Tapetes e carros
Sabe como se vendem tapetes? O vendedor anuncia “tapetes a 100 reais”. Se alguém se interessa, ele passa a mostrar os modelos que tem, observando a sua reação do cliente. Quando percebe que a pessoa se interessa por algum, ele separa esse tapete e continua a exibir os outros modelos. Ele retira do monte todas as peças que fizeram os olhos do freguês brilharem e espera o freguês apontar um dos tapetes que foram separados. “Quero esse”, diz o cliente. “Esse? Custa 150 reais”. “150 reais?”. “É, esses são mais caros. Os de 100 reais são aqueles ali”.
Outro dia, ouvi essa história e fiquei pensando o quanto isso se aplica à indústria automobilística. Cheguei à conclusão que as fábricas aprenderam direitinho a lição e fazem conosco, os consumidores, o mesmo que os vendedores de tapetes.
Elas exibem modelos completos com rodas, faróis auxiliares, kits aerodinâmicos – por fora – e ar-condicionado, airbags, sistema de som – por dentro – e anunciam o preço a partir de x reais, por exemplo 30.000 reais.
Mas, quando o cliente chega em uma revenda e pergunta pelo carro, os vendedores dizem que aquele modelo com ar-condicionado, rodas e faróis auxiliares entre outros itens custa mais caro, 38.000 reais seguindo o exemplo. O de 30.000 reais é o básico e o carro mostrado no anuncio era uma imagem meramente ilustrativa.
Ah -- muitas vezes --, o som e o kit aerodinâmico são acessórios, vendidos à parte nas concessionárias, não fazem parte nem dos itens opcionais para não parecer que o carro completo é carro demais.
E assim como o cliente dos tapetes, o comprador de carro se frustra diante das opções de pagar mais caro ou levar um modelo básico. -- O carro da foto é um Aston Martin DB5 1963, só para o nosso deleite visual.
Test-drive é um santo remédio
Dizem que o TR4 é melhor. Mas o Tucson é mais espaçoso. Sei também que o TR4 é flex e é melhor de revenda. Mas ainda estou em dúvida entre os dois. – Karina Mukai
Tenho um Corolla e penso em trocar, mas não sei se compro outro Corolla ou um Tucson. Se saio de um sedã para outro sedã ou para um SUV. – Renato Izepon – Leme (SP)
Meu padrasto está em dúvida entre um C4 Pallas e um Focus Sedan. Gostaria de saber a sua opinião. – André Faria
R.: Essas são as típicas situações em que o test-drive é a solução. Ou porque os carros são muito parelhos, ou porque quem pergunta já analisou todos os prós e contras de cada modelo, mas ainda não se decidiu.
Durante o test-drive, o motorista pode descobrir qual o carro que lhe agradava mais e atende melhor suas necessidades. Sem falar que, nessa oportunidade, o comprador pode avaliar qual as melhores condições de compra (preço, desconto, financiamento, etc.)
Mas, como sempre digo, é importante não ter pressa. Olhe para o carro com “olhos de enxergar”, como dizia uma professora minha. Sem ansiedade. Se o vendedor quiser que você faça um test-drive rápido, não dê ouvidos.Deixe o vendedor falando e concentre-se nas suas sensações.
Escolha um sábado de manhã, assim que as lojas abrem, quando há poucos clientes e o trânsito permite que você rode tranqüilo. Se o vendedor disser que não tem carro para test-drive, fale que vai procurar o carro em outra agência, que o test-drive é muito importante para você e que sem andar no carro antes, você não poderá se decidir.
Se depois do test-drive, você ainda tiver dúvidas, volte a me escrever. Na foto, um Jaguar E-Type (nesse, até eu queria fazer um test-drive!)
Fusion seminovo tem boa relação custo/benefício
O Fusion 2008 pode ser encontrado por 60.000 reais, ou até por menos. Mas o modelo 2010 é mais bonito e potente. O que você acha, um 2008 vai bem ou vale a pena pagar 25.000 reais a mais e pegar o 2010? – Paulo Cacciari
R.: Como negócio, o 2008 me parece mais interessante. Isso porque ele ainda está novo e já sofreu a desvalorização do primeiro ano – a mesma atingiria o 2010 assim que você o tirasse da concessionária. Além disso, ainda está na garantida, uma vez que a cobertura é de três anos.
Apesar das mudanças técnicas e visuais profundas que ocorreram na nova versão, não estamos falando de duas gerações diferentes e sim de uma mesma geração em dois momentos do ciclo de vida. Portanto, o 2008 é o que tem melhor relação custo/benefício.
O 2010 ficou mais bonito por fora e por dentro, concordo com você, ganhou novo motor 2.5 (anda mais e gasta menos, segundo o teste da QR), e tem cheiro de carro novo. Mas o 2008 é 30% mais barato.
Pelo fim dos totós, ovinhos e arranhões
Acho que eu devo estar cuidando mal da minha Montana, porque várias pessoas na revista notaram que eu mandei lavá-la hoje de manhã, antes de vir para a redação. Cada um que chegava comentava ter avistado a picapinha limpinha no estacionamento.
Os comentários se transformaram em uma animada conversa sobre conservação de veículos. Cada um revelou suas estratégias para evitar que os vizinhos de vaga risquem ou amassem a carroceria de seus carros.
O editor Péricles Malheiros diz que prefere as vagas das pontas do estacionamento, porque tem certeza de que pelo menos um lado do carro fica a salvo. O diretor de arte Tarcísio Alves examina o carro do vizinho, se estiver todo picotado, é sinal de que o motorista não é cuidadoso, por isso é melhor se afastar.
Logo surgiram idéias mirabolantes para a prevenção dos totós. Colocar um colchão encostado no carro, instalar o airbag lateral do lado de fora, pedir vagas mais largas para os que gostam de seus carros.
Esses ovinhos que ficam na lateral da carroceria realmente tiram o sono de quem cuida bem de seu veículo. Depois, só martelinho de ouro (artesão em funilaria ou lanternagem) para dar jeito. Porque, em uma oficina convencional, acaba repintando uma área muito maior, deixando a impressão de que o carro foi batido.
Terminei a conversa com o compromisso de fazer um post propondo uma campanha pelo fim dos amassadinhos. Convocando a todos os motoristas que estacionam em garagens de prédios, shoppings, supermercados a ficarem mais atentos e a tomarem cuidado com os carros alheios.
Aqui está. E vocês, cuidam de seus carros? Quais estratégias usam para evitar as famosas batidinhas de porta nas laterais da carroceria? (o Volvo P1800 é só para ilustrar)








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