Você tem dúvida que quem assume o posto de piloto de uma equipe de F-1, seja ela qual for, é um vencedor? Ainda que termine em último lugar no campeonato, fazer parte do seletíssimo grupo que compõe a elite mundial diz bastante, inclusive sobre aqueles que muitas vezes são considerados uns brações… Garanto para vocês: o pior piloto de F-1 está a anos-luz dos que se consideram os mais habilidosos na direção. No entanto, ainda que a média seja altíssima, o que faz com que alguns sejam tão acima da média? O que distingue “um” campeão de F-1 dos grandes campeões? Posso garantir que não se trata só de resultado. E eu não estou sozinho nessa tese.
Ouvindo mestres na matéria, como Jackie Stewart, Adrian Newey e Ross Brawn, é possível compreender que algumas atitudes longe do carro diferenciam os pilotos bons dos especiais – talento e velocidade, isso é obrigação, nem se fala.
Trabalhei com Jackie Stewart nas categorias de base na Inglaterra, de 1997 a 1999, e na F-1, em 2000. Jackie fazia questão de passar alguns ensinamentos sobre estilo de pilotagem; mas o que mais me chamou a atenção foi como se relacionava com as pessoas. Sua capacidade de comunicação, seu carisma e, principalmente, sua humildade conquistavam de imediato a equipe, fazendo com que todos “vestissem a camisa”. Jackie sempre deixou claro que essa gestão do trabalho em equipe foi fundamental para seu sucesso nas pistas. Afinal, todos seus mecânicos, engenheiros, chefes de equipe e patrocinadores tinham orgulho de estar associados ao tricampeão.
No caso de Adrian Newey, atual projetista da RBR, sua experiência com campeões de F-1 é uma referência – ele trabalhou com Mansell, Prost, Senna, Hakkinen e hoje com Vettel. Justamente por isso, ele destaca as características comuns entre esses campeões. O foco, a determinação e a extrema competitividade são exemplares, mas o interesse do piloto sobre a parte técnica é o que mais lhe chama a atenção. Claro, todo piloto que chega à F-1 tem experiência quanto ao acerto dos carros na prática. Mas o fato de alguns procurarem o conhecimento do lado teórico, a fundo, faz a diferença. E isso só é possível quando o piloto tem disposição de viajar durante os dias de folga para encontrar seus engenheiros com o tempo necessário e nos locais apropriados. Um trabalho que exige paciência, dedicação e, acima de tudo, a humildade de quem quer aprender.
Para Ross Brawn, com quem trabalhei entre 2002 e 2004 nos meus anos de piloto de testes da Ferrari, um grande piloto só atinge o máximo quando leva uma equipe de carros não vencedores ao topo da tabela (e, segundo ele, isso é o que falta para Vettel entrar no grupo dos grandes campeões). Como fez Schumacher quando foi para a Ferrari em 1996, pois a equipe enfrentava o jejum de títulos desde 1979, quando Jody Scheckter foi campeão. Por isso, os cinco campeonatos, entre 2000 e 2004, coroaram Schumacher. Para Brawn, que ao lado de Jean Todt e Rory Byrne esteve envolvido naquilo desde o início, a maior virtude do piloto foi a vontade de encarar um dificílimo desafio, já que após as conquistas de 1994 e 1995, pela Benetton, o alemão poderia ter escolhido as melhores equipes da época. Quando perguntei a Ross quais os pontos mais fortes de Schumacher, ele descreveu um nível de piloto que dificilmente será alcançado. Assim, fica claro que “só” pilotar muito bem não faz de um piloto o grande piloto.
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O Luciano está certíssimo. Falta ainda ao Vettel esse último teste para ser colocado entre os grandes.
Ex-piloto de Fórmula 1, atualmente disputa o campeonato brasileiro de Stock Car V8 e escreve todo mês na revista QUATRO RODAS sobre os bastidores da Fórmula 1