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Cuidados com o sistema de ar
Novembro 2010

Cuidados com o sistema de ar

O ar quente enlouqueceu e transformou seu carro num forno? Saiba como cuidar do sistema e por que ele também pode ser culpado pelo vazamento de água do radiador

Por Leonardo Faria
Lista de matérias por data:

TAMANHO DA LETRA  

Ao parar em um posto de combustível para abastecer, você é abordado pelo frentista com a famosa pergunta: “Quer dar uma olhadinha na água, patrão?” Ele checa o reservatório do radiador e avisa que o nível está baixo. A primeira reação é procurar algum vazamento ou defeito no sistema de arrefecimento do motor. Só que tudo está em ordem. Então o que pode ser? Nesses casos o segredo pode estar onde você menos espera: no equipamento de ar quente.

Para muitos pode parecer que uma coisa não tem nada a ver com outra, mas é exatamente o contrário. O aparelho de ar quente – seja ele independente, seja conectado ao ar-condicionado – é diretamente ligado ao sistema de arrefecimento do motor. Basicamente, ele funciona levando o ar frio que vem do exterior por meio de dutos até algumas partes quentes do motor e mandando-o de lá, após aquecido, para o interior do veículo. Assim, como no sistema de arrefecimento do motor, o conjunto de componentes do ar quente possui um radiador próprio.

“Esse radiador é pequeno e fica localizado atrás do painel. Como ele recebe o líquido do arrefecimento que vem do cabeçote, é preciso checar o nível do reservatório frequentemente para evitar que a peça queime”, explica Ernesto Miyazaki, proprietário da Arcon, oficina especializada em ar-condicionado. O que poucos sabem é que o ar quente não é só encontrado em carros populares ou de entrada, mas também em modelos mais caros, nesse caso sempre agregado ao ar-condicionado.

Miyazaki explica que em sua oficina é comum aparecerem motoristas confusos, sem saber por que a água do reservatório do arrefecimento do motor vive sumindo misteriosamente se não há vazamentos no radiador. “Por incrível que pareça, recebemos um bom número de casos com problemas no sistema do ar quente. Mensalmente, aparecem por volta de 15 a 20 veículos. E em geral eles não acreditam que o motor está aquecendo por causa de algum problema no ar quente”, afirma. Ou seja, o vazamento não está no radiador ou nas suas mangueiras, mas sim no sistema que esquenta o ar.

Reservatório vazio
Quem conheceu isso bem de perto foi a administradora de empresas Rita Marques. Proprietária de uma Fiat Palio Weekend 2002, ela já passou apuros devido ao problema inesperado no ar quente. Em uma das vezes que parou para abastecer, Rita resolveu dar ouvidos ao frentista e checou o motor. “Quando vimos, o reservatório de água estava vazio. Completei o nível e no dia seguinte fui a uma oficina de confiança.” Ao chegar ao mecânico, Rita conta que se surpreendeu ao saber que o problema era no sistema do ar quente. “Na hora que ele me falou que a peça danificada estava nos dutos do arcondicionado, não entendi nada”, diz.

No caso de Rita, o duto que é ligado no radiador do ar quente estava furado. Sendo assim, toda a água do sistema de arrefecimento vazava. No total, o conserto ficou em torno de 500 reais. Apesar de Rita achar que a conta ficou salgada, o clima poderia ter esquentado ainda mais. A falta do líquido de arrefecimento possivelmente levaria o motor a superaquecer, resultando em algo mais grave, como “empenamento” do comando de válvulas ou do cabeçote.

Outra história que mostra a importância do ar quente é a de Igor Portella. Proprietário de um Ford Ka 2003, um mês depois de comprá-lo, entrou no carro e ligou o motor. Após rodar alguns metros rumo ao trabalho, percebeu que a temperatura do interior da cabine estava aumentando. “Era uma situação incômoda. Em minutos o ambiente começava a esquentar e parecia que o ar quente estava ligado em tempo integral. Não aguentei três dias com essa situação e levei o carro ao meu mecânico.”

Do mesmo modo que Rita, o engenheiro civil foi informado pelo profissional da oficina que o problema podia estar no ar quente. Numa loja de ar-condicionado, ele descobriu que o defeito era na válvula de passagem de ar. “O especialista me informou que o conserto seria rápido, porém com custo alto. Segundo ele me explicou, quando há a queima da peça que auxilia na passagem ou não do ar, também ocorre a destruição de uma placa eletrônica específica para controlar essas ações. Sendo assim, o serviço como um todo ficou em torno de 600 reais”, diz Portella.

Aditivo em dia
Quando o assunto é a manutenção do sistema de ar quente, para evitar surpresas desagradáveis, a prevenção é parecida com a dos componentes do sistema de arrefecimento do motor. Uma das principais dicas é dar atenção ao líquido do arrefecimento. O ideal é sempre colocar algum aditivo na água ou usar um fluido específico para o sistema. Isso evita a corrosão interna dos componentes, impedindo possíveis quebras ou furos.

Outro ponto crucial para manter as peças do ar quente em ordem é a forma correta de utilização. O ideal é utilizar o equipamento com alguma frequência, para que as peças não se danifiquem por falta de uso. “Como qualquer equipamento eletrônico ou mecânico, o baixo uso pode danificar alguns componentes. Ligar e desligar o ar quente pelo menos uma vez por semana ajuda a evitar problemas”, afirma Miyazaki. Outro cuidado importante é não se esquecer de limpar os dutos de ventilação. Muitos proprietários acham que esse cuidado só é necessário para automóveis equipados com ar-condicionado. Não é verdade. Mesmo modelos mais básicos, dotados só do sistema de ar quente, precisam de uma higienização anual para que sejam eliminados fungos e bactérias que crescem na tubulação ou mesmo para retirar folhas e outra partículas que possam obstruir o radiador do ar quente.



CHEGA DE EMBAÇO

Como o próprio nome já indica, a função principal do ar quente é aumentar a temperatura da parte interna do veículo em dias frios, mas o sistema ainda pode dar uma ajudazinha em outro departamento. Sabendo usá-lo, é possível transformá-lo num desembaçador do para-brisa, tão útil em dias de chuva, quando você é obrigado a fechar todos os vidros e logo depois começa a perder a visibilidade devido ao vapor d’água que se forma na parte interna dos vidros. Para eliminá-lo, deve-se ligar o ar quente e dirigir o fluxo na velocidade máxima para o para-brisa, regulando a temperatura até que você consiga atingir a condição de desembaçamento ideal.



MITO OU VERDADE?

Entre os mecânicos, corre a história de que, quando o motor começa a superaquecer, é possível minimizar o problema acionando o ar quente e abrindo todas as janelas. Mas será que isso funciona mesmo? “Essa história tem um pouco de verdade. Na situação descrita, é possível que a ação de ligar o ar quente ajude a diminuir a temperatura do motor. Mas isso é só para casos extremos e pode funcionar apenas em trajetos curtos. O recomendável nessa situação é mesmo parar o veículo e aguardar o motor esfriar”, diz o especialista Ernesto Miyazaki.






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