Os acessórios que podem fazer você perder a garantia de fábrica

Cuidado com o que você coloca no seu carro: mesmo equipamentos instalados na concessionária podem eliminar a garantia e virar prejuízo

(Denis Freitas/Quatro Rodas)

Tempos atrás, a QUATRO RODAS publicou uma reportagem alertando sobre os perigos de comprar um carro zero básico para equipá-lo depois, correndo o risco de perder a garantia de fábrica.

Desde então, duas variáveis mudaram: 1) as garantias estão mais extensas, ou seja, perdê-la devido a um item mal instalado é muito pior; 2) atualmente, é quase impossível um carro ser vendido “pelado”, sem ar-condicionado, vidros, travas e espelhos elétricos, direção hidráulica e sistema de som.

Por isso, o cenário mudou: agora o perigo ao escolher um equipamento é descobrir que ele não está coberto pela garantia da fábrica ou, pior, descobrir que acabou de perder essa garantia.

Com o fim próximo dos pacotes opcionais, tem crescido o mercado de acessórios – itens colocados no carro zero pela própria concessionária. O que a maioria dos consumidores não sabe é que nem todos os equipamentos oferecidos nas autorizadas são homologados pela fabricante. Portanto, sob a luz fria da lei (leia-se do livreto de garantia), a instalação de acessórios feita na concessionária envolve riscos.

Por que então o vendedor a oferece? Simples: sua função é vender, e o consumidor pode decidir por não comprar o carro que não ofereça o item que ele tanto valoriza. Exemplo: em 2010, o Honda Civic não dispunha do sensor de estacionamento traseiro, algo que a concorrência tinha. Algumas concessionárias vendiam o sensor, mas não esclareciam que ele não era homologado pela montadora.

Uma forma simples de saber se um item é ou não homologado é buscá-lo no site da montadora, na área para acessórios. Mesmo hoje, o novo Civic só tem os sensores (dianteiros e traseiros) na versão top Touring, de R$ 124.900. Mas nas outras, o item hoje pode ser instalado como acessório original – ao menos todas as versões já saem de fábrica com câmera de ré.

“Quando vendemos um acessório, explicamos que ele vai ser colocado na concessionária. Esse serviço é terceirizado, mas funciona aqui dentro mesmo”, explica o consultor de vendas Rodrigo Visintini, da autorizada Volkswagen Amazon. “Temos um vendedor que senta com o cliente, que assina um termo autorizando ou não o serviço. Ele recebe uma nota fiscal da concessionária, uma garantia que ele tem.”

Visintini admite que, em determinadas revendas, há a chance de o consumidor perder a garantia. “Mas os serviços prestados dentro da concessionária têm tudo para não correr esse risco. No caso do sensor deestacionamento, por exemplo, não se mexe com chicote, o sistema é todo independente. Sim, há perfuração do para-choque, mas o vendedor explica bem esse processo para que o consumidor saiba o que está comprando. Mas é claro que esse procedimento varia de acordo com cada concessionária.”

(Denis Freitas/Quatro Rodas)

Por isso, outro cuidado a ser tomado é justamente com os “brindes” que o vendedor oferece na compra do carro. Embora teoricamente não sejam cobrados, eles também devem vir acompanhados da respectiva nota fiscal.

O livreto de manutenção e garantia da marca, por exemplo, é claro: “A Volkswagen não pode pronunciar-se sobre a confiabilidade, segurança e adequação de peças que não sejam originais”.

Porém, há uma notícia boa no ar: se o consumidor não fez grandes pirotecnias – instalar um equipamento de som ultrapotente que comprometa toda a parte elétrica, por exemplo -, dificilmente a fábrica negará o atendimento em garantia, o que pode ser explicado pela alta concorrência entre as montadoras e o reconhecimento de que o cliente precisa ter uma boa experiência com a marca.

“Já vi cliente que teve pane elétrica e o conserto em garantia não foi autorizado porque foi detectado que ele fez a instalação fora da concessionária. Ele teve de arcar com o conserto, mas não chegou a perder a garantia total do veículo”, afirma Ivete Carvalho, consultora de vendas da autorizada Ford Superfor.

O que precisa ficar claro ao optar por um acessório instalado na autorizada é que a garantia fica a cargo apenas da concessionária que fez o serviço – por isso, é só de um ano. Significa, portanto, que se você instalar na revenda um alarme para o Etios, o item não terá os três anos de cobertura oferecidos pela Toyota.

Onde pode dar problema

Câmera de ré, central multimídia e sensor de estacionamento: o maior risco está nas instalações elétricas de má qualidade, com direito a corte inadequado de fiação, manuseio incorreto do chicote e intervenção incorreta na bateria.

Piloto automático: é preciso se certificar de que o kit não vai alterar o plano de garantia do veículo. Verifique se o acessório é oferecido como original de fábrica e exija nota fiscal.

Direção assistida: em geral com assistência hidráulica, ela esbarra em um problema principal, que é o custo e a falta de mão de obra especializada para esse tipo de instalação.

Carros básicos vêm com muitas opções de acessórios

Nunca os automóveis saíram de fábrica tão equipados. É até por isso que minguaram os carros com preço sugerido abaixo de R$ 30.000. De olho no que o consumidor mandava fazer fora, as montadoras passaram a oferecer via concessionários cada vez mais acessórios, principalmente nos carros que apostam no custo-benefício – ou seja, que nasceram para ser mais baratos.

Hoje, lançamentos desse tipo trazem dezenas ou centenas de acessórios.

Lançado em agosto passado, o Chevrolet Onix Joy chegou às lojas com uma lista extensa. A relação incluía controle remoto para travas e vidros elétricos, alarme, sensor de ré, multimídia (com TV, DVD, entrada USB e Bluetooth), CD player (com entrada USB e Bluetooth), antena esportiva, alto-falantes, tapete de PVC com travas para fixação, revestimento para os bancos, porta-óculos no teto, friso de proteção lateral, soleira de portas personalizada, adesivo para coluna B, rodas de liga aro 14 prata ou grafite, faróis de neblina e rack de teto. Ufa!

 

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  1. Tive uma oferta de alterar a potencia do CIVIC pelo sistema de controle do CIVIC TURING a partir de um programa a ser colocado no dispositivo de controle de potencia, alterando a potencia do carro de 173 CV para até 240CV, na própria concessionária. E me informaram que era garantido pela HONDA e não traria qq prejuízo ao motor por ser turbinado e ainda ter sobra de potencia que poderia ser explorada. O que vcs me dizem quanto ao assunto tratado neste artigo?