GRID - BLOG - Luciano Burti

Postura e atitude

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O acidente fatal de Gustavo Sondermann durante a etapa da Copa Montana, em Interlagos, pode ser enxergado como um acidente de corrida. Afinal, o risco faz parte do automobilismo. No entanto, há duas categorias de perigo: o risco inerente ao imponderável, devido às características de alta velocidade do esporte, e o risco previsível, que deve sua existência à falta de atitude dos profissionais envolvidos na modalidade.

Lembro que a mesma Curva do Café foi onde Rafael Sperafico perdeu a vida em 2007. O mesmo circuito, a mesma curva, categorias similares e o mesmo tipo de acidente. Estávamos, portanto, avisados quanto ao perigo daquele ponto e que alguma coisa deveria ser feita. Por que deixamos acontecer novamente? A dor é grande, até porque me sinto parte dos responsáveis (ou irresponsáveis…) que permitiram que isso ocorresse. Mundo afora, as coisas não são muito diferentes.

Na própria F-1, somente depois de acidentes fatais é que carros e circuitos tornaram-se mais seguros. É fácil ver a evolução da segurança após a morte de Senna e de Ratzenberger, em Ímola, em 1994. Na temporada seguinte, a FIA mudou o regulamento para as células de sobrevivência. Foram adotadas proteções à altura da cabeça (até 1994 podíamos enxergar os ombros dos pilotos para fora do carro) e o piloto foi movido para trás, aumentando a área de proteção – maior exigência do crash-test.

Também mudaram as exigências em relação aos circuitos. As áreas de escape ficaram maiores, as barreiras de pneus foram estruturadas e melhorou a drenagem na chuva, entre outros detalhes. A primeira pista a receber tais modificações foi a de San Marino, justamente nos pontos dos acidentes de Senna e Ratzenberger. Infelizmente, Interlagos permaneceu o mesmo após o acidente de Sperafico em 2007…

Posso dizer que sou uma prova viva da eficiência dos aprimoramentos de segurança. Em Spa-Francorchamps, na temporada de 2001, após um toque com Eddie Irvine em uma disputa na curva Blanchimont, saí da pista e bati na barreira de pneus a 270 km/h, um impacto de 111 g! Apesar de sofrer concussões e hemorragia cerebral, saí inteiro do acidente. E isso foi possível devido à resistência do meu carro de F-1.

Prefiro buscar as soluções antes de enfrentar os problemas. Falta firmeza aos pilotos em se posicionar, uma vez que certos perigos não são vistos com a mesma gravidade pelos responsáveis que estão fora do carro. Quer um exemplo? No início da pré-temporada de F-1 deste ano, os pilotos solicitaram à FIA a limitação de uso da asa traseira móvel em apenas alguns pontos da pista, uma vez que olhar o volante e apertar vários botões (asa traseira e Kers) prejudicaria sua concentração no traçado. A FIA respondeu que não faria nenhuma alteração antes das três primeiras provas da temporada, que serviriam de teste. Pergunto: será que a opinião dos pilotos não tem fundamento? Ou precisará acontecer um acidente para tomarem as devidas soluções?

Vejo que muda a categoria, o nível técnico e profissional, a cultura e nacionalidade dos envolvidos, mas a falta de mobilização é a mesma. Falta responsabilidade e atitude por parte de federações, promotores de categorias, administradores, fabricantes dos carros, donos de equipe e pilotos, ao não atender o risco que bate à porta. A aprovação da reforma na área de escape na Curva do Café é um começo, mas há muitos outros pontos para melhorar a segurança. Espero que algo mude daqui para a frente, caso contrário, o máximo que podemos pedir, independentemente da religião de cada um, é que Deus nos proteja!

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3 Comentários - Comente - Denunciar abuso

  1. Marclo Strauss disse:

    O Pior de tudo foi punir o otimo profissional Sergio Berti ,Graças ao Cacá e Thiago Camilo mas vai fazer o que só de tempo ao tempo e veremos quem realmente tem razão

  2. Eduardo Piovani Dias disse:

    Prezado Luciano: Desculpe o desvio do assunto, mas tentei postar na sua página e não consegui.

    É p seguinte: assisto Formula 1 na TV desde a 1a. transmissão, e lá e vão os 30 e muitos anos do Reginaldo, mas depois que você entrou no time, os comentários ficaram muito mais técnicos e certeiros.

    Mas queria fazer um ressalva, pois faz os mesmos 30 e tantos anos que se traduz errôneamente “marbles” por “bolinhas de gude”, mas uma tradução melhor seria “pedregulhos”. Isto porque já ouvi falar que há muuuuito tempo, o jogo de bolinhas na antiga Europa era feito de pedregulhos desbastados até a forma esférica, pois o vidro ainda era caro.
    Nem sempre o primeiro significado é o mais apropriado.
    Um grande abraço,

  3. Marcos disse:

    Realmente, foi lamentável novamente presenciarmos isso. Espero que outros pilosto adotem essa mesma postura e protestem para acontecerem melhorias. Muito bem colocato esse post. Te sigo no Twitter e gosto muito dos seus comentários, Luciano. Gostaria de vê-lo correndo na Porsche GT3 cup, que é minha categoria favorita! E como um seguidor das novidades de automobilismo, recomendo o novo site dos caras…Um abraço forte! Segue o link: http://www.porschegt3cup.com.br/

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