Pneus carecas têm mais aderência em piso seco?

Correio Técnico: as dúvidas dos leitores respondidas pela QUATRO RODAS

Além de não escoar a água, pneus gastos têm menos aderência (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Se os carros de corrida usam pneus slick quando não há chuva, isso significa que um pneu careca tem mais aderência no asfalto seco que um pneu com ranhuras? – Gilson Scatambulo, por email.

A função principal das nervuras de um pneu é escoar a água em piso molhado. Elas são projetadas para direcionar a água para fora do pneu da forma mais rápida e evitar a aquaplanagem. Daí a importância dos carros de corrida usarem pneus específicos para chuva.

Por outro lado, quando a pista está seca carros de corrida podem se dar o luxo de usar pneus lisos, os chamados pneus “slicks”, que conseguem o máximo de aderência possível. Isso quer dizer que um pneu careca também leva vantagem sobre um pneu novo no seco? 

De acordo com Roberto Falkenstein, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Pirelli, isso não acontece. “Os pneus slick são projetados e desenvolvidos especificamente para funcionar com a superfície lisa e para uso em competições. Nestas condições, eles garantem o máximo de aderência possível”, conta.

Além da diferença nas dimensões dos pneus de pista, eles usam compostos diferentes, muito mais macios, capazes de se moldar ao asfalto e gerar maior aderência. Em compensação, também duram muito menos, cerca de 200 km em condições de corrida, e são mais suscetíveis a sujeiras na pista.

Já os pneus convencionais são feitos para durar milhares de quilômetros, por isso possuem borracha mais dura, menos aderente. Quando seus blocos e nervuras (que também o deixam mais maleável em curvas) se desgastam, o que resta da banda de rodagem não é macia o suficiente nem foi projetada para agarrar melhor o asfalto nessas condições. Até mesmo porque a borracha que sobra está muito próxima da cinta metálica que estrutura o pneu. 

Além disso, um pneu careca bastante usado terá uma borracha envelhecida, que pode ter ficado ainda mais dura e ressecada, alterando suas características ao rodar. Segundo Falkenstein, eles também “estão mais propícios à furos pela baixa quantidade de borracha restante em sua banda de rodagem.”

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  1. Daniel Mendes

    Olha, não sei não. Eu precisaria de mais informações para saber se isto é verdade ou não. A não ser que o composto altere suas propriedades quando atinge menor espessura, esta informação não tem como ser verdade pois, a área de contato com o solo aumenta sem as ranhuras. Agora, e o fator de aderência do composto se perde com a espessura dele, como se a borracha da “base do pneu” for mais dura, por exemplo, aí sim eu concordaria. Se o composto se mantém inalterado, ou seja, mantém a mesma taxa de aderência, obviamente, se aumentarmos a área de contato, o fator de aderência subirá na mesma proporção. Isso aí me parece mais explicação de quem quer te vender pneus novos.

  2. Gabriel Medeiros

    Crítica construtiva? A reportagem enrolou 70% do tempo e respondeu a pergunta nos dois últimos parágrafos. A pessoa desiste de ler e sai desinformada. Veja o Daniel por exemplo, claramente não teve paciência de ler tudo, e debateu algo que foi explicado nos últimos dois parágrafos. Fica a dica, quatro rodas, reportagens mais “diretas”.