Poupar e comprar à vista ou financiar?
Nos posts anteriores, falei de duas etapas do planejamento financeiro: diagnosticar sua situação atual e definir objetivos, em outras palavras: "onde estamos?" e "para onde iremos?".
Agora é a hora da terceira etapa, que diz respeito a definição de estratégias ou "de que maneira iremos". Qual a estratégia para adquirir o carro dos seus sonhos?!
Pois bem, esta é, na certa, a dúvida principal de muitos leitores. E há muito o que se escrever a respeito. Neste post em especial, vou comparar duas estratégias:
- comprar financiado ou
- poupar e comprar à vista.
O caso prático: João, dentista, tem hoje um veículo usado no valor de R$ 20.000 reais e deseja fazer a troca por um carro no valor de R$ 55.000. Vamos às alternativas:
Observação importante: os cálculos são em termos reais, portanto já desconsideram o efeito da inflação.
Alternativa 1: Comprar financiado
João pode fazer a troca hoje e financiar os R$ 35.000 restantes com a taxa de 1% ao mês em 48 vezes. Neste caso, o dentista assumiria uma dívida de R$ 921,68 mensais por 4 anos. Ao final dos 48 meses, João é dono de um carro.
Alternativa 2: Poupar e comprar à vista
João pode poupar os R$ 921,68 todo mês e aplicá-los, ganhando 0,5% ao mês de juros reais. Neste caso, teria os R$ 35.000 para a troca do carro em 35 meses. Ou seja, teria quitado o carro 13 meses antes. Portanto, ainda teria 13 meses (do 36o ao 48o mês) para poupar R$ 921,68. Assim, ao final dos 4 anos, o dentista teria o carro e uma poupança de R$ 12.347.
Novamente: não existe a alternativa certa, afinal a compra e a troca de um carro envolve aspectos além dos números. Porém, é importante conhecer a diferença numérica como mais um elemento de apoio à sua decisão.
»COMENTÁRIOS
AL Jr. diz: E a opção consórcio ?
Diego Franco diz: Vi seu calculo sobre troca de um carro usado por um novo, e qual seria a melhor forma de aquisição, achei muito bacana, contudo faltou a depreciação do veiculo usado, que no final de 3 anos consequentemente faleria menos que os R$ 20.00,00 , oque acarretaria numa diminuição do valor da poupança. Além de não ter mencionado o fato de que o carro em questão, na melhor das hipoteses irá subir, menos que os 0,5 da poupança, mas irá subir. Acredito que meus comentários podem ser validos, e não os encare como uma recusa a sua analise, pois de longe tenho conhecimentos suficientes para tal.
Gabriel diz: Acredito que houve um equívoco em seu cálculo, pois não leva em consideração a desvalorização anual do veículo que João possuiu, pois este desvalorizará em média 10 % ao ano dependendo do modelo. Sendo assim a divida não seria de apenas 35 mil a serem poupados. Um abraço
Menahen Pereira - Imperatriz - Ma diz: Bom dia. O tópico o senhor escreveu é muito interessante. É que, hodiernamente, encontro-me mui endividado(ao todo, devo mais de R$ 130.000,00, em dívidas de toda a sorte, inlcuindo-se aí cartões de crédito, empréstimos bancários, empréstimo consignado em folha, financeiras, lojas) e, pasmem senhores, somente no final do próximo ano é que poderei economizar a quantia de R$ 11.000,00 a R$ 19.000,00, sendo que este último valor somente obterei se apelar a um empréstimo consignado em folha. Porém, com esse valor, não será possível comprar um carro novo e, se partir para um usado, o máximo que obtenho é um GOL HIGHWAY 1.0 8V, GAS, 4 P, COMPLETO, ANO 2002, isso já no final de 2009/2010. Considerando-se que eu poderia obter uma economia anual de R$ 11.000,00 ao ano, eu somente poderia adquirir um veículo do ano lá para 2012 ou mesmo em 2014, a vista. Poderia, com algum sacrifício, no final de 2010, comprar um carro novo, dando o meu usado de entrada. E agora, o que eu faço, tendo em vista que somente terei uma folga orçamentária maior lá para meados de 2013, sendo que o Empréstimo Consignado em Folha necessário para a aquisição do carro somente terminará daqui a 8 anos, em 2017, o que consome, atualmente, R$ 1.042,10 dos meus proventos, que deveriam ser de R$ 3.488,04 ao mes. Humildemente, peço-lhe ajuda, pois não sei o que faço, tendo em vista que tirei a minha carta desde o início do ano e muitas pessoas cobram para que eu adquira um carro, sabe-se lá qual e como. Por último, minha irmã tem um CLASSIC SPIRIT 2007, com AR+DH, e ela disse que, se eu tivesse dinheiro no final do ano que vem, eu poderia comprar o carro dela e, ainda que eu faça uma economia absurda, não tenho como arranjar R$ 26.000,00(valor estimado em fins de 2009) para comprar o carro dela, que é financiado pelo BB em R$ 31.500,00. Detalhe: estou incluso nos cadastros restritivos por conta das minhas várias dívidas acima expostas. AGUARDO RESPOSTA, URGENTÍSSIMA.
Marcelo Angulo responde: Negão, Antonio Carlos, Kenny, Rodrigo e Marcos, agradeço o comentário de todos. Por favor, vejam minhas respostas anteriores sobre manutenção, desvalorização do carro e aumento do preço do carro a ser comprado. Abraço! Marcelo
Marcelo Angulo responde: Caro IRINEU TADEU PANUCCI, por favor, veja a resposta que dei ao Gustavo abaixo. Abraço! Marcelo
Marcelo Angulo responde: Helvio, seu comentário sobre a manutenção é realmente interessante. É por isso, que a troca de comentários é rica. Obrigado também pela sugestão de post. Abraço, Marcelo
Marcelo Angulo responde: Olá Nepomuceno, seu depoimento revela como as decisões são complexas e além de olhar para os números é importante observar o contexto. Os imóveis, de fato, se valorizaram muito por diferentes razões, entre elas a expansão do crédito imobiliário, que deu a oportunidade para que muitas famílias adquirissem o imóvel. Recomendo que converse com corretores da sua cidade e busque formar uma opinião sobre até onde esta valorização tende a continuar ou não. E minha sugestão: faça as contas sobre os cenários possíveis, você ter comprado o apto, você comprar hoje, você comprar em alguns anos. Os cálculos vão ajudá-lo a tirar seus receios. A Internet é repleta de simuladores que podem ajudá-lo. Abraço, Marcelo
Marcelo Angulo responde: Gustavo, sua dúvida é muito importante. Repare, no entanto, que os cálculos são em termos reais, portanto já desconsideram o efeito da inflação. Ou seja, o cálculo prevê que o João em 35 meses compre um carro equivalente ao que ele compraria hoje. Abraço, Marcelo
Marcelo Angulo responde: André, obrigado pelo seu comentário. Repare, no entanto, que todo modelo que criamos para simular a realidade é uma simplificação desta mesma realidade. E ponderações podem ser feitas, tal como você mencionou sobre a depreciação. De todo modo, a conta é válida sim para dar ao leitor uma dimensão numérica da diferença entre o à vista e o financiamento. Agradeço de toda forma seu comentário, na certa, estou atento para que os próximos posts atendam ainda mais às expectativas dos leitores. Abraço, Marcelo
Marcelo Angulo responde: Olá Menna, o seu depoimento revela a importância do planejamento. Você tomou decisões inteligentes e hoje está mais rica por conta disso. Parabéns! Abraço! Marcelo
Marcelo Angulo responde: Olá Roberto Putz, obrigado pelo comentário. Acho sim importante ponderar a "real necessidade do momento", porém é interessante também colocar a decisão em um contexto maior: qual será o impacto de um eventual financiamento nos seus outros objetivos financeiros. Abraço! Marcelo
Marcelo Angulo responde: Alexandre Baseggio, suas reflexões são corretas. É uma questão de avaliar qual seria o valor da manutenção. De todo modo, lembre-se de que o cálculo é sempre uma simplificação da realidade, ou seja, é muito importante olhar o resultado numérico e fazer ponderações, tal como você fez. Abraço, Marcelo
Marcelo Angulo responde: Fico muito feliz com a discussão que o post está gerando. Acredito que discutir e refletir sobre uma decisão financeira é uma excelente maneira de aprender sobre o tema. E, na certa, a troca de comentários é muito importante para esta aprendizagem. Assim, vou buscar, dentro do possível, responder a todos os comentários. Abraço! Marcelo
bruno siqueira diz: que aplicacao que se consegue 0,5 por cento ao mes?
Marcos Mannala diz: No cálculo não foi avaliado que o carro velho se desvalorizaria após 35 meses de poupança, não valendo os R$ 20.000,00 (valor presente). Ele também não economizaria os R$ 921,68 porque o carro usado gasta mais em manutenção e conforme o caso em combustível, dependendo das vantagens do flex, por exemplo. Outra coisa é se o quanto que o médico roda com o veiculo. Apesar disso tudo, eu ainda prefiro poupar.
Rodrigo diz: Ficou omitido do post o fato de que após 35 meses o valor do carro usado será menor do que hoje
Kenny diz: Como comentou o colega, faltou o calculo dos 15% de aumento, que os carros sofrem em média todo ano. Eu já tentei poupar dinheiro ao invés de comprar financiado, não dá, com a valorização da poupança vc sempre fica correndo atrás do preço. Então eu acho que a melhor saída e assumir um financiamento com boas taxas de juro.
antonio carlos rangel diz: diante do quadro exposto por vc. tenho a relatar o seguinte: Sinal R$ 20.000,00 ( carro ) esse após quatro anos não terá o mesmo valor. O preço do carro novo em quatro anos não será o mesmo,nem mesmo nos 35 meses , pois, acredito que sofrerá aumento
negão diz: Embora eu não goste de financiamento devido os juros exorbitantes, mas juntar dinheiro por 3 anos ou mais para trocar o carro a vista é bobagem, pois tanto o veiculo usado deprecia, como o novo encarece. Eu sempre comprei carro novo, eu fico com ele 4 anos, financio 2 anos no máximo e os outros 2 anos pego o dinheiro que eu financiava e guardo como poupança justamente levando em conta a depreciação do meu carro que seria um especie de mante-lo na faixa de preço. E troco novamente por outro carro novo sempre na mesma faixa de preço.
IRINEU TADEU PANUCCI diz: PERCEBO QUE NO EXEMPLO DADO DE JOÃO, QUE QUERIA COMPRAR UM CARRO DE R$ 55.000,00, E FINANCIAR OU ECONOMIZAR A DIFERENÇA. NO SEGUNDO EXEMPLO, NÃO SE LEVOU EM CONTA QUE DEPOIS DE 35 MESES DE POUPANÇA, O VEICULO EM QUESTÃO, NÃO MAIS CUSTARIA O MESMO VALOR.E TALVEZ NÃO TIVESSE A POUPANÇA QUE FOI RELATADA. ESPERO RESPOSTA NO tadeupanucci@hotmail.com
Helvio diz: Marcelo, todo post que esclarece os ignorantes brasileiros sobre essas arapucas são válidos, parabéns. Realmente só faltou dizer que o carro deprecia, mas não concordo com as críticas em relação à manutenção. Para um próximo post poderia até aceitar esta sugestão: será que o custo total (manutenção mais depreciação) de um usado (até 5 anos) é maior do que o de um novo? Acho que não, principalmente porque a manutenção do novo é feita em concessionários, saindo até mais cara do que a do usado!
Nepomuceno - Salvador - BA diz: Esta situação (que os leitores comentam) está acontecendo comigo em relação ao imóvel. Eu sou partidário de guardar o dinheiro para comprar à vista. Sou inimigo de dívidas e prestações. Mas, há alguns anos procurei apartamentos para comprar e, como eu não tinha o suficiente para comprar à vista, resolvi não financiar. Aguardaria uns 3 ou 4 anos e, juntando, compraria à vista. Resultado: o mercado financeiro não acompanhou o mercado imobiliário e o que eu juntei neste período não dá para comprar o apartamento no padrão que eu queria. O dinheiro que eu tinha 2 anos atrás dava para pagar 60% de um apartamento 4 quartos num boa localização daqui de Salvador. Agora, mesmo tendo juntado um bocado, só tenho o equivalente a 65%, pois o imóvel valorizou muito mais que minha aplicação financeira. Estou com receio de passar anos e anos juntando e nunca alcançar o valor necessário. E o que é pior: fica aquela sensação de que eu deveria ter comprado aquele apartamento, mesmo financiando a metade do preço. Ele teria me custado bem menos e eu já poderia estar morando nele agora... Marcelo, será que com os carros não acontece a mesma coisa?
gustavo diz: esta conta nunca daria certo porque o carro que joao quer comprar, se for 0km provavelvemente apos estes 35 meses de poupança custaria no minimo 10 mil reais a mais, é fato.
gustavo diz: esta conta nunca daria certo porque o carro que joao quer comprar, se for 0km provavelvemente apos estes 35 meses de poupança custaria no minimo 10 mil reais a mais, é fato.
André diz: Marcelo, me desculpe mas parece falta de assunto, o tema é até interessante, mas no fim das contas vc não disse nada com nada. Nem o seu carro de 20.000 terá o mesmo valor daqui a 35 meses, e vc ainda vai gastar alguns reais com manutenção nele, nem o de 55.000 será o mesmo valor. Enfim, acho bom antes de publicar seu post vc lê-lo algumas vezes e mostrar para outra pessoa, aliás como deve ser feito com todo texto jornalístico - em respeito aos leitores.
Menna diz: É, faltou considerar a depreciação do veículo de 20 mil enquanto ele juntava a grana por 35 meses... De toda forma, TER a grana é, na maior parte dos casos, o melhor negócio. Pagar carnezinho não tá com nada. Dinheiro na mão significa poder de negociação com particulares ou, ainda, ter capacidade de se socorrer em emergências. Eu só financiei meu primeiro carro, pois realmente precisava de um transporte próprio. Os próximos comprei sempre à vista, em compras planejadas, a cada 4-5 anos. E seminovos, de no máximo 15.000 km - o preço do carro zero de concessionário é um luxo MUITO caro, em minha opinião.
Roberto Putz diz: A conta é valida, desde que o preço do carro seja o mesmo daqui a 35 meses e, no entanto, ele andou de que nesse período? Se foi num carro usado, teve gastos de manutenção, se ficou sem carro, teve despesas com locação, taxi ou sei lá qual opção ele teve no periodo. Os numeros são frios (como diz o ultimo paragrafo do texto no blog) e não representam na minha opinião as reais vantagens ou desvantagens, talvez uma boa alternativa seja ir trocando de carro a cada 12 meses até chegar onde se quer, não ficou a pé, economizou um valor e chegou no modelo desejado, mesmo que isso demore um ano a mais por exemplo. O que realmente precisa ser levado em conta é a real necessidade do momento.
Alexandre Baseggio diz: Duas reparações, Ao final de 48 meses no primeiro caso o cara tem um carro de 4 anos e no segundo ele tem um carro de um ano. A diferença do patrimonio é grande. Ainda, no primeiro caso o cara não gastou quase nada de manutenção (estava com o carro novo) e no segundo ele deve ter gastado bastante, pois o carro já era velho e ficou mais 3 anos com ele, dando despesas...








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