Não seria exagero dizer que o pit stop é uma competição à parte numa prova de F-1. Embora pareça uma operação simples, rápida e “automática”, cada parada envolve altas doses de planejamento. Funciona assim: enquanto um homem maneja o macaco dianteiro, outro aciona o dispositivo traseiro. Para os quatro que soltam e prendem as porcas das rodas, há outros quatro que tiram as rodas e mais quatro que fazem a reposição. Essa tropa de elite ainda é formada por dois homens que têm a tarefa de alterar a asa dianteira, se necessário, além de um profissional a postos com extintor de incêndio e outro com o motor de arranque, caso precise religar o motor. Por fim, há o encarregado de liberar o carro quando o trabalho está concluído. É ele quem maneja a placa com a inscrição “stop” (pare), conhecida como pirulito. Da sincronia dos envolvidos depende o tempo de parada, crucial para o resultado numa prova. Essa turma tem, literalmente, a segurança nas mãos.
Não é qualquer um que tem o perfil para atuar na linha de frente dos boxes. Alguém muito acima do peso ou magro demais pode não ter a agilidade ou a força exigidas. Boa visão, coordenação motora e capacidade de concentração são exigências básicas. Na década de 90, um pit stop na casa de 5 segundos era considerado excepcional; hoje, não é raro fazer-se a troca do jogo de pneus na casa de 3 segundos.
Para chegar a esse resultado, há um protocolo a ser seguido. O mecânico, destro ou canhoto, deve ocupar a posição de acordo com sua coordenação. O responsável pela pistola pneumática deve ter posicionamento correto. O joelho certo apoiado no chão e a outra perna dobrada como manda o manual, a empunhadura da pistola com o cabo para baixo ou em determinado ângulo voltado para cima. A distância em relação ao carro é a mais próxima possível, mas não pode lhe tolher os movimentos.
Mas de nada adiantam mecânicos bem posicionados se o piloto para o carro fora do lugar ideal. Basta ficar um pouquinho para a frente ou para trás, mais de um lado que do outro, para comprometer o resultado. Aí pesa a habilidade do piloto, que entra a 80 km/h, para encaixar o carro no “funil” formado pelos mecânicos, sem colocar em risco sua segurança.
Com o atual regulamento, em que o reabastecimento não é permitido, as paradas tornaram-se mais rápidas e complicadas. Se antes o piloto tinha tempo de parar e colocar o câmbio em ponto-morto, agora ele é obrigado segurar a embreagem com a primeira marcha engatada e frear forte para as rodas não girarem. Qualquer vacilo gera problema, como ocorreu com Massa no GP da Turquia. A embreagem não atuou 100% e Felipe não apertou o freio com força suficiente: as rodas giravam, atrapalhando o mecânico. Nessa parada Felipe levou 6 segundos a mais do que a média dos rivais.
Se todos sabem da técnica, por que existe diferença entre as equipes? Aí entra o lado humano. Se uma equipe está sob pressão, as chances de erro serão maiores. E existe sabotagem para prejudicar ou favorecer algum dos pilotos da mesma equipe? Posso dizer que os mecânicos são os mesmos para ambos os carros, ou seja, durante uma parada da Ferrari, por exemplo, alguns são mecânicos do Felipe e outros do Alonso. Aí entra o lado onde cada um se preocupa com seu próprio umbigo, pois, se cometer alguma falha, sua reputação estará ameaçada perante toda a equipe. Alguma dúvida de que o pit stop é um espetáculo à parte?
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Sem dúvida que o pit stop é super importante na corrida, a ponto de decidir o vencedor da prova, porém se na década de 90, 5 segundos era um tempo excepcional eu acho que a Ferrari estacionou naquela década, pois não consegue fazer um pit stop próximo ao da RBR.
Burti
Como a Ferrari explica que com milhões de dólares investidos no desenvolvimento dos carros , repetidamente ,ela permite que sejam perdidos preciosos segundos nas trocas de pneus?
Aparentemente seria o investimento mais barato… o treinamento “ad nausean” de seus mecânicos para a troca no mesmo tempo das outras equipes de ponta e possivelmente o que eles já deveriam estar fazendo, o que na prática não ocorre.
Será incompetência? Essa não me parece uma resposta razoável , em uma equipe tão experiente no Circuito da F-1.
Realmente eu gostaria de saber sua opinião , melhor , a da própria Ferrari… seria possível?
Abraços, parabéns pelos comentários e sorte na Stock Car.
PS: Não permita que sua equipe contrate nenhum dos mecânicos que porventura venham a ser demitidos da Ferrari.
Olá boa tarde!
Estou fazendo um trabalho relacionando a importância do trabalho em equipe no sucesso da empresa, e estou relacionando vídeos de fórmula 1 para demonstrar isso, principalmente videos relacionados ao pit stop onde realmente é exigido o trabalho em equipe de uma equipe de fórmula 1.
Gostaria de pedir a sua ajuda me relacionando algumas das piores “mancadas” acontecidas no pit stop, onde fizeram o piloto perder, ou até abandonar a corrida, devido ao mal trabalho em equipe acontecido nos boxes.
Exemplo atual:
O erro do mecâncio, nessa última corrida, ao liberar o carro da RedBull antes que o outro mecânico colocasse a porca no pneu direito dianteiro, e consequentemente, o piloto teve de abandonar a prova.
Muito Obrigado e ficaria muito feliz se pudesse me ajudar,
Atenciosamente,
João Gabriel da Costa Rolim
Ex-piloto de Fórmula 1, atualmente disputa o campeonato brasileiro de Stock Car V8 e escreve todo mês na revista QUATRO RODAS sobre os bastidores da Fórmula 1