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Auto-serviço | Autodefesa
Do chão não passa
Dezembro 2005

Do chão não passa

Um caso de queda de motor de EcoSport ficou famoso logo após o lançamento. QUATRO RODAS descobriu outros quatro

Por André Boselli
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"Dirigia meu EcoSport a menos de 20 km/h. Antes de chegar a uma esquina, ouvi um estrondo enorme. O motor parou de funcionar. Então abandonei o carro com medo de que explodisse", diz Márcia Calvão Moura. Como nada aconteceu, ela abriu o capô. "Fiquei apavorada quando vi que o motor estava literalmente no chão."

Esse incidente não foi um caso único. Encontramos pelo menos outros quatro donos de EcoSport que passaram pelo mesmo problema. A causa está relacionada à quebra de um dos três coxins - suportes com peças de metal e borracha que apóiam o motor. Para Gustavo Pilati Drago, sua história com um EcoSport 1.6 2003 poderia ter sido pior. "Logo depois do barulho, quase perdi o controle, mas consegui levá-lo ao acostamento", diz ele. Vilker Germano Martins descreve situação semelhante com um modelo 1.6 2004: "Cheguei a perder o controle. Foi com muita dificuldade que consegui pará-lo", afirma.

O problema não é novidade para a Ford, que já conhecia pelo menos dois casos. Um deles é o de Drago, que ficou famoso por um e-mail que rodou a internet logo após o lançamento do Eco. Para a montadora, a causa é sempre a mesma: uso abusivo. O engenheiro de mecânica automobilística Ricardo Bock diz que coxins são desenvolvidos para durar mais que o motor. "Para quebrar o coxim, o motorista tem que 'caprichar', sem contar que outras peças também quebrariam", diz. Apesar de a Ford culpar Drago, ela deu a ele um EcoSport 1.6 XLT novo - o anterior era um XLS, mais simples.

Esses dois incidentes tramitam no Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), vinculado ao Ministério da Justiça. Segundo o órgão, técnicos estão investigando o caso. Uma das conseqüências possíveis é a determinação de recall, já que poderia haver risco à segurança. A própria montadora admite que, em abril de 2003, um mês após o lançamento do EcoSport, reprojetou os suportes do motor 1.6: antes eram capazes de absorver uma aceleração de até 11 g, depois passaram a 15 g. Segundo a própria Ford, 8 g seriam suficientes para o uso normal de um carro.

Alegação: mau uso

Fernanda Sanna é outra que passou pelo problema com seu EcoSport 1.6 2003. "Estava parada no sinal e, quando fui acelerar, veio aquele barulho absurdo", diz ela, que levou o carro à autorizada Leste, em São Paulo (SP). "Perguntaram o que eu tinha aprontado. Mas eu não faço trilha e só uso o carro na cidade", afirma. Segundo Luiz Fernando Maciel do Nascimento, ex-funcionário da Leste Veículos, a Ford chegou a fazer palestras sobre um caso de queda de motor. "A orientação era para que os funcionários alegassem mau uso se surgisse uma situação parecida", diz ele. "Mas é complicado falar isso, principalmente em um carro que é vendido para ter um uso mais intenso." Nascimento esclarece que no EcoSport de Fernanda o coxim se rompeu e o motor caiu, quebrando ainda a ponta de eixo. "Foi o protetor de cárter que segurou tudo", diz ele.

Também foi o protetor de cárter que suportou o motor de outro EcoSport 2003, desta vez 1.0 Supercharger. O carro está sendo analisado por um perito de uma seguradora, que preferiu não se identificar. O episódio aconteceu no interior de São Paulo. Segundo o perito, uma análise inicial do coxim direito, o que sofreu a ruptura, aponta para uma quebra gradativa da peça. "Esse coxim é o que suporta a maior carga e pode estar subdimensionado. A queda do motor afetou também a barra de direção e um outro coxim", afirma.

O conserto do EcoSport analisado pelo perito fica em torno de 2500 reais. Mas ele esclarece que, dependendo das peças afetadas, o valor pode ser bem mais alto. Para Yutaka Fukuda, consultor técnico da QUATRO RODAS, isso é o menos importante. "O mais grave é a segurança das pessoas, já que você pode perder o controle", diz ele.


O povo reclama

"O motor despencou sobre a junta homocinética, empurrando tudo para baixo." Gustavo Pilati Drago, Passo Fundo (RS)

"Quando ouvi o barulho, pensei que alguém tivesse batido na minha traseira." Fernanda Sanna, São Paulo (SP)


Resposta

A Ford diz conhecer "alguns poucos casos" de quebra do suporte do motor. Para ela, eles estão relacionados a uso abusivo, quando o coxim pode sofrer uma força de aceleração superior à especificada. Testes da Ford apontariam que isso "só pode ser reproduzido ao se submeter o veículo a um impacto contra um perfil retangular de 130 milímetros de altura a uma velocidade de 40 km/h". Segundo todos os donos entrevistados na reportagem, nenhum deles bateu o carro em objeto algum pouco antes da quebra.






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