, fato agravado por se tratar de uma bandeira de prestígio.

Nos freios, a única observação negativa fica por conta da pastilha interna do lado esquerdo, com desgaste bem mais acentuado que o das demais – 0,7 mm de espessura, contra 4,8 mm da sua vizinha e 4,2 e 4,1 do conjunto direito. Novamente: uma simples inspeção visual seria suficiente para detectar o problema – a última revisão, dos 45 000 km, foi feita na concessionária Itatiaia. De acordo com Paulo Lourente, gerente da divisão de freios da Bosch, fabricante do sistema que equipa o Smart, esse consumo desigual pode estar ligado a um problema de cura da pastilha. “O material de atrito é composto por materiais orgânicos e um agente catalisador que reage ao calor. Depois de ser moldada e prensada, essa mistura é levada a um forno. Creio que essa peça deve ter passado um tempo inadequado por esse processo, o que diminuiu sua vida útil”, diz o especialista.

O sistema de direção arrancou elogios de Fukuda. “Encerrou o teste sem folgas, apesar do asfalto acidentado de São Paulo. Aliás, a suspensão, com buchas e terminais intactos, receberia os mesmos elogios, não fossem os deslizes nas revisões.” Uma boa olhada no diário de bordo nos faz lembrar algumas passagens importantes do Smart. Por duas vezes o para-brisa foi atingido por pedras enquanto trafegava por rodovias. Na primeira ocasião, aos 8 591 km, foi possível fazer um reparo na Carglass, especializada na recuperação de para-brisas trincados, por apenas 90 reais. Mas, quase no momento da despedida, aos 53 345 km, uma outra pedra acertou o Smart quando ele retornava de uma viagem ao Rio de Janeiro. Dessa vez, porém, o reparo não foi possível: por ter sido muito no canto, os técnicos da Carglass condenaram a peça. O sistema de arcondicionado também esquentou a cabeça de alguns dos 36 motoristas que se revezaram ao volante do Smart. Aos 43 000 km, ele perdeu a capacidade de refrigerar a cabine e foi para a concessionária. Liberado, voltou a apresentar problema. E voltou a ser reparado, dessa vez de maneira definitiva.

A dúvida sobre a resistência do Smart diante de nossas ruas mal cuidadas terminou com o desmonte, que nos trouxe ainda outra certeza: apesar da dureza da suspensão, que em algumas situações pode passar ideia de fragilidade, o carro é robusto. Menos resistente é a qualidade da prestação de serviços pela rede, que, no caso do Smart, eclipsa o brilho da estrela que ostenta na fachada.

 


APROVADO

Carroceria

Porta-malas, assoalho e até interior de portas: a carroceria do Smart chegou aos 60000 km sem nenhum sinal de invasão de água ou poeira. Chicotes bem isolados e conectores de qualidade confirmaram a qualidade de construção.

Tudo limpo

Pistões e câmaras estavam limpos. Apenas as válvulas de admissão apresentaram acúmulo mais severo de material carbonizado, mas nada que comprometesse a capacidade de vedação.

Turbo

O pequeno turbo chegou ao fim do teste sem sinais de danos nas pás da caixa fria ou jogo no eixo do rotor. Ou seja, estava com saúde para encarar outros 60000 km.

Alta roda

Em março de 2010 reportamos a necessidade da troca de uma roda, danificada depois de passar por um buraco. Custo da troca: 1477 reais. Não há como falar de fragilidade, pelo contrário: depois desse incidente, nenhuma outra roda foi amassada.

 


ATENÇÃO

Puxão de orelha

Os quatro amortecedores chegaram aos 60000 km com boa carga e sem sinais de vazamento ou folgas. O par dianteiro foi trocado (em garantia) aos 30000 km. no detalhe, o maior absurdo revelado pelo desmonte: o amortecedor dianteiro direito estava com a orelha de fixação quebrada.

Vazamento

Com o retentor danificado, o óleo começou a vazar entre o volante do motor e o câmbio. Uma simples inspeção visual seria suficiente para detectar o problema.

Mal na fita

Provavelmente com o intuito de eliminar ruídos, alguma autorizada calçou os mancais da barra estabilizadora com fita adesiva. A “gambiarra” se desfez no caminho.

 


REPROVADO

Desigualdade

Aos 30000 km, a concessionária Europamotors substituiu as pastilhas de freio. na última revisão (a dos 45000 km), na autorizada Itatiaia, porém, não viram que o componente interno do lado esquerdo sofrera desgaste muito mais acentuado que os demais.

Apagar das velas

Com troca indicada a cada 60000 km, as velas de ignição terminaram o teste muito desgastadas. Os números de desempenho e consumo do teste final certamente seriam melhores se as velas tivessem um intervalo de troca menor.


FOLHA CORRIDA

Preço de compra:58 700 reais (setembro/2009)
Qquilometragem total: 60 023 km – 35 656 km (59,4%) rodoviário e 24 367 km (40,6%) urbano
Consumo total: 4 910,33 litros de gasolina (12 045,21 reais)
Consumo médio: 12,2 km/l
Custo por 1 000 km: 79,52 reais (0,079 real por km, já somados os valores de revisões e trocas de óleo)

REVISÕES:
15 000 km
– 790 reais (Europamotors/SP);
30 000 km
– 1 690 reais (Europamotors/SP);
45 000 km
- 834 reais (Itatiaia/SP);
quatro trocas de óleo entre as revisões - 1 459 reais


PRÓS
Conjunto mecânico O motor de três cilindros turbo é o destaque positivo do Fortwo. pena que o câmbio automatizado mate boa parte da esportividade com trocas de marcha extremamente demoradas. Ainda assim, o ágil smart sempre foi o carro da frota de Longa Duração mais requisitado pela equipe para missões rápidas na cidade.

CONTRAS
Rede autorizada em são paulo, a rede smart se resume a apenas duas concessionárias. O problema é que, além de pequena, ela se mostrou despreparada para atender os donos de smart. correções solicitadas e não realizadas a contento, orçamentos astronômicos e serviços mal executados acompanharam nosso smart do início ao fim do teste.


HISTÓRICO

8 591 km- para-brisa trincado por uma pedra
18 347 km – Lâmpada do farol queimada
20 829 km – Roda danificada em buraco
21 543 km – Luz de injeção acendendo no painel
24 719 km – Bolha na lateral do pneu
26 184 km – Lâmpada do farol queimada
26 721 km – Farol com projetor interno solto
39 257 km – Luz de injeção acendendo no painel
41 800 km – Ar-condicionado perde o gás refrigerante
43 630 km – Ar-condicionado com resistência defeituosa


CHECK-UP

Quilometragem / 1 073 km / 60 003 km / Diferença entre os testes (%)

0 a 100 km/h (s) 11,4 / 11,8 / 3,5
0 a 1 000 m (s) 33,5 / 33,9 / 1,2
D 40 a 80 km/h (s) 5,2 / 5,4 / 3,8
D 60 a 100 km/h (s) 6,4 / 6,7 / 4,7
D 80 a 120 km/h (s) 9,2 / 9,3 / 1,1
Frenagem 60 km/h a 0 (m) 14,5 / 14,6 / 0,7
Frenagem 80 km/h a 0 (m) 25,3 / 25,9 / 2,4
Frenagem 120 km/h a 0 (m) 57,6 /58,5 /  1,6
Consumo urbano (km/l) 13,5 / 14,1 / 4,4
Consumo rodoviário (km/l) 16,3 / 17,8 / 9,2
Ruído interno PM (dBA) 46,9 / 47,6 / 1,5
Ruído interno RPM máx. (dBA) 71,5 / 70,3 / 1,7
Ruído interno 80 km/h (dBA) 61,1 / 63,2 / 3,4
Ruído interno 120 km/h (dBA) 68,3 / 70,1 / 2,6


FICHA TÉCNICA

Motor:traseiro, transversal, 3 cilindros, 12v, turbo
Cilindrada: 999 cm³
Diâmetro x curso: 72 x 81,8 mm
Taxa de compressão: 10:1
Potência: 84 cv
Torque: 12,2 mkgf
Câmbio: automatizado, 5 marchas, tração traseira
Dimenssões: comprimento, 270 cm; largura, 156 cm; altura, 154 cm; entre-eixos, 187 cm
Peso: 770 kg
Peso/potência: 9,2 kg/cv
Peso/torque: 63,1 kg/mkgf
Porta-malas/caçamba: 220 litros
Tanque: 38 litros
Suspensão dianteira: independente, Mcpherson
Suspensão traseira: barra de torção
Freios: disco ventilado (diant.), tambor (tras.)
Direção: elétrica
Pneus: 155/60 R15 (diant.) / 175/55 R15
Equipamentos: ar-condicionado, direção elétrica, trio elétrico, ABs, esp, airbag duplo, rádio com cD e Mp3, rodas de liga leve, faróis de neblina


VEREDICTO

O ForTwo está aprovado: o motor é valente; o câmbio, apesar de lento, é confiável; o sistema de direção é rápido e robusto e até a suspensão, sempre tão criticada pela dureza, se mostrou adequada para garantir segurança de rodagem. À rede, faltou qualidade.

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Desmonte do Smart ForTwo

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A próxima edição de QUATRO RODAS vai trazer a reportagem completa com o desmonte do smart ForTwo. Enquanto isso, confira o vídeo produzido por Marcos Camargo, que mostra como foi o processo.

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Exame demissional

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60023 km

“O carrinho é duro demais, mas vou sentir saudade dele.” Foi com essa frase que nosso auxiliar de testes, Jorge Luiz Alves, recebeu o Smart na pista de Limeira para a realização da última avaliação antes de o carro ser encaminhado para o desmonte. De fato, o comportamento nervoso e a agilidade em meio ao trânsito urbano fizeram do Smart o carro preferido para quem precisava sair da redação para um serviço externo rápido. Mas também é verdade que, do primeiro ao último dia em que esteve entre nós, o pequenino recebeu pesadas críticas sobre a dureza excessiva da suspensão.

Confrontados os números do teste inicial com os do final, poucas surpresas – e suspeitas. A boa notícia veio da melhora do consumo de combustível. Na cidade, passou de 13,5 para 14,1 km/l e, na estrada, de 16,3 para 17,8 km/l. Ele também ficou mais “econômico” nas provas de desempenho.

Na aceleração de 0 a 100 km/h, os números pioraram de 11,4 para 11,8 segundos. As provas de retomada de velocidade (40 a 80 km/h, 60 a 100 km/h e 80 a 120 km/h, sempre com o câmbio no modo automático) comprovam a perda da vitalidade: respectivamente, registrou no teste inicial 5,2, 6,4 e 9,2 segundos, contra 5,4, 6,7 e 9,3 segundos anotados na prova final. O único “mistério” ocorreu nas passagens de frenagem. Apesar de ter apontado números bastante próximos nas provas que iam de 60 e 80 km/h à imobilidade (14,5/14,6 metros e 25,3/25,9 metros), a tomada de 120 km/h a 0 foi discrepante, com 57,6/61,5 metros. Como a frenagem mais longa submete o sistema de freios a elevadas temperaturas por um período maior de tempo, pode ser que haja algo de errado nos discos ou, mais provavelmente, desgaste irregular das pastilhas. Mas isso é assunto para o capítulo final, o desmonte.

Consumo:

No mês (37,6% na cidade): Gasolina – 11,5 km/l

Desde set/09 (40,6% na cidade): Gasolina – 12,2 km/l

Porta-trecos na tampa do porta-malas: objetos soltos nele sempre foram sinônimo de barulho (esq.). Porta-objetos ineficiente: raso, instável, pequeno e mal localizado. Que falta faz um console central (dir.).

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Bem me quer, mal me quer

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59446 km

O ForTwo toca seus últimos acordes no Longa Duração. Como de costume, fomos aferir sua popularidade (e cotação) no mercado. Visitamos três estabelecimentos – um showroom de novos, uma autorizada Mercedes-Benz e uma loja particular. A sinceridade da vendedora do showroom Vila Nova, em São Paulo, foi desconcertante: “Não temos interesse nenhum na compra. Agora, se você oferecer seu carro numa troca, posso pagar entre 30 000 e 35 000 reais”. Mas ela também jogou aberto: “Aconselho vender para particular. Pode demorar um pouco, mas acho que você pega até uns 40 000 reais”. Saímos de lá e fomos direto para a concessionária Mercedes-Benz Itatiaia. “Você está com sorte, pois tenho um comprador em vista para esse carro. Pago 45 000 reais”, disse Ricardo Fanin, gerente de vendas. Para encerrar as tentativas, passamos também na Hannover Veículos, uma loja multimarcas de importados seminovos. Rennan Garcia, o vendedor, mostrou tanto entusiasmo na compra do nosso Smart quanto a vendedora do showroom Vila Nova, ou seja, quase nenhum. “Se você quiser, tenho um Smart igual ao seu, 2009, porém com apenas 2 700 km rodados. Você dá o seu e me volta outros 7 000 reais.”

Aos 58 700 km, notamos que os pneus traseiros estavam com desgaste acentuado. “Qualquer poça d’água faz o controle de estabilidade atuar, indicando que a traseira perdeu contato com o asfalto”, disse Juliano Barata, assistente de fotografia. Na paulistana Pneus Albuquerque, conseguimos um par traseiro por 900 reais, preço mais em conta que os 2 000 reais cobrados pela concessionária carioca Ago e os 1400 reais pedidos pela Europa Motors, de São Paulo. Feita a troca, nosso ForTwo perdeu o medo da chuva e ganhou maciez de rodagem.

Aos 59 600 km, a luz da injeção acendeu no painel e lá fomos nós para a Europa Motors. Parte da mangueira de captação de ar entre a caixa do filtro e a boca do turbo havia se deslocado. O conserto foi feito em garantia e o Smart rumou para Limeira para seu último teste antes do desmonte. Pela inquietação e conversas dos funcionários da autorizada, ficou claro que nosso Smart era chamado de “O carro da QUATRO RODAS”. Estaríamos, então, sujeitos aos benefícios de cuidados especiais? Difícil: aproveitamos o pit stop e levamos para a Europa Motors uma notificação de infração de trânsito (dirigir falando ao celular) registrada no período em que nosso Smart passou por lá para fazer a substituição do para-brisa trincado, em janeiro. A gerência informou que assumiria os pontos e arcaria com o pagamento da multa.

Consumo:

No mês (23,3% na cidade): Gasolina – 13,7 km/l

Desde set/09 (40,6% na cidade): Gasolina – 12,2 km/l

Principais ocorrências

59600 km: tubo de alimentação de ar do turbo se soltou, acendendo a luz de injeção no painel

Porta-malas é minúsculo, mas a cobertura removível garante certa versatilidade (esq.). Na reta final, um pit-stop para troca dos pneus traseiros, que já assustavam na água (dir.).

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Smart ForTwo

Pedrada no bolso

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54049 km

Nosso assistente Eduardo Campilongo foi curtir as férias de fim de ano no Rio de Janeiro. O hodômetro se aproximava dos 52 500 km, quilometragem prevista para a última troca de óleo antes do desmonte. Agendamos o serviço na Smart Barra, a única concessionária no Rio de Janeiro. A rede Smart é tão minúscula quanto o carro – além da autorizada do Rio, há duas em São Paulo, e uma no Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Santa Catarina.

Pagamos 544 reais pela manutenção, que incluiu 4 litros de lubrificante, filtro de óleo e mão de obra. Na edição de setembro de 2009, fizemos o mesmo serviço por 315 reais, em São Paulo.

Na viagem de retorno, uma pedra atingiu o parabrisa, fazendo surgir, de imediato, uma grande trinca em direção ao centro. O técnico da Carglass, empresa especializada na reparação de para-brisas deu a sentença em segundos: “Foi muito perto da borda, não dá para consertar”. E ficou claro que a pedrada dói mais nos donos de Smart que moram no Rio. Em São Paulo, houve variação de preço entre as duas concessionárias. A troca (com peça e mão de obra) foi cotada em 1 503 reais na Europa Motors e 1 700 reais na Itatiaia. No Rio, na mesma autorizada que fez a troca de óleo, o orçamento foi de 2 558 reais – uma diferença de até 70% na comparação com São Paulo. A Mercedes, dona da Smart, reconhece que suas oficinas têm autonomia para praticar preços diferentes entre si. Mas uma fonte ligada à marca alemã revela: “Os casos de cobrança de preços abusivos estão ficando recorrentes. Em breve, a Mercedes precisará interceder para preservar a imagem da Smart”. A maior variação detectada foi na mão de obra. Para trocar o para-brisa, a Smart Barra cobrou 358 reais, contra 160 reais da Europa Motors, uma diferença de 123,8%.

Consumo:

No mês (30,8% na cidade): Gasolina – 13,2 km/l

Desde set/09 (42,4% na cidade): 12,1 km/l

Principais ocorrências:

53345 km: uma pedra atingiu o canto do para-brisa

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Smart ForTwo

Profundidade superficial

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49588 km

No nosso Smart de Longa Duração, não tem escapatória. Basta o asfalto ter uma emenda, daquelas que um carro comum mal acusa, ou a tampa de um bueiro pouco mais alta que o piso, e lá vem aquela batida seca que dói no coração. A impressão é de que o carro vai desmontar. No mais das vezes, é apenas susto, causado pelo curso da suspensão do ForTwo, necessariamente curto por uma questão de estabilidade. Já em um buraco maior pode haver danos à roda, como já nos aconteceu, ou mesmo à suspensão, que fica desalinhada.

Até o momento, e já estamos bem avançados em nosso teste, sempre foi possível realinhar o carro. Em outras palavras, os eventuais danos que o piso efetivamente causou ao urbaninho foram todos passíveis de conserto, por mais severos que parecessem pela percussão na cabine.

Se o ForTwo esperneia com um tapinha leve ou se nosso piso é tão torturante quanto as reações do Smart permitem supor, é algo que por ora não teremos como responder. No entanto, a hora do desmonte se aproxima, quando será possível responder sobre a profundidade dos danos causados pelas irregularidades superficiais.

Consumo:

No mês (36% na cidade): Gasolina – 11,6 km/l

Desde set/09 (43,4% na cidade): Gasolina – 12 km/l

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Smart ForTwo

Maturidade do pequeno

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46063 km

A mascote da frota de Longa Duração passou por sua última revisão antes do desmonte, a de 45 000 km. Menos mal, pois, por um descuido nosso, sua placa saiu publicada na edição anterior, depois de ele ter passado pela concessionária. Antes do juízo final, a menos que ocorra algum imprevisto, há apenas um pit stop rápido para troca de óleo e filtro, aos 52 500 km. Assim como o Uno, as revisões do ForTwo ocorrem a cada 15 000 km, com uma substituição de lubrificante entre elas. Ou seja, a cada 7 500 km, o motor 1.0 turbo de três-cilindros ganha sangue novo. No pequenino Smart, porém, o serviço e o óleo são mais caros: média de 300 reais, o dobro do que é cobrado pela rede Fiat – a especificação do óleo do Smart, sintético, é mais “nobre”.

Por ocasião da revisão, aproveitamos a estada na concessionária Smart Center para pedir uma nova verificação do sistema de ar-condicionado, que, de novo, passou a funcionar com baixa capacidade de resfriamento. Na edição passada, relatamos que o gás do sistema havia, misteriosamente, sumido. De novo, verificaram mangueiras, tubos e conexões atrás de vazamentos. Nada: o problema, dessa vez, estava numa resistência do controle de temperatura, queimada. “Será substituída em garantia”, apressou- se em dizer o consultor que nos atendeu. Mas, contrariando o que foi informado pela mesma concessionária um mês atrás, sinalizou como necessária a troca do filtro do ar-condicionado, por salgados 203 reais. Os demais itens substituídos comprovam que manter um ForTwo não é nada barato. Acompanhe: foram 4 litros de óleo (180 reais), filtro de óleo (80 reais), filtro de ar (97 reais) e um simples anel de vedação da saída de escoamento do cárter (11 reais). A conta, por favor! Foram 571 reais de peças mais 263 reais de mão de obra – total 834 reais.

Consumo:

No mês (38% na cidade): Gasolina – 11,5 km/l

Desde set/09 (44% na cidade): Gasolina – 12 km/l

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Smart ForTwo

Efeito estufa

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43609 km

Após um alinhamento caprichado, o cosmopolita Smart Fortwo caiu na estrada, contrariando seus hábitos urbanos. Enquanto a paisagem passava lá fora, o clima mudava lá dentro. Uma hora estava frio; na outra, quente. A instabilidade meteorológica tinha explicação: a pressão do gás do ar-condicionado estava baixa, problema detectado em uma visita à autorizada Smart Center Jardins, que, apesar do nome, fica em Barueri (SP). Sistemas de ar-condicionado não costumam perder gás a não ser que tenham problemas em válvulas, compressor ou mangueiras. Nada disso foi detectado pela revenda, mas o conserto foi feito em garantia. Também descobriram que a bateria estava com vazamento, um problema que, mais cedo ou mais tarde, poderia ter nos deixado na mão. O único gasto que teríamos seria a troca do filtro de ar-condicionado, mas isso não foi considerado necessário. Vamos continuar observando o clima interno do Smart.

Consumo

No mês (25,3% na cidade): Gasolina – 13,3 km/l

Desde set/09 (44,3% na cidade): Gasolina – 12,1 km/l

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Smart ForTwo

Divergência na convergência

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41630 km

Foi o editor Péricles Malheiros quem deu o alarme. Depois que voltou da Europamotors, onde ele ficou internado por uma queima de sensor de massa de ar, o Smart veio com a lateral traseira esquerda marcada na parte de plástico, como se alguém tivesse tentado arrancá-la com uma chave de fenda. E o pneu dianteiro direito estava bastante comprometido no lado interno, o que aponta claramente para algum problema de cambagem. Foi em busca da solução que notamos que o menor dos nossos carros estava desalinhado. Não deveria, uma vez que fizemos alinhamento com 21 657, 27 000 e 30 000 km, na Europamotors. Na Quadrelli, foram diagnosticados problemas na cambagem e na convergência do carro.

Antes de sanar essa falha, precisamos trocar o pneu dianteiro direito, cujos gomos internos já estavam abaixo do limite. O dianteiro esquerdo ainda está praticamente novo, depois que uma emenda de ponte causou uma bolha no pneu anterior, exigindo sua substituição. As dificuldades que enfrentamos foram quase as mesmas da troca anterior. Consultadas, nenhuma das concessionárias vende os pneus: elas os encomendam de lojas como a Colonial, indicada por uma das revendas, que cobra 660 reais a unidade. Como o pneu é Bridgestone, fomos direto à fonte e a suas lojas autorizadas. Descobrimos que a Pneus Albuquerque, em Pinheiros, vendia o mesmo pneu por 490 reais, valor que incluía a montagem.

Terminada a troca, levamos o carro à Europamotors para alinhar e verificar as marcas na parte plástica da carroceria. Sobre estas, a revenda disse que não se responsabilizava. Já o alinhamento vem de outra empresa, a TAG Pneus.

Com o carro alinhado “pela concessionária”, seguimos com todo o cuidado do mundo até a Quadrelli. Sem surpresa, constatamos que o problema de alinhamento continuava. Pedimos a correção. O assistente Eduardo Campilongo, ao trazer o ForTwo de volta, disse que se tratava quase de um novo carro, elogio reproduzido por todos que andaram nele até o fechamento desta edição. Tomara que os pneus parem de dar trabalho.

De grau em grau

Houve um tempo em que os manuais dos carros traziam os dados de geometria de suspensão. Isso ajudava quem queria um alinhamento correto. Entre os importados, como o Smart, esse velho costume poderia ser retomado. Enquanto isso não acontece, veja abaixo os valores de alinhamento do ForTwo:


Consumo

No mês (81% na cidade): Gasolina – 10,8 km/l

Desde set/09 (45,2% na cidade): Gasolina – 12 km/l

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Smart ForTwo

Injeção de novo?

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39997 km

Você que acompanha nossos carros de Longa Duração todo mês não vai se surpreender com o que vem a seguir: a luz da injeção do ForTwo acendeu novamente. Surpreendente mesmo é o tempo que uma peça aparentemente simples levou para ser substituída. Vamos aos fatos.

Aproveitamos o defeito para testar o SmartMove Assistance, serviço de assistência 24 horas da marca. Para isso, escolhemos uma rua perto de uma movimentada avenida de São Paulo, a Francisco Morato. Ligamos para o 0800 e relatamos que a luz de injeção havia acendido e que estávamos com receio de rodar até a concessionária. A atendente nos perguntou se isso já havia acontecido antes. Depois de afirmarmos não ser aquela a primeira vez, a moça nos recomendou que esperássemos uma plataforma, que levaria o carro até a oficina mais próxima. No caso, de novo a Europamotors. O tempo que ela levaria para chegar foi estimado em cerca de uma hora. Trinta minutos depois do prazo, ligamos novamente e voltamos a questionar se não seria melhor ir dirigindo. Fomos informados de que a plataforma já estava na região. Ela demorou mais 20 minutos para recolher o carro e levá-lo à oficina.

Chegando à Europamotors, esperávamos que o procedimento fosse semelhante aos anteriores: um “reset” da central eletrônica, para apagar o registro de erro, seguido da recomendação para mudarmos a gasolina. Não foi. Desta vez o diagnóstico foi de queima do sensor de pressão do turbo, também chamado de MAP, que precisaria ser substituído. A complexidade do conserto (quase como trocar uma lâmpada) foi inversamente proporcional ao tempo que a peça levou para chegar à concessionária. Menos mal, o conserto foi feito em garantia. Ficamos 14 dias com o carro parado. Quando ele voltou para nossas mãos, uma surpresa desagradável: na parte traseira esquerda, o painel de plástico estava marcado, como se tivessem tentado retirar a peça com uma chave de fenda. Questionada, a concessionária não soube explicar o que havia acontecido, mas se dispôs prontamente a solucionar o caso. Ficamos de ver isso no mês que vem.

Resultado da longa internação, o Smart rodou apenas 740 km este mês, um provável recorde negativo na história do Longa Duração. Não estranhe se sua conta não bater. Erramos ao dizer que o ForTwo havia rodado 37 611 km em setembro. Esse era o número de agosto. Em setembro, ele já havia percorrido 39 257 km.

Consumo

No mês (76,6% na cidade): Gasolina – 11,7 km/l

Desde set/09 (43,7% na cidade): Gasolina – 12,1 km/l

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