Por que o motor flex do HR-V é mais potente com gasolina?

Diferente da maioria dos flex, HR-V rende mais com gasolina do que com etanol. Entenda por que isso acontece

Por que no motor 1.8 flex do Honda HR-V a potência é maior com o uso de gasolina do que com etanol? – Sérgio Ricardo de Oliveira, por email.

Isso ocorre devido à reprogramação na Unidade de Comando Eletrônico (ECU) para adequar o câmbio CVT (Transmissão Continuamente Variável) ao motor 1.8 i-VTEC flex, resultando em 140 cavalos e 17,3 mkgf com gasolina e 139 cavalos e 17,4 mkgf com etanol.

Essa mesma unidade já equipava o Civic LXS, porém com uma caixa automática de cinco velocidades. Por isso, ele apresentava números diferentes (139 cv e 17,5 mkgf com gasolina e 140 cv e 17,7 mkgf com etanol).

No HR-V, a engenharia teve de ajustar a ECU até que o resultado garantisse um equilíbrio de melhor consumo e desempenho com menores emissões para o caso do SUV e seu câmbio CVT.

No fim, acidentalmente alcançaram valores que fogem à regra do mercado, na qual a maior potência e torque são obtidos com etanol. Isso ocorre devido às diferentes características entre os combustíveis e sua reações dentro dos motores.

O etanol tem maior poder antidetonante que a gasolina, por isso a taxa de compressão ideal para seu uso é mais alta – 12:1, contra os ideais 9:1 para a gasolina. Em motores flex, geralmente é utilizada uma taxa intermediária entre 10,5 e 11:1. Apesar de ser intermediária, essa taxa acaba favorecendo o uso do etanol, resultando em maior potência e torque quando tal combustível é utilizado.

Por outro lado, o etanol possui menor poder calorífico (a quantidade de calor emitida pela combustão completa de um combustível) que a gasolina. Por causa disso, os números de consumo de um motor flex tendem a ser piores com etanol do que com gasolina.

Utilizando o citado Honda HR-V 1.8 flex (cujo motor tem taxa de compressão de 10,6:1) como exemplo, vamos comparar o desempenho e consumo obtidos em testes feitos pela QUATRO RODAS. Os números com etanol foram extraídos do nosso exemplar de Longa Duração. Já os com gasolina vieram de unidades fornecidas pela montadora para testes de pista.

Etanol Gasolina
Aceleração de 0 a 100 km/h 10,7 s 11,0 s
Retomada de 80 a 120 km/h (em D) 7,4 s 7,4 s
Consumo urbano 8,2 km/l 10,4 km/l
Consumo rodoviário 10,2 km/l 13,1 km/l

Mesmo considerando que duas unidades de um mesmo modelo de carro dificilmente apresentarão rendimento idêntico, repare que os dados de aceleração e retomada são muito parecidos (diferente do que ocorre na maioria dos flex, onde o uso de etanol gera diferenças na casa dos segundos), reproduzindo o equilíbrio entre os números de potência e torque obtidos com combustíveis distintos.

Já no consumo a diferença é mais substancial, com clara vantagem para a gasolina.

 

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  1. Ok. Agora explica o motivo dos preços exorbitantes

  2. Gustavo Melo

    Simples Ailton, porque é Honda e SUV está na moda, e brasileiro paga.

  3. Faltou um pouco de “correio técnico” no comentário: “diferença é mais substancial, com clara vantagem para a gasolina”.
    Que o gasolina rende mais (menos consumo) que o Etanol todos já sabemos, a própria matéria explica o porque, mas o Honda ao diminuir o desempenho ( pot. e torque) do HRV com etanol (nºs iguais da gasolina) aparentemente entregou aos seus clientes um bônus, o consumo com o combustível vegetal, que no caso do HRV rende 78% (consumo etanol/consumo gasolina) da gasolina.. muito melhor que os 70% que todos usam para verificar a viabilidade de se abastecer com etanol! Portanto, para os donos de HRV a conta deve ser 78%, não 70%.

  4. Robson Arruda

    No que se diz a respeito do consumo urbano de 8,2 km/l (alcool) e 10,4 km/l (gasolina) do Honda HRV rodando na cidade, discordo plenamente com a matéria. Tenho um HRV com 10.600 km que desde quando comprei 0km nunca deu média de 10,6 km/l na cidade. Pelo contrário, o meu está fazendo média de 6,4 km/l e 6,7 km/l. Uma frustração total. Tenho como provar isso a qualquer um que duvide.