Com o sucesso da Red Bull nas duas últimas temporadas, resolvi perguntar a meu expatrão, o tricampeão Jackie Stewart, o que foi necessário para a equipe chegar ao topo da F-1. Afinal, a equipe de Jackie na F-1, a Stewart GP, que competiu de 1997 a 1999, foi vendida para a Jaguar em 2000 e na sequência, no fim de 2004, foi comprada pela RBR, dando a partida para sua escalada na categoria principal. Até hoje a RBR é baseada em Milton Keynes, Inglaterra, a mesma sede e com vários funcionários da antiga equipe Stewart GP.
Como competi nas categorias de base pela Paul Stewart Racing, de 1997 a 1999, e meu primeiro teste de F-1 foi num Stewart em 1998, quis saber o que mudou da equipe da qual fui integrante para a atual todo-poderosa RBR. Resumindo: quantos profissionais foi necessário contratar e qual a diferença no orçamento para içar a modesta Stewart GP ao topo do Mundial de Pilotos e do de Construtores.
Jackie não sonegou detalhes. Sua equipe contou com 110 funcionários em 1997, 200 em 1998 e 250 em 1999. Atualmente, a RBR tem mais de 500 colaboradores. O orçamento da Stewart, em 1997, foi o equivalente a 55 milhões de reais – e nos dois anos subsequentes foram 80 milhões e 100 milhões. Já a RBR conta com um orçamento de cerca de 550 milhões de reais por temporada. Devemos considerar que a Stewart recebia de graça os motores Ford, enquanto a RBR paga algo como 25 milhões pelos motores Renault. Como hoje os testes são proibidos durante a temporada, o orçamento da RBR não precisa contemplar uma despesa que na antiga Stewart atingia alguns milhões.
Alguns recursos fazem toda a diferença. A Stewart não tinha, por exemplo, um túnel de vento próprio. Para ensaios aerodinâmicos, a equipe utilizava as instalações da Ford, na Califórnia, Estados Unidos. Para isso, os projetistas viajavam a cada dez dias para desenvolverem os projetos. Desnecessário dizer que a RBR conta com seu próprio túnel de vento, de última geração e baseado próximo à equipe.
Mesmo com uma estrutura modesta, em 1999, a Stewart GP venceu o GP da Europa, com Johnny Herbert, e conquistou a quarta colocação no Mundial de Construtores. O feito, nas palavras de Jackie, só foi possível com o envolvimento dos funcionários de tal forma que todos entendiam que aquela equipe era uma empresa familiar, diferente das grandes da F-1, e que cada centavo economizado seria investido na própria equipe. Dessa forma, todos “vestiam a camisa” e buscavam fazer o melhor com o mínimo de gastos possível. Até hoje ele faz questão de destacar a fantástica equipe com quem pôde contar. Outra maneira de viabilizar os recursos necessários foram permutas que Jackie fez com fornecedores e patrocinadores. Algumas máquinas da oficina foram adquiridas e patrocínios viabilizados devido à presença do tricampeão em eventos dessas empresas. Graças ao ótimo relacionamento com os clientes, os investidores se sentiam recompensados, mesmo sem grandes resultados da equipe nas pistas. E tudo isso graças ao comprometimento e à dedicação do Sr. Stewart.
A coragem que teve ao assumir o desafio, talvez tão arriscado para sua imagem quanto suas manobras quando piloto, levou Jackie a ter sua grandeza reconhecida também fora das pistas, façanha reservada a um restritíssimo círculo de campeões.
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Luciano, aproveitando o gancho, vale lembrar outras origens de atuais esquipes:
Toleman – Benetton – Renault – Lotus (a falsa)
Minardi – Toro Rosso
Jordan – Spiker – Force India
Tyrrel – BAR – Honda – Brawn – Mercedes
Essas são as que sei, mas com certeza devem ter mais historicos parecidos. Pois quando uma equipe fecha, toda a estrutura dela dificilmente “desaparece”, geralmente é vendida para um outro grupo que justamente pleiteia entrar no circo da F1.
luciano, concordo com todos os pontos e só pra ressaltar o que minha finada vó dizia “duas cabeças pensam melhor que uma”, agora imagine 500 cabeças; palavras de meu pai “o mundo gira entorno do dinheiro” ; palavras de minha vó ” é devagar que chegamos em algum lugar” , ou seja, um passo de cada vez; e um dos principais ,e diga-se de passagem valem mais que dinheiro as vezes, é vc mostrar ao seu empregado que ele não é um empregado apenas e sim um membro da sua familia…….
Muito bom o texto da coluna!
Sir Stwart é realmente uma lenda viva do automobilismo.
Parabéns Burti!
Nessa época comecei a assistir e gostar de formula 1, adorava a equipe stwart. belo texto!
Abraço!
O Emerson Fittipaldi também tentou. Será que você consegue traçar um paralelo do brasileiro com essa história do Jackie Stewart?
Ex-piloto de Fórmula 1, atualmente disputa o campeonato brasileiro de Stock Car V8 e escreve todo mês na revista QUATRO RODAS sobre os bastidores da Fórmula 1