Mitos e verdades sobre o uso da embreagem

Entenda o que é fato e o que é lenda no acionamento do pedal esquerdo

Pedais do breque, embreagem e acelerador do Boxster 2

A embreagem realiza o acoplamento do motor com o câmbio e garante a transferência homogênea de torque, facilitando também a mudança de marchas. Seu uso em carros manuais, através do pedal esquerdo, é cercado de mitos e questões que geralmente vieram lá do passado. Vamos tentar respondê-las nos tópicos abaixo.

 

Por que o pedal da embreagem começa a endurecer em carros com dezenas de milhares de quiômetros rodados?

Isso acontece por causa do desgaste do conjunto da embreagem. Quando ocorre, a mola do disco já pode ter perdido de 20% a 30% de sua flexibilidade. A mola do platô se deteriora com o uso, prejudicando todo o mecanismo. Nessas condições, não há outra saída: é preciso trocar o conjunto da embreagem.

O principal responsável pelo desgaste são os pesados choques mecânicos e as altas temperaturas impostas aos componentes. Para prolongar a vida útil da embreagem, o motorista precisa eliminar certos vícios na condução do veículo, como descansar o pé no pedal, “segurar” o carro com a embreagem e o acelerador numa ladeira (em vez de usar o freio de mão) e dar arrancadas bruscas.

 

É verdade que não se deve acionar a embreagem ao dar a partida?

Em termos. Não há um consenso a esse respeito. Há quem afirme que essa prática não traz benefício mecânico algum. E há quem diga que, ao se pisar na embreagem, alivia-se o peso no volante do motor, o que é sempre útil, especialmente quando a bateria está fraca para dar a partida.

 

É melhor dar a partida com a marcha engatada (pisando na embreagem)?

Também não há consenso. Temos no mercado inclusive modelos manuais que só dão a partida com a embreagem acionada. Há quem ache que, assim, o óleo subiria mais rápido para lubrificar o câmbio. Mas, ao ligar o carro, os pistões se movimentam, lubrificando as paredes do cilindro. A circulação do óleo lubrifica o câmbio quando ele é movimentado.

 

Ao desengatar as marchas, é necessário pisar na embreagem?

Claro que sim. A embreagem deve ser sempre acionada tanto no engate quanto no desengate das marchas. Isso evita a quebra dos dentes das engrenagens.

 

Ao apertar a embreagem rapidamente e soltar (com a marcha engatada), o carro corre mais?

Não. O que acontece é um tranco provocado pela retomada da aceleração do motor. Ao acionar a embreagem, ocorre o desvinculamento rápido do motor com o câmbio e, consequentemente, com as rodas. Isso acelera o desgaste da embreagem.

Platô e disco de embreagem do Ecosport XLS 1

Posso partir da imobilidade com a segunda marcha engatada?

Isso não é recomendado. Andar com o carro em marcha mais alta que o indicado pode prejudicar o motor e a caixa de mudanças. Nessa situação, o motor pede uma marcha mais baixa para adequar a potência à velocidade do veículo. A potência mal gerenciada faz com que a transmissão funcione aos trancos, causando desgastes.

 

O que significa “trocar de marchas no tempo”, sem o uso da embreagem?

Isso significa sincronizar a velocidade do motor com a velocidade da engrenagem que será selecionada. Nesse exato momento, você não precisa que a embreagem seja selecionada para o engate.

Para isso, é preciso conhecer as relações de marcha de seu carro para saber exatamente qual rotação deve ser atingira em cada troca (por exemplo, esticar a primeira marcha até os 4.000 rpm e então passar para a segunda a 2.000 rpm, caso a relação entre as marchas seja de 2:1).

Este recurso pode ser importante caso, por algum motivo, você precise movimentar o carro sem utilizar a embreagem (se ela estiver avariada, por exemplo). A troca, porém, tem que ser feita de maneira perfeita, sem arranhar as marchas.

É possível fazer isso em carros de passeio, mas o que se economiza no desgaste de embreagem é muito pequeno diante do risco de você causar um dano maior nas engrenagens e anéis sincronizadores.

 

Quais as consequências de se arranhar a marcha durante as trocas?

O engate forçado durante a troca de marchas pode quebrar ou tirar “lascas” dos dentes das engrenagens do câmbio. Essas “lascas” ficam no óleo de lubrificação do câmbio. Como o bujão do óleo é magnético, ele atrai essa limalha.

É fácil verificar se há limalha durante a troca de óleo do câmbio, pois as partículas grudam no íma do bujão. Constatada a sua presença, o óleo deve ser trocado rapidamente, pois os pedaços de metal danificam as outras engrenagens do câmbio.

Comentários
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  1. Pedro Hm Van Schaik

    Além disso os trancos também estragam as homocineticas e ou cruzetas no caso dependendo do modelo de veículo , e diminui a vida util dos coxins do cambio e motor.

  2. Marcelo da silva Nunes

    Nisso que dá colocar os estagiários para escrever as matérias: só bobagens. Em primeiro lugar não existe isso de “não haver consenso” em se dar a partida ou não acionando a embreagem. Só se for entre leigos. É evidente que o esforço do motor de arranque, e por consequência a carga exigida da bateria, será muito menor se não for necessário girar também a transmissão, mesmo que em ponto morto, no momento da partida. Além disso, “arranhar” as marchas jamais danificará DENTES das engrenagens, pois eles são permanentemente engrenados. Só quem nunca viu um cÂmbio aberto pode escrever uma bobagem dessas. O que pode ser danificado são as LUVAS de engate, os anéis sincronizadores e as áreas de contato das luvas com as engrenagens. JAMAIS os dentes.

  3. Sobre pedal de embreagem duro: certa vez, em um Escort que tive (XR3 ’94, motor AP) a troca apenas do cabo resolveu o meu problema (o conjunto todo fora condenado por outro mecânico). Fica a dica, aos que tiverem embreagem por cabo: comece pelo mais barato.