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Por Péricles Malheiros | Fotos: Sérgio Chvaicer e Silvio Gioia
Compramos o Agile em novembro de 2009. “A previsão é que ele chegue em dezembro”, disse o vendedor da concessionária Carrera, onde adquirimos o carro. Mas o Agile só chegou bem depois, em fevereiro — de acordo com a fábrica, o atraso ocorreu por causa de uma adequação da linha de montagem das unidades com ABS e airbag duplo em Rosário, na Argentina.
Em março de 2010, começava a marcha do Agile no Longa Duração. Sem grandes problemas, ele cumpre sua missão e passa pelo desmonte aprovado. Mas poderia ter se saído ainda melhor.
Antes de iniciar as medições, nosso consultor técnico e responsável pelo desmonte dos carros de Longa Duração, Fábio Fukuda, rodou cerca de 100 km com o Agile. “Queria sentir o carro antes de iniciar a desmontagem. Isso sempre rende boas pistas sobre os pontos críticos”, disse. A característica mais notada por Fukuda foi a mesma apontada pela maior parte dos 44 motoristas que se revezaram ao volante do Agile: a trepidação excessiva nas arrancadas.
Esse mal foi apontado pela primeira vez pelo editor Paulo Campo Grande aos 34 475 km e continuou até o fim da jornada, mesmo tendo sido reportado nas cinco paradas posteriores – duas para revisões programadas e três para troca de óleo. Na revisão de 50 000 km, o consultor da concessionária Adara, de Campinas (SP), sugeriu a troca do kit de embreagem. Como o técnico não garantia o fim do problema, não autorizamos o serviço. Sábia decisão. No desmonte, Fukuda detectou que a embreagem ainda estava vendendo saúde: “Pelo bom estado dos componentes, dá para afirmar que aguentaria pelo menos mais 10 000 km”, diz. A grande questão permanecia: qual era, afinal, a origem da trepidação?
Fim do mistério
A resposta veio antes que a primeira ferramenta tocasse o carro. Fukuda notou que o coxim usado para fixar o motor na longarina direita estava com a borracha rompida. “Considero essa uma falha grave. Não compromete a segurança, mas dar uma olhada nos coxins era uma das primeiras providências a serem tomadas”, diz Fukuda. “Se tudo estiver bem, aí sim dá para cogitar a embreagem como culpada”, afirma.
O desmonte comprovou dois deslizes apontados por QUATRO RODAS em outubro de 2009, no lançamento do Agile. A linha de escapamento apresenta chapa defletora de calor apenas no túnel central. Abaixo do porta-malas, ao lado da cuba do estepe, a ausência da placa metálica permite que o calor do abafador traseiro invada o compartimento de bagagens. O outro ponto crítico é a mangueira de drenagem do ar-condicionado. Fixada a um tubo junto aos pés do passageiro dianteiro, fica sujeita a esbarrões acidentais. Deslocada, ela deixou a água vazar para baixo do carpete – ao se remover a forração, foram encontrados sinais de infiltração no local.
A desmontagem completa do motor revelou alguns problemas. Nada alarmante, por enquanto, mas poderiam se agravar com o passar do tempo e dos quilômetros. Com abertura acima ou no limite do tolerado, os anéis não permitiam que os pistões gerassem a compressão nominal (entre 240 e 280 psi). A situação se mostrou mais grave nos cilindros 1 e 2, onde a pressão de compressão média (são realizadas três medições) foi de, respectivamente, 225 e 223,33 psi. Os cilindros 3 e 4 também trabalhavam sem a compressão adequada: 235 e 236,66 psi. O principal reflexo dessa desconformidade foi notado nas válvulas de admissão: as dos cilindros 1 e 2, não por acaso, mostravam acúmulo mais severo de carvão. “Como a pressão vaza pelo anel, o pistão não comprime a mistura adequadamente e a temperatura da câmara fica abaixo do ideal. Some a isso a invasão de lubrificante e temos a explicação para o excesso de material depositado na base das válvulas”, diz Fukuda. A pressão de óleo e a de combustível estavam dentro do nominal, assim como o virabrequim e a conicidade dos cilindros – a GM não divulga os números tolerados para essas análises.
A marca também faz suspense sobre as medidas nominais dos componentes do freio – espessura mínima de disco e diâmetro máximo de tambor. Ainda assim, nosso consultor deu um jeito: “Essas especificações são impressas nas próprias peças, mas só são visíveis quando novas. Fui até uma concessionária, pedi as peças e anotei os dados”. Todas as medidas estavam dentro dos limites.
Câmbio, suspensão e direção, todos em perfeito estado, arrancaram elogios de Fukuda. A aplicação de uma pesada camada de feltro na região do painel afastou os barulhos daquela região. As travas das peças plásticas, apesar de íntegras, não impediram as reclamações sobre ruídos de acabamento, principalmente na traseira. Conectores, terminais e plugues também atravessaram os 60 000 km intactos.
Assim como o Ka de Longa Duração, desmontado em junho de 2010, o reservatório de expansão do radiador teve as paredes escurecidas pela ferrugem. De acordo com uma fonte ligada à área técnica da Behr, fornecedora do sistema de arrefecimento do Agile, “a ferrugem só se forma quando se erra na proporção de aditivo na água, ou no próprio aditivo. A corrosão atinge motores com bloco de ferro fundido, não o radiador, feito de material que não enferruja”. No plano de manutenção, indica-se a troca do líquido de arrefecimento a cada 150 000 km ou cinco anos.
Além de ignorar nossos apontamentos de problemas de trepidação e não atentar para a necessidade de troca antecipada do líquido de arrefecimento, a rede chegou a cobrar por componentes não substituídos. Na revisão dos 50 000 km pagamos pela troca do filtro de cabine e, segundo Fukuda, ela não aconteceu: “Pelo estado deplorável da peça, dá para concluir que ela está lá desde muito antes de março, quando o carro passou pela última revisão”. Derrapadas da rede à parte, o Agile foi bem ao longo de toda sua trajetória ao nosso lado e sai aprovado do exame final.
APROVADO
Paradas de sucesso
Os ensaios de pista confirmam as medições na oficina: o Agile melhorou em todas as provas de frenagem entre o primeiro e o último teste.
Dentes perfeitos
Luvas de engate, anéis sincronizadores, engrenagens: aos 60 000 km, o câmbio do Agile está em perfeito estado.
Meia vida
Se dependesse da rede autorizada, a embreagem teria sido substituída à toa: o desmonte revelou que o conjunto ainda estava bom.
Barreira de som
O isolamento acústico é caprichado atrás do painel: uma generosa camada de feltro afasta os ruídos do motor.
REPROVADO
O grande culpado
A parte de borracha é o elemento elástico do coxim. O do Agile estava rompido e era o responsável pela trepidação nas arrancadas. Nenhuma concessionária notou o defeito.
ATENÇÃO
Carvão na base
Diferentemente das válvulas de escape, as de admissão terminaram o teste com acúmulo severo de carvão. Culpa da má vedação dos anéis dos pistões.
Folgado
Com folga excessiva, os anéis impediram os pistões de comprimir adequadamente a mistura ar-combustível. A troca dos anéis pede uma retífica geral do motor, um serviço de cerca de 4 000 reais.
Pleastico enferrujado
Tanque de expansão do sistema de arrefecimento: paredes escurecidas pela ferrugem. A substituição do líquido é indicada a cada 150 000 km.
Para baixo do tapete
Mal encaixada, a mangueira deixava vazar a água do ar-condicionado para o assoalho, conforme denuncia a marca de infiltração no local.
Pintou sujeira
Na última revisão, autorizamos a troca do filtro de cabine. O péssimo estado do componente, porém, indica que o serviço não foi feito.
Chapa quente
Sem placa de alumínio para afastar o calor do sistema de escape, a chapa do assoalho do porta-malas aquecia na região acima do abafador traseiro.
HISTÓRICO
3318 - luz da injeção acende
6712 – Ruídos na suspensão
16172 – Verniz descascado na dianteira, no para-lama direito e no para-choque
25914 - luz da injeção acende
32124 – lâmpada do farol queimada
52666 - porta dianteira direita é atingida por uma moto
PRÓS
Robustez Montado sobre uma plataforma adaptada do classic, o Agile se mostrou apto a enfrentar a dureza de nossas ruas e estradas. Buchas e terminais estavam em perfeito estado, assim como a caixa de direção, sem sinais de folga ou desgaste. câmbio e embreagem também se saíram bem: o desmonte revelou que eles ainda davam conta do recado.
CONTRAS
Rede Os maus serviços prestados foram uma constante na rede chevrolet. uma falha no verniz do para-choque e do para-lama dianteiros surgiu após uma das paradas para manutenção. a concessionária negou ter feito qualquer reparo de pintura. Sem provas, não havia muito a ser feito. Na revisão dos 50000 km, cobraram pelo filtro de cabine, mas não trocaram a peça.
FOLHA CORRIDA
Preço da compra: 40458 reais (novembro/2009)
Qilometragem total: 60915 km – 39767km (65,3%) rodoviário e 21148 km (34,7%) urbano
Consumo total: 7 580 litros de álcool (13 576 reais)
Consumo médio: 8 km/l
REVISÕES:
10000 km – 459 reais (São Paulo-SP);
20000 km - 488 reais (São Paulo-SP);
30000 km – 778 reais (São Bernardo do Campo-SP);
40000 km – 923 reais (São Paulo-SP);
50000 km - 1327 reais (Campinas-SP);
Troca de óleo entre as revisões – seis, totalizando 619 reais
CHECK-UP
QUILOMETRAGEM / 2 428 km (nov 2009) / 60 220 (mar 2010) / Diferença entre os teste (%)
0 a 100 km/h (s) / 12,9 / 12,7 / 1,55
0 a 1 000 m (s) / 34,3 / 34,1 / 0,58
3ª 40 a 80 km/h (s) / 8,6 / 8,2 / 4,65
4ª 60 a 100 km/h (s) / 11,8 / 11,2 / 5,08
5ª 80 a 120 km/h (s) / 18,4 / 17,7 / 3,80
Frenagem 60 km/h a 0 (m) / 16,1 / 14,1 / 12,42
Frenagem 80 km/h a 0 (m) / 28,2 / 25,6 / 9,22
Frenagem 120 km/h a 0 (m) / 65,5 / 57,4 / 12,37
Consumo urbano (km/l) / 7,8 / 7,7 / 1,28
Consumo rodoviário (km/l) / 9,9 / 10,1 / 2,02
Ruído interno PM (dBA) / 46,7 / 47,9 / 2,57
Ruído interno RPM máx. (dBA) / 72,4 / 74,3 / 2,62
Ruído interno 80 km/h (dBA) / 63 / 63,8 / 1,27
Ruído interno 120 km/h (dBA) / 70,3 / 69,5 / 1,14
FICHA TÉCNICA
Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros, 8V, 1 389 cm³
Diâmetro x curso: 77,6 x 73,4 mm
Taxa de compressão: 12,4:1
Potência: 102/97 cv a 6 000 rpm
Torque: 13,5/13,2 mkgf a 3 200 rpm
Câmbio: manual, 5 marchas, tração dianteira
Dimensões: comprimento, 400 cm; largura, 168 cm; altura, 147 cm; entre-eixos, 254 cm
Peso: 1 075 kg
Peso/potência: 10,5/11,1 kg/cv
Peso/torque: 79,6/81,4 kg/mkgf
Volumes: porta-malas, 327 litros; tanque, 54 litros
Suspensão: Dianteira: independente, Mcpherson. Traseira: eixo de torção
Freios: disco ventilado (diant.), tambor (tras.)
Direção: hidráulica
Pneus: 185/60 R15
Principais equipamentos: ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, aBS, airbag duplo, rádio com Bluetooth, rodas de liga leve, faróis de neblina
VEREDICTO
Infelizmente, a desatenção da rede é uma constatação comum nos últimos carros de Longa Duração. Não fosse isso, o Agile sairia como um dos modelos mais íntegros do teste. Câmbio, suspensão, direção e freios surpreenderam pelo bom estado após 60 000 km.
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Confira o vídeo produzido por Marcos Camargo, que mostra como foi o desmonte do Chevrolet Agile. A matéria completa você encontra na edição de setembro de QUATRO RODAS.
Por Péricles Malheiros
59850 km
Hora de fazer as contas. Partimos para as concessionárias e lojas multimarcas para saber exatamente quanto um Agile perde valor em relação ao zero-quilômetro.
Fingindo ser a dona do carro, nossa estagiária Isadora Carvalho iniciou sua missão pelas lojas independentes, todas em São Paulo. Na Marchetto, o vendedor foi direto: “Ofereço 28 000 reais na compra. Se for trocar por um outro modelo nosso, usado ou novo, subo a oferta para 29 000 reais”. Nas demais tentativas, ouvimos propostas semelhantes: 28 500 reais na M6 e na Plaza Motors. A diferença entre elas é que o vendedor da segunda garantiu que poderia subir o valor em 1 000 reais se optássemos por trocar nosso Agile por qualquer outro carro da loja.
Historicamente, as concessionárias avaliam o carro com uma depreciação ainda mais pesada do que as lojas, mas, com o Agile, a história foi diferente. Na Carrera Pinheiros, a média foi mantida. “Ofereceram 28 000 reais na troca. Para a compra, não demonstraram qualquer interesse”, diz Isadora. A grata surpresa surgiu na segunda autorizada visitada, a Nova Nações Unidas. “Fiquei surpresa quando o vendedor avaliou o Agile em 35 000 reais”, diz nossa estagiária. “Sequer atrelaram a proposta à necessidade de comprar um outro carro da loja”, afirma. Em março de 2010, quando incorporamos o Agile LTZ à nossa frota, pagamos por ele 40 458 reais.
Aproveitamos a leve batida na porta dianteira direita para decifrar um antigo dilema: vale a pena consertar o carro antes da venda para tentar pegar um valor mais alto? Definitivamente, a resposta é não – ao menos no caso do Agile. “Temos parceria com oficinas, pois mandamos muito serviço para elas. Todo carro usado tem um detalhe ou outro para consertar. Nesse reparo do Agile, por exemplo, um particular pagaria no mínimo 1 000 reais. Nós, como loja, pagamos metade desse valor”, diz um dos vendedores da Plaza Motors.
Consumo:
No mês (26,5% na cidade): Álcool – 8,7 km/l
Desde mar/10 (34,2% na cidade): Álcool – 8 km/l
Rádio completo, com Bluetooth, USB e entrada auxiliar foi um bom companheiro de viagem (esq.); Já a tampa traseira, que só abre com a chave, foi a campeã no ranking de reclamações (dir.)

Por Péricles Malheiros
59035 km
Primeiro, queimou a lâmpada do farol baixo do lado direito, aos 58 429 km. Depois, aos 58 610 km, foi a vez da lâmpada do farol de neblina. Ficamos preocupados com que algo mais grave estivesse acontecendo e pedimos à autorizada uma verificação do sistema elétrico.
Dessa vez, decidimos averiguar a qualidade dos serviços de uma concessionária do interior de São Paulo, a Automec, de Indaiatuba, a 110 km da capital. Deixamos o carro explicando apenas que as lâmpadas haviam queimado quase que simultaneamente e tínhamos medo de um curto-circuito. O consultor nos tranquilizou dizendo que faria um exame minucioso e que, por via das dúvidas, faria uma varredura eletrônica com o scanner. “Se tiver algo errado, vamos descobrir e reparar”, disse o consultor. Após 45 minutos, o carro foi liberado com as lâmpadas substituídas. “Pode ficar tranquilo, escaneamos o seu carro e está tudo bem com ele. A queima das duas lâmpadas quase ao mesmo tempo foi só uma coincidência”, afirmou o consultor, apresentando uma conta de 86 reais – 48 reais pela lâmpada do farol baixo, 21 pela do farol de neblina e 17 da mão de obra.
Além da viagem pelo interior paulista, o Agile deu uma passadinha no litoral. Nas mãos do fotógrafo Renato Pizzutto, o hatch passeou pelas praias de Ubatuba. Dessa viagem, o carro voltou com a bagagem e os elogios de Pizzutto: “É a segunda vez que viajo com o Agile. Carrego muitas malas, além de uma prancha de surfe. Como o banco do passageiro dianteiro reclina para a frente, ela viaja dentro do carro”.
Agora o Agile roda seus últimos quilômetros rumo ao desmonte. Ele passará ainda pelo rito de despedida, que inclui a simulação de venda, as últimas impressões do nosso consultor responsável pelo desmonte, Fabio Fukuda, e o teste final, em nosso campo de provas, em Limeira.

Primeiro, ele fechou um olho: aos 58 429 km, a lâmpada do farol baixo do lado direito queimou; depois, foi a vez de o farol de neblina se apagar, aos 58 610 km
Por Péricles Malheiros
55000 km
As revisões do Agile acontecem a cada 10000 km e, entre elas, há a necessidade de uma parada rápida para troca de óleo do motor. Assim, aos 55000 km, nosso Agile encostou na concessionária paulistana Nova Tatuapé para sua última parada antes do desmonte. Felizmente, a “saideira” rendeu uma grata surpresa. “Apesar de se tratar de uma simples troca de óleo, o serviço foi impecável. Enquanto o óleo era escoado do cárter, o consultor fez uma verificação geral do nível dos fluidos, estado das palhetas limpadoras e funcionamento das luzes internas e externas. Foi, de longe, o atendimento mais cuidadoso dispensado ao Agile até hoje”, diz Eduardo Campilongo, nosso assistente de testes, que já está acostumado a levar os carros de Longa Duração para as revisões. Quatro litros de lubrificante, filtro e anel de vedação renderam uma conta de 131,30 reais. Outro fato inédito: esta foi a única ocasião em que uma concessionária entregou o óleo não utilizado.
Na edição passada, reportamos um pequeno acidente de percurso: um motoqueiro distraído bateu na porta dianteira direita do carro. Fizemos dois orçamentos iniciais (um de 1817 e outro de 1531 reais), além de um terceiro, logo após o fechamento da edição, de 1298 reais. Na média, o preço cobrado pelas concessionárias é bastante próximo ao valor da franquia do seguro, 1663 reais. Também levamos o carro até o Cesvi, para que os técnicos pudessem avaliar os serviços sugeridos nos três orçamentos. No geral, nenhum problema grave. “Os orçamentos poderiam ser um pouco reduzidos se as concessionárias reaproveitassem alguns emblemas e frisos, em vez de simplesmente substituí-los”, diz Eduardo Fernandes, chefe de oficina do Cesvi.
Como a hora da simulação de venda se aproxima, aproveitaremos a oportunidade para aferir o que dizem os lojistas sobre esse tipo de reparo: vale a pena ou não consertar uma batida de um carro que se pretende vender?
Consumo:
No mês (53,6% na cidade): Álcool – 7,6 km/l
Desde mar/10 (35,3% na cidade): Álcool – 8 km/l
Principais ocorrências:
52.666 km – porta dianteira direita é atingida por uma moto
Ao rodar sobre pisos irregulares, batentes do porta-malas começam a apresentar rangidos (esq.); O fechamentod as portas é facilitado com a abertura automática de uma fresta na janela (dir.).
53007 km
O Agile treme todo a menos que você saia “queimando embreagem” – ou seja, mantenha o giro em cerca de 2 500 rpm enquanto o carro ganha movimento. Neste mês, consultamos três concessionárias paulistanas. Todas consideraram a tremedeira uma característica normal do Chevrolet.
A primeira visitada foi a Nova. Após uma volta com o carro, o consultor disse: “Eu também senti a trepidação, mas todo Agile com essa quilometragem é assim. A embreagem está com meia vida e não está patinando”. Na Carrera Ceasa, o técnico se apressou em dizer: “Não preciso nem andar”. Puxou o freio de mão e tentou sair com o carro. “Se a embreagem estivesse ruim, ela patinaria, e o carro não teria arrastado as rodas traseiras. Essa trepidação é normal”, disse. Na terceira autorizada, a Carrera Eliseu de Almeida, o consultor sequer entrou no carro: “Preciso desmontar tudo, mas esse orçamento é cobrado”. “E se não estiver?”, perguntamos. “É cobrado do mesmo jeito.”
Houve, no entanto, um discurso comum entre as três oficinas consultadas. segundo elas, a única maneira de minimizar a trepidação é manter a rotação do motor elevada enquanto o carro sai da inércia. Lembra aquela senhorinha com dificuldade de sincronizar a operação dos pedais da embreagem e do acelerador? Pois bem, ela se daria bem com o Agile.
Neste mês tivemos ainda um pequeno susto. O Agile estava parado no trânsito quando foi abalroado por uma moto. “O fluxo no corredor formado entre os carros parou de repente e um motociclista não conseguiu frear. Ele atingiu, ao mesmo tempo, a moto da frente e a lateral direita do Agile. Sorte que ninguém se machucou”, diz Ismael Baubeta, da equipe de QUATRO RODAS MOTO. Aproveitamos a apuração sobre a embreagem e solicitamos às duas concessionárias Carrera um orçamento para o conserto da batida. Resultado: 1817 reais na unidade Ceasa e 1531 na Eliseu de Almeida, um “desconto” de 15,7%.
Consumo:
No mês (55,9% na cidade): Álcool – 8,2 km/l
Desde mar/10 (34,4% na cidade): Álcool – 8 km/l

A guarnição superior da canaleta da porta do motorista se deslocou com o movimento do vidro (esq.). A porta foi atingida por uma moto. Os primeiros orçamentos ficaram entre 1531 e 1817 reais (dir.).
49921 km
Nosso Agile rodou apenas 1437 km nesse último mês. O tiro curto, no entanto, foi suficiente para levar o hatch até sua última revisão (dos 50 000 km) antes do desmonte. A parada dessa vez foi na concessionária Adara, de Campinas, no interior de São Paulo, com o hodômetro registrando exatos 49779 km – há uma tolerância de 500 km para mais ou para menos.
O primeiro orçamento, como de praxe, foi motivo de espanto: 2 768 reais. Constava, além da revisão em si – pela qual a Chevrolet recomenda o preço de 788 reais –, troca do kit de embreagem, limpeza do sistema de ar-condicionado com troca do filtro, alinhamento, balanceamento e rodízio e troca das correias dentada e do alternador. Indagamos o consultor que nos atendeu sobre a real necessidade dos serviços recomendados. “Sugerimos a troca da embreagem como tentativa de resolver a trepidação nas arrancadas. Mas não há como garantir que o problema sumirá, pois um volante de motor empenado apresenta as mesmas características de uma embreagem desgastada”, disse.
Diante de tal indefinição, não autorizamos o serviço. O próprio consultor passou a “enxugar” o orçamento: “O filtro do ar precisa ser trocado mesmo, mas você pode dispensar o serviço de higienização”. No fim das contas, autorizamos três serviços extras: alinhamento, balanceamento e rodízio (seguindo recomendação do manual), troca do filtro do ar-condicionado e substituição da correia dentada. O conjunto de serviços previsto na revisão dos 50 000 km, divulgado no site da fábrica, indica apenas a verificação da correia, mas a explicação do consultor foi convincente: “É uma troca preventiva. Seria muito arriscado esperar por sinais visíveis de desgaste para providenciar a substituição”. Uma correia dentada partida pode significar gastos elevados, pois há o risco de empenamento das válvulas.
No fim, pagamos os 788 reais indicados pela GM mais 539 reais pelos demais serviços, totalizando 1 327 reais.
Consumo:
No mês (79,1% na cidade): Álcool – 6,3 km/l
Desde mar/10 (33,1% na cidade): Álcool – 8 km/l

Teclas pequenas dificultam o acionamento da buzina em situações de emergência (esq.). Piloto automático: botões na alavanca são duros e provocam acionamento acidental do farol alto (dir.).
48484 km
Ar, direção, trio elétrico, ABS e airbag dão ao Agile LTZ o status de carro completo. Mas foram os mimos extras que fizeram o hatch ganhar fama (e força) no mercado. O computador de bordo é completo, oferece temperatura externa com precisão de um décimo de grau Celsius e consumo em litros por trecho selecionado.
Uma lida no manual permite ao piloto usufruir mais das modernidades do Agile. O modo noturno do painel desabilita o conta-giros, o indicador do nível de combustível e o termômetro do motor. Função prática? Cansar menos a visão em viagens. Mas é preciso reconhecer que o modo noturno não compromete a segurança. Ele é automaticamente desativado se o combustível descer a um nível muito baixo, se o motor trabalhar em temperatura elevada ou se uma luz de advertência ou de falha se acender. O computador de bordo também dispara avisos de bateria da chave fraca, lâmpada dos piscas queimada e quando o hodômetro “vira” acima de 1 milhão de quilômetros.
Ao mesmo tempo que agrada, o Agile incomoda com seus deslizes típicos de um projeto novo. Quem pega o carro e utiliza o porta-malas reclama do péssimo sistema que obriga a introdução da chave para destravar a tampa após uma tentativa malsucedida de fechamento – e aí as batidas com força exagerada são inevitáveis. O deslize mais grave está na mangueira de drenagem do ar-condicionado. Para conduzir a água para fora do carro, ela se encaixa num orifício de borracha junto aos pés do passageiro dianteiro. Com o entra e sai, ela acaba sendo deslocada. O resultado pode ser observado quando se levanta o tapete: carpete manchado e gotas no verso da borracha.
Em janeiro, a concessionária Anhembi, de São Paulo, garantiu que 3 litros de óleo eram suficientes para o motor nas trocas sem substituição do filtro, contrariando a informação apresentada no manual, de 3,25 litros. Questionada, a GM confirmou que a certa é a que consta no manual e que a concessionária foi alertada sobre o procedimento incorreto.
Consumo:
No mês (40,2% na cidade): Álcool – 8,1 km/l
Desde mar/10 (30,2% na cidade): Álcool – 8 km/l
Não reparamos quando os acabamentos dos parafusos da porta sumiram (esq.). Dreno do ar-condicionado deixa a água vazar para baixo do tapete (centro). Rádio é bastante interativo, com USB e viva-voz Bluetooth (dir.).
46531 km
Às vésperas do Natal, aos 44 862 km, o Agile resolveu iluminar seu painel acendendo a luz do sistema de injeção. Essa é a terceira vez que isso acontece. Nas outras duas ocasiões, as concessionárias conectaram o aparelho de diagnose e se limitaram a informar que se tratava de “algum defeito simples”, que não ocasionou nenhuma falha de funcionamento, mas, por segurança, a central disparava o aviso de necessidade de uma verificação em concessionária. O sistema, então, era “reinicializado”, a luz se apagava e a vida seguia.
Levamos o Agile até a concessionária paulistana Anhembi. Explicamos à recepcionista que o manual pedia verificação imediata caso a luz de injeção se acendesse, mas mesmo assim ela disse que era preciso agendar uma data. O consultor técnico Thiago Fermino, no entanto, concordou com nosso argumento e analisou o carro. Com o scanner conectado à central eletrônica do Agile, localizou o código de erro gerado e constatou se tratar de um aviso disparado pelo sensor de altura do pedal de embreagem. “É um sistema novo, que estreou no Agile. Fiz uma verificação e pareceu estar tudo normal”, disse Fermino.
A informação do consultor da Anhembi foi confirmada por diversas outras concessionárias que ainda reconheceram que tal manifestação é comum nos Agile – o que explicaria a tranquilidade da recepcionista da Anhembi ao pedir para voltarmos depois. Como saber se a luz acesa é algo grave que exija parada imediata? “Se o responsável for o sensor do pedal, o piloto automático deixa de funcionar, pois também trabalha indexado a ele. Mas, se a luz acender e o piloto automático continuar funcionando, é bom parar numa concessionária o quanto antes, pois o problema estará, de fato, no sistema de injeção”, garantiu um consultor que pediu para não ser identificado.
Sobre a quantidade exata de óleo do motor e o vazamento do reservatório do fluido da direção hidráulica, reportados na edição de janeiro, a GM informa que os dois casos continuam em análise e dará uma resposta tão logo seja possível.
Consumo:
No mês (55,4% na cidade): Álcool 5 km/l
Desde mar/10 (31,4% na cidade): Álcool 7,8 km/l
Principais ocorrências
44862 km: luz de injeção acesa
44375 km
O Agile se aproxima dos 50 000 km apresentando pequenos mistérios mecânicos. Depois do reservatório de direção hidráulica que vaza “naturalmente”, segundo as concessionárias, chegou a vez do reservatório de óleo. Segundo o manual do carro, ele comporta exatamente 3,25 litros de lubrificante. Entretanto, com apenas 3 litros, a vareta de verificação do lubrificante já acusa o nível máximo.
Se tivéssemos efetuado a troca em qualquer outro lugar que não uma revenda, teríamos comprado 4 litros e pedido para colocar a quantidade indicada no manual. Só que não efetuamos nenhum serviço recomendado pelo fabricante a não ser em um de seus representantes diretos, os
concessionários. Foi em nossa última troca de óleo, na Anhembi, que recebemos a dica: 3 litros são suficientes para o carro rodar sem susto. Insistimos com o consultor técnico, perguntando se não seria necessário comprar mais 1 litro de óleo para completar com os 250 mililitros a mais especificados no manual, mas ele nos garantiu que não. E mostrou o nível de óleo na marcação mais alta da vareta. Excesso de óleo pode provocar problemas como carbonização dos pistões, perda de rendimento (já que as velas podem ficar impregnadas de lubrificante), vazamentos (pelo excesso de pressão), inutilização do catalisador e diminuição da vida útil do filtro de vapor de óleo.
Questionamos o fabricante a respeito do assunto, assim como a respeito do reservatório de direção hidráulica, mas ainda não obtivemos nenhuma resposta oficial sobre qualquer um dos problemas. Só torcemos para que a marca nos responda antes que surja algum novo mistério mecânico.
Consumo:
No mês (24,5% na cidade): Álcool – 8,8 km/l
Desde mar/10 (36,7% na cidade): Álcool – 8,4 km/l
O mais completo teste de automóvel realizado por uma publicação no Brasil. QUATRO RODAS compra os carros como se fosse um consumidor comum e, depois de rodar por 60 mil quilômetros, desmonta até o último parafuso.