O último GP de Mônaco é uma boa oportunidade para tocarmos num assunto polêmico: a fronteira entre arrojo e irresponsabilidade. Schumacher foi ousado ao fazer a ultrapassagem na curva mais lenta do circuito, a Loews, onde praticamente não cabem dois carros lado a lado. E Hamilton? Ao envolver-se em alguns incidentes durante a prova, mostrou-se arrojado ou irresponsável? O que é inerente ao esporte e o que deve ser desestimulado? Não seria esse tipo de aditivo que Bernie Ecclestone e a FIA buscavam para acabar com o marasmo das provas? Num campeonato sem surpresas em relação ao vencedor, esse tipo de emoção salva o espetáculo ou coloca a segurança em xeque?
Na visão do piloto, essa última questão varia de acordo com sua posição. Se estiver atacando para conseguir uma ultrapassagem, julgará as manobras mais arrojadas, bem-sucedidas ou não, como pertinentes e até fundamentais. Afinal, trata-se de uma competição, uma atividade que não faria sentido sem disputa e emoção. Já o mesmo cenário visto da posição do piloto que está sob ataque, ou pior, perdeu a posição ou foi abalroa do de alguma maneira, o enfoque provavelmente será diferente: a tese de que a segurança deve estar em primeiro lugar será invocada.
Já a torcida enxerga de maneira romântica, mas ao mesmo tempo um pouco cruel. O torcedor é passional e vibra com manobras arrojadas e até mesmo com acidentes sem maior gravidade. Não é à toa que Gilles Villeneuve, Mansell, Alesi, entre outros de estilo semelhante, foram idolatrados. No entanto, da mesma forma que o arrojo é venerado em caso de sucesso, se o mesmo piloto falhar no mesmo tipo de manobra, não faltarão vozes para criticar o “barbeiro atrás do volante”. “Esse cara não tá com nada, até eu faria melhor…”
Lembrando momentos históricos, podemos ter uma boa visão dessas questões. Como a disputa entre Gilles Villeneuve e René Arnoux durante o GP da França de 1979, no circuito de Dijon-Prenois, para muitos um dos altos momentos da F-1. Durante as últimas voltas a Ferrari do canadense e a Renault do francês trocaram de posições diversas vezes, tocando, esbarrando e empurrando um ao outro. No fim Villeneuve levou a melhor, mas conquistou apenas o segundo lugar. O vencedor, Jean Pierre Jabouille, companheiro de Arnoux na Renault, teve sua vitória ofuscada pela briga entre os companheiros do pódio.
Para nós, brasileiros, é inesquecível a disputa entre Piquet e Senna, no GP da Hungria de 1986. Nelson passou Ayrton por fora na primeira curva. A cena da Williams de Piquet totalmente de lado durante a manobra, é de tirar o chapéu. E quem não se lembra da primeira volta que Ayrton fez com seu McLaren no GP da Inglaterra de 1993, disputado em Donington Park? Na chuva e após a largada, Senna era o quinto na primeira curva, mas passou por Schumacher, Wendlinger, Hill e Prost, assumindo a ponta da corrida antes mesmo de completar a primeira volta. Incrível!
Entendo que competição é sinônimo de adrenalina, disputa e emoção, mas o que vale é o resultado. Encontrar o equilíbrio entre arrojo e responsabilidade é o xis da questão. Se fizer de menos não é bom o suficiente, mas se passar do ponto é afobado demais. Maturidade e experiência fazem a diferença entre cada piloto. Assim como o vinho, geralmente, quanto mais velho, melhor.
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Caro Luciano.
Foi inesquecivel, para mim, esse “pega” entre Arnoux e Villeneuve e o mais espetacular é que eles sequer se tocaram, respeitando o espaço de cada um em cada curva que faziam. Isso que fez com que fosse mais sensacional e inesquecivel para quem viu.
burti leva eu p/conhecer os bastidores de transmissão da f1 e o reginaldo e o galvão!!!tem como?eu acompanho a f1 dês de criança
e vivenciei todos os avanços tecnológicos ao longo do tempo!!!queria poder realizar este sonho!!!obrigado pela atenção!!!leandro abç.
Prezado Luciano Burti, tudo bem?
Sou torcedor e espectador assíduo de F-1, assisto todos GPs e leio mensalmente sua coluna na 4RODAS. Parabéns pelas matérias e comentários nos GPs!
Quem não se lembra de Ayrton Senna (pra mim o Nº 1 do MUNDO) em Mônaco correndo pela Toleman branca sem patrocínio, na chuva ultrapassou vários carros mais velozes e na penúltima volta ultrapassou Alain Prost, mas pela regra o vencedor foi Prost, por ter terminado a corrida com mais de duas horas.
Chorei de alegria e decepção com as regras da F-1!
Grande abraço;
Mateus
Ex-piloto de Fórmula 1, atualmente disputa o campeonato brasileiro de Stock Car V8 e escreve todo mês na revista QUATRO RODAS sobre os bastidores da Fórmula 1