
Apesar de o foco das locadoras ser o aluguel, elas entraram no mercado de venda de usados porque têm uma necessidade permanente de renovar sua frota. "Nosso negócio é alugar carros, não comprar e vender. No ramo da locação, ter carros sempre novos à disposição dos clientes é uma necessidade, não uma escolha, em razão da exigência do cliente", afirma José Adriano Donzelli, presidente da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla).
Isso significa que não é difícil encontrar seminovos de locadora à venda em excelente estado de conservação. "O limite de uso para os nossos carros é de 12 meses ou 39 000 quilômetros. Fazemos todas as revisões necessárias em nossos veículos", diz Marco Antônio Guimarães, diretor de marketing e de vendas de seminovos da Localiza, a maior empresa do setor na América Latina.
Como as locadoras compram seus veículos diretamente das montadoras e em grandes quantidades, elas conseguem ótimos descontos, o que permite a redução do preço na revenda. No entanto, há um período de carência de seis meses, prazo que existe para impedir que as locadoras usem esses descontos para se tornarem revendedoras.
Para dar vazão a essa constante renovação de frota, a Localiza tem hoje 32 unidades pelo Brasil, divididas por 15 cidades brasileiras. Ela vende por mês cerca de 3 000 seminovos. Com uma frota que em junho era composta de cerca de 45 000 veículos, a renovação é efetuada a cada 15 meses, a não ser nos casos específicos, como frotas corporativas.
A rede Avis abriu recentemente sua primeira loja, em São Paulo, e já trouxe um diferencial competitivo. Quem se interessar por algum de seus seminovos pode alugá-lo por até dois dias. Para evitar os espertalhões que querem o veículo apenas para viajar no fim de semana, o test-drive só pode ser feito de segunda a quinta. Se o futuro comprador resolver fechar o negócio, ele compra o carro sem pagar as diárias. Se não gostou do modelo, basta pagar a locação normal. A intenção da Avis é comercializar cerca de 300 veículos por mês, o que deve acontecer com a abertura de mais duas lojas até o ano que vem.
E não são apenas as grandes redes que repassam ao público seus seminovos: as locadoras regionais também atuam nessa área. "Vendemos em média de 350 a 400 veículos por mês", diz Carlos Faustino, diretor executivo da LocarAlpha, que tem cinco lojas na Grande São Paulo.
O maior problema desse negócio é o preconceito contra carros que, apesar de terem um único dono, passaram pela mão de dezenas de motoristas. É por isso que as locadoras têm de praticar preços mais baixos para atrair os consumidores. "Ainda existe preconceito contra carros de locadora. Quando adotamos valores abaixo dos de tabela, os compradores pelo menos vêm ver o carro - e muitos acabam fechando negócio", diz Wlamir Chiari, vendedor da Avis.
Mas essa fama não é justificada, já que todos os automóveis têm procedência garantida - sob o aspecto formal, eles tiveram apenas um dono: a empresa de locação. "Temos o histórico de cada um dos nossos veículos. Não vendemos carros batidos ou com reparos sérios. Os que passam por isso são vendidos no estado em que se encontram", afirma Guimarães.
Assim, os modelos expostos nas lojas têm a garantia da empresa de não ter passado por reparos graves, mas isso varia um pouco dependendo da empresa. Na Localiza, qualquer carro batido - seja um amassado na porta, seja um acidente grave - segue para os leilões. Já a Avis e a LocarAlpha consertam os pequenos amassados, deixando para os leilões apenas os casos mais graves. Por isso, vale se informar da política da locadora antes da compra.
Foi esse tipo de garantia que seduziu o engenheiro Fabio Luiz Pazzotti, que adquiriu um Palio 1.4 ELX com apenas um ano de uso na Unidas. Além de o carro ser de procedência confiável e estar em ótimo estado - na época com apenas 11 000 quilômetros -, o preço foi uma pechincha. "Paguei o valor do carro básico, mas ele veio com ar-condicionado", disse Pazzotti.
A PLACA NÃO ENGANA
Antes de comprar, lembre-se de que um usado de locadora sempre terá valor de revenda menor. Por isso é importante que o preço esteja baixo da média. Mesmo que a cidade que consta na placa seja trocada (para pagar menos IPVA, eles são emplacados em Belo Horizonte, Curitiba ou Palmas), as três letras denunciam seu estado de origem. Se no futuro for revender a um lojista, ele vai saber disso. Depois vem a pesquisa pela internet. A Localiza tem um site (www.seminovoslocaliza.com.br) no qual é possível pesquisar preço e ver fotos. Lá achamos uma Scénic Privilège 2005 por 42 000 reais, enquanto a tabela Fipe pede 45 085 reais. Há diferenças maiores, como um Honda CR-V 2004 com 63 000 quilômetros a 78 000 reais, contra 87 202 reais da tabela. O site da Unidas (www.unidas.com.br), que reúne ofertas de suas oito lojas, oferecia uma picape S10 Executive 2.8 Turbodiesel 4x4 2006 a 65 500 reais, contra 78 505 reais da tabela. Segundo os vendedores, alguns carros que estão há mais de 30 dias no pátio das lojas têm preços reduzidos. Por isso, às vezes vale monitorar os sites para saber se esses preços caem mais ainda. Mesmo assim, nunca feche negócio sem ver o carro pessoalmente. A internet esconde estofados em mau estado, com cheiro de cigarro, riscos, amassados, entre outros problemas. Fuja de cores exóticas ou dos brancos, a não ser que você não tenha preocupação com a revenda e pretenda ficar com o carro por muito tempo. Modelos assim são comuns nas locadoras, mas sua revenda é bem mais complicada. Evite também as versões muito simples. Boa parte dos carros à venda vem com ar-condicionado, mas não tem sequer limpador e desembaçador traseiro. Ou seja, vão dar trabalho na revenda, pois no mercado de usados modelos com ar em geral são bem equipados.
VARIEDADE
Se você acha que locadora só vende carro popular ou médio, pode mudar de opinião. A variedade de modelos é grande, pois elas também trabalham com frotas corporativas, às vezes destinadas a executivos. Numa rápida pesquisa, encontramos um Honda CR-V, um Mitsubishi Airtrek e várias minivans, como Chevrolet Zafira, Fiat Idea e Renault Scénic. Até blindados entraram na lista, como uma Chevrolet Blazer Executive.




