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Auto-serviço | Reportagens
Carros clonados
Julho 2011

Carros clonados

Você descobriu que há um carro igual ao seu rodando por aí? Saiba o que fazer para combater esse vilão

Por Betto D'Elboux
Lista de matÚrias por data:

TAMANHO DA LETRA  

Um dos crimes que mais crescem atualmente no Brasil é a clonagem de veículos, de acordo com estimativas de autoridades policiais, já que não há dados específicos sobre a atividade. A explicação é simples: ela é considerada na atualidade uma das atividades criminosas mais "rentáveis", principalmente considerando seu "custo-benefício", já que a fraude pode nunca ser descoberta.

Na maioria das vezes, a clonagem ocorre por encomenda. Alguém faz o pedido para o clonador, um ladrão "puxa" (rouba) o automóvel, uma oficina faz a adaptação necessária no chassi e o clonador "esquenta" o carro, ou seja, transforma-o em um veículo regular, com documentos aparentemente legais. O problema é que isso pode ocorrer com um veículo idêntico ao seu.

A maneira mais comum de descobrir que seu carro está clonado é quando você recebe a multa de uma infração que não cometeu, como aconteceu com a arquiteta Maria Lídia Senatore. Ela é experiente no tema clonagem - afinal, ela tem uma irmã gêmea univitelina e já teve celular e cartão de crédito clonados. Seu primeiro veículo a ser clonado foi um Chevrolet Astra 2004. A sorte de Maria Lídia foi que ele tinha um adesivo na traseira. "Quando vi a foto da multa, percebi que o adesivo não estava lá. Fiz uma foto do meu carro, recorri no Detran e não paguei a multa", diz.

Em seguida, Maria Lídia deu o Astra preto como parte de pagamento na troca por um VW Golf 2006 prata e avisou a concessionária da situação. Tempos depois, ela estava em casa quando recebeu uma ligação. "Uma pessoa dizia que estava vendo meu Golf em uma loja e queria informações sobre ele. Mas meu carro estava na garagem de casa", diz Maria Lídia, acrescentando que o pior, além da clonagem em si, é o fato de você se sentir invadido. "O cara sabia onde eu morava, meus telefones, meu CPF, meu RG."

A solução foi fazer um boletim de ocorrência bloqueando o veículo para venda. A partir de então, Maria Lídia teve de andar com o documento do carro, a nota fiscal original e o B.O., para o caso de ser parada no trânsito. O B.O. bloqueando o carro torna-o inviável para a venda e resulta no desinteresse das quadrilhas por aquela placa.

PT volta ao jogo
Renato Frediani, dono da oficina Gold Wing, tem ouvido falar de muitos casos de clonagem e, em sua opinião, isso tem acontecido porque no Brasil há uma lei que obriga os veículos que sofreram perda total (popularmente chamada de "PT") em acidentes de trânsito a irem para leilão. Lá eles são comprados por valores irrisórios e adaptados para modelos verdadeiros. Um cliente de Frediani descobriu que seu carro estava clonado e, quando avisou a polícia, teve de provar que o dele era o carro verdadeiro, o original. "O cara ‘levantou a lebre’ e quase teve o veículo apreendido. É brincadeira!", diz Frediani.

Foi para evitar essa situação que o gerente de negócios Robert Alvarez Fernández não foi com o próprio veículo até a delegacia quando descobriu que seu VW Gol estava clonado. "Eu recebi a ligação de uma pessoa interessada em comprar meu carro. O cara dizia que estava olhando para o veículo na loja, mas eu sabia que ele estava no estacionamento da minha empresa", diz Fernández. Assim como Maria Lídia, ele foi à delegacia e, de posse de todos os documentos e da nota fiscal, fez um B.O. "Só recebi uma multa do clone e, como era baixa, considerei que pagar me daria menos dores de cabeça", diz Fernández. E comenta que, "até saber que o meu carro era o original, foi como um thriller de Hitckcock".

A prova do original
E o que fazer se você descobrir que seu carro foi clonado? Primeiro deve-se procurar a Corregedoria do Detran. No setor de combate à clonagem, ou na delegacia mais próxima de sua residência, o processo de investigação dura cerca de 20 dias. Deve-se levar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV), RG, CPF e comprovante de residência, além de quatro fotografias do veículo (frente, traseira, laterais direita e esquerda). Multas com foto, mesmo pagas, devem ser levadas ao setor anticlonagem. Fotos de radares eletrônicos servem como pistas importantes para a investigação de casos de clonagem. No site do Denatran (www.denatran.gov.br) há instruções para o procedimento.

Uma dúvida comum: por acaso seu carro pode ser apreendido por ele ter sido clonado? Na opinião do advogado Eugênio Palazzi, do escritório Palazzi e Franceschini Advogados Associados, não há o risco. "Esse não é o procedimento padrão. Legalmente, há o princípio da boa-fé e o veículo pode, sim, passar por uma perícia que dará ao proprietário a segurança de ter o veículo original", explica. Essa perícia pode ser realizada por empresas privadas, especializadas em vistorias técnicas, ou no próprio Detran. "Dentro do Detran há uma delegacia onde, de posse do resultado da perícia constatando que o carro é original, ele deve lavrar um B.O. que permitirá que seu carro rode até o clone ser achado", afirma Palazzi.

 



RECURSOS ANTICLONAGEM

Longe de ser preciso "tunar" (personalizar) seu veículo, alterações em detalhes ou pequenas mudanças podem ajudar a protegê-lo em caso de clonagem. Seja um retrovisor opcional oferecido pela concessionária no momento da venda, seja um adesivo pouco comum, tudo ajuda. Procure dar uma "cara diferente", mesmo que discreta, para diferenciá-lo de outros iguais. Uma empresa de Minas Gerais até criou um sistema de personalização a fim de evitar a clonagem, por meio de um adesivo reflexivo colado no vidro. O adesivo, que contém um número único vinculado a todos os dados originais do veículo num banco de dados, não pode ser descolado sem ser inutilizado. Mais detalhes no site www.anticlonagemautomotiva.com.br.

 

 



ALVOS PREFERIDOS

 

Não há um modelo de carro que seja mais ou menos clonado. É "ao gosto do freguês" que faz a encomenda. Modelos com maior volume de vendas são mais fáceis de serem clonados. Importados são, por sua construção e projeto diferenciados, mais difíceis de repassar. Se não forem pretos ou prata, pior ainda para o ladrão.





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