Ao longo de 20 anos de carreira, conheci pilotos de todos os tipos. Inteligência acima da média, preponderância da racionalidade sobre a emoção, temperamento forte, ótimo preparo físico e um alto nível de dedicação são características comuns. Da minha lista fazem parte Jackie Stewart (nos tempos de Paul Stewart Racing e Stewart GP), Alain Prost (corri por sua equipe de F-1 em 2001), Michael Schumacher (companheiro de equipe nos meus tempos de piloto de testes na Ferrari), Jenson Button (rival nos tempos de F-3 inglesa), Fernando Alonso (estreamos na F-1 no mesmo ano, em 2001), para ficar apenas nos campeões mundiais.
Agora, que sou pai de dois filhos (Henrique, com 2 anos, e Manuela, com 6 meses), me ocorreu o seguinte: o que os teria levado a seguir esse caminho? Penso nos filhos de grandes pilotos ou filhos de pais que sonhavam ser grandes pilotos… Será que a atitude dos pais influencia o resultado da carreira?
Meu pai nunca teve especial interesse por esportes. Minha mãe, ótima dona de casa e mãe de três filhos, até curte esportes radicais, desde que seus pimpolhos não estejam envolvidos – a carreira de piloto não fazia parte dos seus sonhos… É fácil deduzir que não fui incentivado a andar de kart. Comecei minha carreira aos 16 anos, tarde para qualquer tipo de esporte. Por outro lado, aprendi tudo rapidamente e pude observar comportamentos interessantes.
Lembro-me de ver pilotos que estavam lá quase que por obrigação. Provavelmente seus pais buscavam a realização através de seus filhos. Não preciso nem dizer que nenhum desses foi muito adiante. Ao mesmo tempo, tenho a viva lembrança dos pais que estavam lá para apoiar e torcer por seus filhos (assim como os meus, que ficavam nas arquibancadas). O jovem piloto estava lá por vontade própria. Alguns privilegiados podiam até contar com a assessoria dos pais. É fato que havia sempre o risco de os “orientadores” tomarem a frente para resolver os problemas com a equipe, discutirem com os concorrentes no caso de problemas na pista… Alguns mais abonados compravam equipamentos que traziam vantagem aos seus filhos. Enfim, atitudes baseadas no coração de um bom pai, mas que lá na frente não seriam de grande valia na hora de enfrentar o duro mundo da F-1.
E o que poderia ser melhor que os conselhos de um pai piloto experiente? Ou esse diferencial competitivo pode se tornar um incômodo lastro gerando uma maligna dependência? Como é estar sempre sob a sombra de um gigante? É certo que tal situação não trabalha a favor de quem busca maturidade, equilíbrio e autoconfiança. Mas como ver o filho “quebrando a cara” e não ajudá-lo, sob o pretexto de estar sendo didático? Hoje sei como é difícil. Haja coração…
Esses pensamentos vieram à minha mente depois da conversa que tive com Jacques Villeneuve, campeão mundial de F-1, campeão de F-Indy e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis. E, “simplesmente”, filho do lendário Gilles Villeneuve. Perguntei como o pai influenciou sua carreira e a resposta foi diferente do que eu imaginava. Jacques perdeu o pai muito cedo, aos 12 anos, então foi à pista por conta própria bem mais tarde, aos 17 anos. E diz que isso o tornou uma pessoa forte e independente, mas que o sobrenome sempre teve grande peso. O destaque na mídia foi positivo para atrair patrocinadores, mas negativo quando comparado a seu pai, porque trazia uma pressão constante por resultados. Segundo suas palavras, somente após as vitórias nas categorias principais ele passou a ser reconhecido como Jacques, em vez de filho de Gilles Villeneuve.
Se a vida de piloto não é fácil, a de pai tampouco é. Pergunte-me se eu apoiaria meu filho caso ele pretenda correr de kart e eu responderei: “Mãe, hoje eu a entendo, você tinha razão!”
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O moleque sentado no carrinho na foto parece ser o Jacques Villeneuve… um dos meus escolhidos como torcedor na F1 nas gerações pós Nelson Piquet… aliás, do mesmo jeitinho corajoso na pista e nas palavras. Falando em Piquet, com essa coluna lembro-me de uma entrevista com o Nelsão quando o repórter querendo uma resposta onde o pai não somente condenasse o filho Nelsinho como esportista como também como filho diante do ocorrido na Renault que todos conhecem. Induzia o repórter: “É verdade, Nelson que após o ocorrido você parou de falar com seu filho Nelsinho?”. Mas Nelsão como bom pai e corajoso e verdadeiro que sempre foi respondeu: “Tivemos muitas conversas e discutimos muito sobre o assunto, mas parar de falar com um filho meu, jamais!”. Abraços.
O Luciano Burti esqueceu de mencionar o Sena , ou ele não era inteligente?
Burti, eu te vejo como uma das maiores aquisições que a Globo fez para a F!. aqueles achometros que eram como certeza de uns comentaristas, diminuiram bastantes.. vc consegue traduzir aquele ingles muito técnico e, que de propósito, nao é para tds entenderem. não é apenas traduzir o ingles, mas traduzir o que eles querem realmente falar. conheçe a máquina como um todo: freios, e td mais. impacial e obsrvador. muito bom teus comentários. e é por isso que eu te pergunto: porque anos e anos um mesmo carro não consegue andar bem numa determinada pista, tipo: pista tal é mais para carro tal… pq não corrigem e deficiencia? se F! tem ABS, pq fritam pneus? é sóp curiosidade mesmo, fico no aguardo
Burti, sou um apaixonado por esportes radicais e principalmente por corridas de automóvel, tenho um Kart que o uso de maneira amadora, comecei a andar de Kart aos 24 anos, meu pais sempre gostou também, mas nunca teve condições de me apoiar na infancia.
Hoje também sou pai de uma garoto que se chama Murilo de 2 anos e 8 meses, e da Alana de 1 ano e 4 meses.
Eu também gostaria muito que meus filhos tivessem a mesma paixão pelo automobilismo, mas também acho que não posso forçar nada, pois as coisas precisama acontecer naturalmente.
Burti, acho seus comentários 10!!!!! vc faz nosso amantes do automobilismo nos sentirem um pouco pilotos também… PARABENS…
No domingo estarei em BSB apra assitir a corrida, Boa sorte cara…
É Burti quem sabe daqui a 6 anos tem mais um corredor na sua família.
Vai ser difícil dizer não. Como pai protetor você conhece os risco deste esporte, mas também conhece o lado da paixão e emoção que ela proporciona.
Mas só o tempo irá te responder se o seu filho será ou não fascinado por carros. E lembre-se isto não será difícil.
Será que os filhos de pilotos não sofrem mais para se tornarem pilotos?
Acho que o Burti não deveria ter participado dos comentários negativos do Galvão Bueno e do Reginaldo Leme contra o Hamilton. O conjunto de afirmações anulam essa peça publicitária aí, acima. Assim, e depois de tudo que ouvi, não acredito que o Burti terá sucesso. Mas acredito que será mais um Massa, outro Barrixelo da F1. Quanto à tevê, vejo as imagens – não tem outro canal. Mas desprezo as narrações do Galvão, o besteirol do Leme e os comentários do Burti que eram muito interessantes – tirei o som.
Vide Nelson Piquet / Nelson A. Piquet … o pai deu tudo para o filho até a F1. Lá, deixou o filho na jaula com os leões. Foi “trucidado” com facilidade pelo mundo animal da F1… sobrenome ajuda na busca por patrocínios, apenas isso. Recordando que Jacques e Damon lutaram com suas próprias forças para chegar aonde chegaram porque seus pais já tinham falecido quando eram bastante jovens.
olá gostariia de enviar uma carta para o luciano burti vcs poderiam me enviar um endereço para correspondencia
Ex-piloto de Fórmula 1, atualmente disputa o campeonato brasileiro de Stock Car V8 e escreve todo mês na revista QUATRO RODAS sobre os bastidores da Fórmula 1