Todos nós ficamos surpresos com a saÃda da equipe Honda, uma das maiores e mais bem estruturadas da F-1. Sabemos que a crise foi apontada como o principal motivo para a montadora deixar a categoria, pois o mercado de carros foi um dos mais afetados. Mas devemos lembrar também que a falta de resultados da equipe pode ser o motivo real dessa decisão, a crise financeira foi só o empurrãozinho que faltava. Como se pode avaliar o ciclo de vida das equipes?
Tomemos como exemplo uma equipe que está na F-1 desde os anos 50, a Ferrari, nascida da paixão de Enzo Ferrari pelo automobilismo. Depois de alguns anos de muito sucesso nas pistas, a Ferrari se transformou em motivo de orgulho da nação italiana e em Ãcone para torcedores de todo o mundo. A obra do comendador se tornou algo tão identificado com a categoria que hoje a F-1 parece depender da presença e do sucesso dos italianos. Apesar de ser um caso exuberante, a Ferrari não chega a ser um ponto fora da curva. McLaren e Williams têm décadas nas pistas, apesar de esta última enfrentar problemas pela falta de resultados e de desequilÃbrio financeiro desde a saÃda da BMW como parceira.
Algumas começam pequeninas e são persistentes, como a Minardi, sempre no fundo do grid. Outras conseguem alcançar o sucesso e crescem com o tempo, como a Jordan e a Stewart. E há ainda casos em que investidores, apenas apostando na F-1 como negócio, compram as equipes para revendê-las, como ocorreu com a própria Minardi.
Eu posso narrar um pouco de cada uma dessas situações por experiência própria. Em 1999, fui contratado para ser piloto de testes da Stewart na temporada seguinte. Mas, antes mesmo do fim daquele ano, a equipe foi vendida para a Jaguar. Dessa forma, comecei a carreira na F-1 em 2000 com a boa perspectiva de ter uma montadora por trás da equipe. Com o tempo notei que, se por um lado a equipe contava com mais dinheiro e melhor estrutura do que sob a gestão antiga, faltava um lÃder, como meu amigo e ex-patrão Jackie Stewart. Faltava aos chefes, executivos que não tinham muito conhecimento e paixão pelo automobilismo, carisma e legitimidade. Deixei a Jaguar no inÃcio de 2001, mas soube que a equipe foi perdendo foco, motivada em parte pela disputa de poder. Os resultados não apareceram, ao contrário das altas contas, culminando com a sua venda para a Red Bull em 2004.
Outro exemplo de fracasso que testemunhei foi o da equipe Prost, pela qual corri em 2001 e capitaneada pelo dono, o tetracampeão Alain Prost. Em 2001, o time contou com a entrada societária de Pedro Paulo Diniz. A idéia era formar uma equipe brasileira para 2002, com pilotos e patrocinadores do nosso paÃs. Mas, além de não chegarem a um acordo, a mal disfarçada discussão entre Pedro Paulo e Prost tornou o clima tóxico. A conjunção não trouxe nem resultados nem patrocinadores e, ao fim da temporada, a equipe foi à falência.
Em contrapartida, pude conhecer bem o que é fazer parte de uma equipe de sucesso como piloto de testes da Ferrari de 2002 a 2004. Uma coisa ficou clara para mim: na Jaguar e na Prost, eu apenas fazia parte do grid, pois F-1 de verdade você só conhece em uma equipe de ponta. Hoje fazem parte desse restrito grupo Ferrari, McLaren, BMW e Renault, podendo estar incluÃdas, com algumas ressalvas, Toyota e Red Bull. Como em qualquer negócio, poder, força polÃtica e dinheiro fazem toda a diferença para uma história de sucesso ou fracasso.
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bom gostaria de parabelizar esta conceituada revista, iconi na qualidade desde a mais basica que e a grafica no que diz respeito ao acabamento , imagens etc. mas quero ressaltar o mais importante o conteudo humano recheado por pessoas apaixonadas por carros mais humildes e de bom carater como LUCIANO BURTI. obrigado pesso a DEUS que aben
No seu caso foi uma pena nao ter se firmado como piloto na Ferrari, mas, perdemos um piloto na F-1 e ganhamos a F-1 novamente!! Me explico: Continuar assistindo F-1 sem os seus comentarios perdeu a graca, porque voce – ao contrario de outros colegas seus – realmente conhece a categoria. Torco para que voce tenha bons resultados na Stock brasileira e que continue na Globo, dando “uma maozinha…..”.
Luciano você poderia escrever com mais frequência neste blog!!
Ex-piloto de Fórmula 1, atualmente disputa o campeonato brasileiro de Stock Car V8 e escreve todo mês na revista QUATRO RODAS sobre os bastidores da Fórmula 1