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Auto-serviço | Financiamento
Não consigo pagar. E agora?
Novembro 2007

Não consigo pagar. E agora?

Prazos longos não combinam com futuro incerto. A boa notícia: os bancos estão mais flexíveis para negociar

Por Luís Perez | Foto: Renato Pizzutto
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ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Nem tudo saiu como a administradora de empresas Vanessa Ferreri, 35 anos, esperava. Em 2004, ela comprou um jipe Suzuki Vitara 1995 financiado em 36 meses. Em fevereiro de 2006, depois de pagar prestações mensais de 630 reais durante dois anos, ela ficou desempregada. Foram nove meses de sufoco, pois o custo fixo com o automóvel não saía por menos de 830 reais por mês, incluindo outras despesas, como seguro e gasolina. Foi um período infernal.

 

Vanessa evitava ao máximo sair com o carro para poupar combustível e driblar o desgaste, mas mesmo assim as prestações foram atrasando. "Tive de começar a desmanchar meu carro." O jipe era equipado com pneus para trilha, som personalizado, rádios de comunicação. Ela teve de vender essas peças para poder pagar as prestações. O pior foi o retrocesso financeiro. "Morava sozinha, mas tive de voltar a viver com minha mãe." Atolada em dívidas de cartão de crédito e outros empréstimos, Vanessa não suportou a pressão e vendeu seu jipe antes que ele sofresse busca e apreensão. Recebeu 20 000 reais pelo Suzuki, mas teve de pagar 16 000 só de dívidas. "Com o que sobrou, paguei parte de algumas dívidas que ainda estou liquidando." Depois voltou a trabalhar e hoje evita dar passos maiores do que a perna. Em dezembro passado, comprou à vista um Fiat Mille 1994 que cabia no bolso. "Paguei 9 500 reais. Aprendi a lição."

O caso de Vanessa é um retrato da maioria dos inadimplentes do país. Especialistas confirmam que o brasileiro não é um mau pagador. O não-pagamento de prestações acima de 90 dias chegou este ano a 3,22% da carteira de financiamentos, segundo a Anef, que reúne as financeiras de montadoras. O perfil médio do inadimplente é aquela pessoa que sofre um baque não previsto, como doença ou perda de emprego - exatamente o que ocorreu com Vanessa. O problema é que casos como esse podem aumentar nos próximos meses, devido ao aumento da oferta de crédito. O fato de os bancos estarem alongando os prazos dos empréstimos facilitou a vida de quem quer comprar carro. Essa facilidade, porém, aumenta a probabilidade de o comprador não conseguir honrar sua dívida. Com prazos alongados - e no mercado já existem os planos de 84 meses -, a dificuldade de prever o futuro é maior.

Para fugir de situações iguais à de Vanessa, os especialistas dão algumas dicas. A principal é esquecer a lógica do "dá para pagar". Há pouco tempo, a maioria dos compradores tinha folga para honrar a prestação de um 1.0. Hoje a mesma parcela mensal que antes servia a um Mille já permite financiar um modelo médio ou mesmo de luxo. Nessa hora, porém, o comprador esquece que esses carros são mais caros não só no preço, mas também em termos de seguro, manutenção e IPVA, sem falar no consumo. "Não pense se dá para pagar. O certo é pensar se dá para pagar com folga", afirma o consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor de Dinheiro: os Segredos de Quem Tem, entre outros livros de planejamento financeiro.

Excelente conselho. O que fazer, porém, se ele chegou tarde demais? A primeira atitude a tomar quando não se consegue pagar a prestação é reconhecer que você tem um problema. Acredite, é o passo mais difícil de dar. "O pior do descontrole financeiro vem do fato de as pessoas não admitirem que estão com problemas em suas contas", diz o consultor financeiro Marcos Crivelaro. O devedor precisa ter em mente que ele não é um criminoso. É apenas uma pessoa que fez projeções erradas e endividou-se acima de sua capacidade. Acontece todos os dias, e as empresas financeiras estão preparadas para lidar com esse problema sem (muito) estresse. Elas não querem seu carro de volta. Para elas, é muito mais negócio se você continuar pagando suas prestações. "O agente financeiro não tem como especialidade vender carros. Portanto, não tem interesse nenhum em reaver o bem", diz Luiz Montenegro, presidente da Anef.

Por isso, na hora de lidar com o problema, a pior atitude possível é fugir. Deixar de atender telefonemas ou ignorar as cartas de cobrança só agravam o problema. É preciso encarar a realidade, refazer os cálculos e ver quanto é possível pagar. "Se você está pagando 350 reais por mês e descobre que só consegue desembolsar 250 reais, o jeito é sentar com o banco e contar a história para ele. Aí é que entra o prazo mais esticado", diz Montenegro. A alternativa, mas só após ter esgotado as negociações, é procurar alguém para ficar com seu carro. Só em último caso se deve entregar o veículo, pois o prejuízo é bem maior.

Se o automóvel é uma necessidade, além de esticar o prazo é preciso fazer um aperto nos outros gastos. "Cabe uma discussão em família para adequar o padrão de vida. Uma opção drástica pode ser vender a casa e mudar para uma moradia entre 10% e 15% mais barata", diz Cerbasi.



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