Possuo um Ford Edge 2011, fabricado no Canadá mas exportado para os EUA, onde há opção de combustÃvel E85 (85% de etanol e 15% de gasolina). Posso usar aqui com essa proporção de etanol? – Ciro P. Pereira, por e-mail
Por José D’Elia
Os veÃculos Ford E85 são identificados pelo oitavo dÃgito do VIN (Vehicle Identification Number, popularmente conhecido como número do chassi), de acordo com uma tabela da montadora, além de um decalque especÃfico na tampa do tanque de combustÃvel. O Ford Edge é fabricado exclusivamente em Toronto (Canadá) e não é E85, exceto a versão hÃbrida. Não é recomendável usar misturas de gasolina e álcool além daquelas disponÃveis comercialmente, pois poderá haver deterioração das mangueiras e outros componentes não adequados ao contato com grandes porcentagens de álcool.
Como funciona a dosagem de temperatura nos carros com ar-condicionado automático digital? BrÃgido P. dos Santos, Aparecida de Goiânia (GO)
Por José D’Elia
O sistema de ar-condicionado de um veÃculo é composto, de forma simplificada, de compressor, condensador, evaporador e reguladores de pressão. O ideal é que o evaporador (que retira calor e desumidifica o ar) seja mantido a 0 ºC. Misturando-se o ar frio (que vem do evaporador) com o quente (que vem do ambiente), obtém-se o ar destinado à cabine dentro da temperatura desejada. Não importa se essa mistura é feita por commandos manuais ou eletrônicos/digitais, que estabelecem as quantidades de ar frio e quente que serão misturadas. É assim desde que em 1954 a Nash lançou o sistema com um só controle manual deslizante para ajustar a temperatura. Em 1964, a Cadillac lançou o primeiro sistema eletrônico, chamado Comfort Control.
Empilhadeiras esterçam as rodas traseiras e fazem curvas e manobras com muita facilidade. Por que os carros não fazem o mesmo? Norberto Walter Reinig, São José dos Campos (SP)
Por José D’Elia
O exemplo refere-se a uma máquina de baixa velocidade e com necessidade de se movimentar em espaços exÃguos. Ao esterçar as rodas traseiras, um veÃculo reage com um sobresterçamento severo. Nesse caso, a traseira não contorna a curva, mas é jogada para fora, e a reação intuitiva é girar a direção para fora da curva, como num carro de tração traseira. Assim, há enorme risco de o motorista perder o controle. Pior ainda se tiver de frear na curva, quando o peso seria transferido para a dianteira, fazendo com que as rodas traseiras percam tração. Outro aspecto é o hábito. Motoristas estão acostumados com que a frente do veÃculo faça a curva, não a traseira, o que causaria estranhamento. No entanto, a indústria já teve exemplos de eixo traseiro esterçante. O mais conhecido é o Quadrasteer, criado pela Delphi para picapes e SUVs de grande porte da GM americana a partir da linha 2002. No inÃcio era um opcional de de 5600 dólares (depois caiu para 2000). O sistema consistia de um motor que controlava o ângulo das rodas traseiras em função da velocidade. Abaixo de 80 km/h, virava as rodas de trás (num ângulo de até 12 graus) para o lado oposto ao das dianteiras (como nas empilhadeiras), facilitando uma baliza, por exemplo. Assim, uma GMC Sierra Denali tinha um diâmetro de giro de 11,4 metros, contra 14,1 sem seu uso. Acima de 80 km/h, ele começava a virar as rodas no mesmo sentido das dianteiras, para ajudar a picape a contornar a curva. Infelizmente, o público achou que o recurso não compensava o custo adicional, e ele deixou de ser oferecido na linha 2006.
Qual o melhor pneu no caso de não haver um novo para compra: remold ou recauchutado? – Ivan Salles, Rio Claro (SP)
Por José D’Elia
Caso não esteja disponÃvel um pneu novo, a opção deve ser por um remold. Ele utiliza um pneu usado, porém com sua estrutura já inspecionada, pois ela será raspada de talão a talão, diferentemente dos recauchutados, que são raspados somente na banda de rodagem. A ancoragem da camada restauradora do remold é bem superior. O Inmetro (Instituto
Nacional de Metrologia) exige que os remolds ou recauchutados usem pneus fabricados há no máximo sete anos. Como medida de prudência, não se deve usar integralmente a classificação de velocidade original que consta na carcaça original. Os fabricantes alegam que os pneus para carros de passeio são projetados para apenas uma vida útil com segurança, exceto aqueles para uso comercial, como ônibus e caminhões.
Como funciona o Overbooster? Jheyzon Nascimento Paulino, São José do Rio Preto (SP)
Por José D’Elia
A função Overbooster, como a que é usada no Fiat Bravo T-Jet, atua em três áreas: 1) eleva a pressão de abertura da válvula wastegate e, como consequência, a pressão do turbo – no Bravo T-Jet, a pressão do turbo passa de 0,9 bar para 1,3 bar e o torque sobe de 21 para 23 mkgf; 2) o acelerador eletrônico (by wire) fica mais sensÃvel, gerando maior abertura da borboleta para a mesma posição do pedal; 3) a direção elétrica fica mais pesada, o que favorece uma tocada mais esportiva.
Como, quando, onde e por quê. Confira aqui as dúvidas técnicas respondidas e publicadas nas páginas de QUATRO RODAS