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Conserto afinado
Maio 2008

Conserto afinado

Com algumas dicas práticas, você pode identificar uma oficina de primeira linha, para levar seu carro de olhos fechados

Por Simone Tobias
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A maior dúvida de quem acabou de bater o carro é saber onde consertá-lo. Se você não tiver a indicação de um amigo, só lhe resta ir a uma oficina de funilaria e pintura que pareça confiável e torcer para dar tudo certo. Mas saiba que você não precisa confiar na sorte. Com uma simples inspeção visual é possível até para um leigo identificar uma empresa de primeira linha.

Tudo o que você precisa fazer é seguir as dicas do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi), que há dez anos criou uma classificação de empresas de reparo e, em parceria com o Instituto de Qualidade Automotiva (IQA), concede desde o início deste ano a certificação IQA-Cesvi, que premia empresas do ramo com até cinco estrelas. "O primeiro passo é perguntar quais são os equipamentos da oficina. Quem é leigo tem que perguntar. Quem é capacitado tem a intenção de mostrar as ferramentas", afirma o gerente técnico do Cesvi, Sérgio Ricardo Fabiano.

"Fique atento a organização, aspecto geral do ambiente, limpeza das paredes - nada de fotos de mulheres nuas - e do piso", diz ele. Significa que o chão não pode ser de cimento poroso, porque o óleo que sempre cai pode deixar manchas permanentes.

Confira a relação completa das oficinas de funilaria e pintura capacitadas pelo CESVI e encontre a mais próxima de você.

Cuidado com empresas que montam uma sala de alvenaria, pintam as paredes de branco e chamam de cabine de pintura: ela não terá reciclagem do ar, fazendo com que a sujeira seja retida. "Tem lugar em que a pintura é feita até embaixo de uma árvore, o que pode gerar resíduo na pintura", diz Sérgio Fabiano. Se por acaso vir algum funcionário usando jornal na pintura, saia correndo. Como ele é um papel que deixa a tinta passar para locais que deveriam ficar isolados, o ideal é usar um papel impermeável, especial para pintura.

Uma oficina de primeira linha também tem uma bancada de estiramento, que mostra se há alterações nas medidas do monobloco. "Um desvio de 3 milímetros já modifica a dirigibilidade, o que faz com que esse equipamento seja essencial", diz. Acima, conheça mais alguns itens que devem fazer parte da boa oficina. Se ela tiver todo esse material, pode ter certeza de que seu carro será tratado com carinho.


CABINE COM PRESSÃO POSITIVA

Quando a porta é aberta, o ar sai e, assim, nunca entra poeira no local. As paredes devem ser brancas para melhorar a iluminação interna e ajudar a diferenciar a cor na pintura. O piso tem aberturas para circulação de ar, aspirando assim as partículas de tinta para baixo, que ficarão retidas nos filtros. O funcionário deve vestir roupa especial para realizar o serviço na cabine, que é um item básico para uma boa oficina. Nas empresas mais modernas, em vez proteger os vidros e faróis com papel, é usada uma película transparente especial. Coisa fina.


SOLDA MIG MAG

[box01] É um equipamento básico, que substitui a antiga solda oxiacetilênica (tipo maçarico), que tinha o problema de alterar as características do metal em uma área bem maior. A Mig atua numa região menor e é utilizada em metais de alta resistência que não podem receber calor em excesso.

SOLAPADEIRA

[box02] Ferramenta básica que rebaixa uma chapa de metal para permitir o encaixe da nova peça metálica por cima, ajudando a nivelar duas partes de metal. Dessa maneira, afeta menos a estrutura, mantendo a originalidade do veículo.

LIXAMENTO A SECO

[box03] Se a oficina ainda usa lixamento a água (basta ver se há poças no chão), procure outro lugar, pois o processo favorece a corrosão. No local deve haver o plano aspirante, um piso vazado com filtros que absorve 30% da tinta que foi raspada, sendo que os outros 70% são aspirados pela lixadeira pneumática.

SOLDA PONTO

[box04] Uma oficina classe A também tem essa máquina de solda, que faz o processo do reparo ficar mais rápido, além de melhorar a qualidade do serviço. É usada pelas montadoras para soldar 90% do monobloco do veículo.

REPUXADEIRA ELÉTRICA OU SPOTTER

[box05] É uma máquina que adere à chapa e permite puxar o metal para desamassá-lo, sem precisar cortar e depois soldar a estrutura do veículo. É muito utilizada em colunas ou painéis metálicos nos quais não é possível acessar a parte interna para empurrar a chapa.

LABORATÓRIO DE TINTA OU SALA DE MESCLA

[box06] Local onde se prepara a tinta. Nela há um computador para calcular a mistura perfeita das tintas para se chegar à cor original, além de uma balança calibrada para medir a quantidade exata que será usada. Só oficinas topo-de-linha têm o espaço.


SERVIÇO ESTRELADO

A certificação IQA-Cesvi concede de três a cinco estrelas para oficinas que apresentem bom nível de qualidade de serviço de funilaria e pintura. Para chegar a essa classificação, vários quesitos são avaliados, como aspectos do processo de trabalho, equipamentos, cuidados com o meio ambiente e exigências de calibragem dos ferramentais, por exemplo. No Brasil, 398 oficinas têm a certificação, sendo que 84 delas ganharam a distinção das cinco estrelas. Claro que há no país oficinas que são topo-de-linha, mas não têm as cinco estrelas porque, para isso, elas têm de pedir para ser analisadas, o que custa 2 950 reais.






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