Disputei em dezembro, pela sexta vez, o Desafio das Estrelas em Florianópolis (SC), prova organizada por Felipe Massa e sua família. A ideia é reunir pilotos de diversa categorias, como F-1, F-Indy, Stock Car, Nascar e MotoGP, entre outras. E, para haver uma bela disputa, os karts são os mesmos, equipados com chassi Birel, motores Iame Parilla 125 cc e pneus MG (os de chuva, Bridgestone). Para não haver favorecidos, karts e mecânicos são sorteados.
Justamente pelo equilíbrio, há um dado interessante. Nas vitórias de Felipe Massa em 2006, Michael Schumacher em 2007 e 2009, Rubinho em 2008, Lucas di Grassi em 2010 e Jaime Alguersuari na última edição, não é coincidência todos eles serem pilotos de F-1. Ao volante dos carros mais rápidos das pistas, seus reflexos, a referência de limite e a capacidade de extrair o máximo do equipamento desses pilotos estão em níveis muito elevados.
Para compreender a diferença em relação a outras categorias, como a Stock Car, basta conferir alguns números. A relação peso/potência do F-1 é de 640 kg para 780 cv, ou seja, 0,82 kg para cada cv de potência. Já na Stock Car, a relação se inverte: são aproximadamente 1300 kg para 520 cv (2,5 kg para 1 cv). Enquanto um F-1 tem o centro de gravidade baixo e alta pressão aerodinâmica, num Stock Car a carenagem respeita as semelhanças de um carro de rua (daí o nome de categoria de turismo), o que inviabiliza asas, assoalhos, defletores e difusores de grande eficiência e o centro de gravidade próximo do ideal.
Traduzindo tudo isso para pista, fica ainda mais fácil compreender. Em Interlagos, um F-1 atinge 315 km/h no fim da reta dos boxes e, mesmo assim, o piloto freia apenas a 40 metros da entrada do S do Senna, enquanto o Stock chega a 245 km/h, precisando do dobro da distância na freada do S. E a diferença de velocidade mínima no meio de uma curva de alta, como o Laranjinha, é quase o dobro – um fórmula percorre a mesma a incríveis 240 km/h. Não é difícil entender a grande diferença existente nas referências de limite.
Outra característica exigida na F-1 é a dedicação à parte técnica. Basta reparar no trabalho de cada um em seu próprio equipamento para perceber que os pilotos da categoria máxima são os mais exigentes quanto à montagem de seus karts. Aliás, em minha opinião, Michael Schumacher é de longe o mais dedicado.
Mas você pode estar questionando o fato de pilotos de outras categorias já terem conseguido se impor durante o Desafio das Estrelas. É verdade, eu mesmo fui vice-campeão em 2007 apenas 1 ponto atrás do Schumacher e a Bia Figueiredo venceu uma das baterias em 2010, entre outros destaques. Mas reconheço que meus limites atuais, exigidos na Stock Car, são moderados quando comparados aos limites da F-1. Evidentemente, o nível máximo atingido não é duradouro. O corpo humano não foi projetado para atingir esse nível de forma natural, é necessária a manutenção de tais limites, ou seja, após um ano sem pilotar um F-1, os pilotos “enferrujam” e suas capacidades voltam de modo gradual ao nível de um simples mortal. Schumacher que o diga…
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E é por isso que os pilotos da F-1 que saem da categoria máxima e vão correr na F-Indy geralmente se dão bem, sendo até campeões!
Por isso, caso Rubens Barrichello resolva correr por lá, será campeão, com certeza!
Eu acredito que sim os melhores pilotos estão na formula1. Porem infelizmente a formula1 é feita de politica por isso jamais iremos ver os melhores andando na frente acho até que nunca mais veremos um brasileiro ganhar um titulo
Oi Luciano! Primeiro de tudo, desculpa invadir assim o teu blog! Me chamo Daniela e estou embarcando numa viagem de 3 meses com meu marido, Andy, que comeca em San Diego e termina em Recife. Vamos pegar um carro na California e queriamos saber se a 4 rodas se interessaria em fazer uma materia com a gente sobre o carro e a viagem. Passaremos por 14 paises.
espero que se empolguem sobre a ideia tanto quanto nos! A data de “largada” esta marcada pra 29 de Fevereiro!
Me passa um email!
Ex-piloto de Fórmula 1, atualmente disputa o campeonato brasileiro de Stock Car V8 e escreve todo mês na revista QUATRO RODAS sobre os bastidores da Fórmula 1