
O advogado Gabriel Garcia, de Campinas (SP), dirigia seu Mégane 1.6 16V 2007 na estrada a 120 km/h até que, de repente, o motor apagou. "Meu carro morreu, a luz da cabine acendeu e o volante travou, como se motor tivesse sido desligado", diz Gabriel. Na concessionária, disseram que ele teria de trocar a bomba de combustível. "O atendente explicou que houve um problema no regulador de pressão de combustível, que fica na bomba", diz o advogado. Mas esse não foi o único problema que ele teve. "Quando fui pegar o carro na minha garagem, encontrei o pára-brisa trincado. Na concessionária, trocaram na garantia", afirma.
O bancário Márcio Teruo Murakami, de Ribeirão Preto (SP), dono de um Mégane 1.6 2006, reclama dos insistentes barulhos nas portas dianteiras, principalmente nos alto-falantes e na maçaneta. "Já levei o carro várias vezes para ser consertado e volta do mesmo jeito", diz ele. Já no Mégane 1.6 2006 do técnico Israel Santana, de São Paulo (SP), o problema é outro. "Meu carro teve o bocal do tanque trocado duas vezes, sempre com o defeito de uma das palhetas, que não fecha", diz Israel.
Ao contrário do que pode parecer, esses casos têm relação entre si. Todos se referem a modelos Mégane 2006 e 2007 com até 25 000 quilômetros cujos donos foram chamados por telefone para fazer uma "reprogramação da injeção eletrônica". No entanto, quando os carros chegavam à autorizada, era feito mais que isso. Um concessionário Renault que não quer se identificar enviou a QUATRO RODAS um boletim de serviço da fabrica intitulado "Realinhamento Novo Mégane Confidencial". O aviso pede aos concessionários que, ao receber os veículos para a reprogramação, façam revisão e correção nos itens que podem ocasionar defeitos. Segundo o comunicado, entre os principais itens a ser corrigidos estão bomba e tanque de combustível, fechaduras das portas, alto-falantes, pára-brisa e luz do airbag, entre outros. O documento informa ainda que os reparos atingem 11 300 carros da linha Mégane. Consultada, a própria Renault confirma que esses reparos são feitos durante a reprogramação (leia texto ao lado).
Isso ajuda a explicar alguns contratempos que tivemos com nosso Mégane de Longa Duração. Comprado em outubro de 2006 e atualmente com 60299 quilômetros, ele apresentou defeito no marcador de combustível (resolvido com a troca da bomba de combustível), acendimento da luz de airbag (que às vezes retorna) e ruído nas portas (que persiste até hoje).
O povo reclama
- "Eu já troquei a bomba de combustível duas vezes. O carro demorava a funcionar e o motor falhava."
Carlos Winck, médico, Videira (SC), dono de um
Mégane 1.6 2006
- "Levei o carro à concessionária várias vezes por causa do forte cheiro de gasolina, mas não conseguiram resolver."
Yuri Fontenelle Melo,
veterinário, Niterói (RJ), dono de um Mégane 2.0 2006
Resposta
A Renault diz que aproveita a reprogramação da injeção para fazer "evoluções técnicas" na linha Mégane (sedã e perua) e que tal
procedimento é normal na vida útil de um veículo. A empresa explica que os reparos não são comunicados ao motorista porque eles não são iguais para todas
as unidades chamadas.





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