Numa mesma rotação, o consumo muda conforme a marcha utilizada?

Em uma mesma rotação, quanto mais alta a marcha, maior a velocidade e (quase sempre) maior o consumo.

(arquivo/Quatro Rodas)

O consumo é igual da primeira à quinta marcha se mantivermos sempre a mesma rotação? – Agnaldo Batista Silva, Divinópolis (MG).

Para chegar à resposta, vamos primeiro lembrar que a velocidade do carro em uma mesma rotação será sempre maior quanto mais alta a marcha – e que, na prática, por causa das resistências aerodinâmicas e de rolamento dos pneus, quanto maior a velocidade, maior o consumo. Agora vamos levantar três condições diferentes de rodagem:

1) Pista plana: a cada marcha mais alta, a redução na transmissão é menor. Assim, a velocidade do carro é maior e o torque disponível na roda é menor, apesar de o torque do motor manter-se constante. Como há a resistência aerodinâmica, que cresce com o quadrado da velocidade, ela soma-se à resistência ao rolamento dos pneus e torna-se necessário fornecer mais combustível ao motor para que a rotação não caia. Consequência: maior consumo a cada marcha mais alta, apesar da rotação constante do motor.

2) Pista inclinada ascendente: o consumo também será maior com uma marcha mais alta porque, além das resistências mencionadas, soma-se a componente da massa do veículo atuando no sentido oposto ao movimento.

3) Pista inclinada descendente: o efeito das resistências, dependendo do ângulo da pista, pode ser anulado, tornando teoricamente possível uma situação em que seja desnecessário fornecer mais combustível ao motor para mantê-lo na mesma rotação. Nessa situação, utilizar uma marcha mais alta pode reduzir o consumo. Mas se não houver pressão no acelerador, ocorre o cut off (a injeção corta o combustível), e aí o consumo em qualquer marcha é o mesmo: zero.

 

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  1. Bruno Andrade

    Então, pelo que eu entendi, na mesma rotação, em marcha alta, o consumo é maior, então por que os carros são mais econômicos na rodovia ???

  2. Olha, Bruno. Sou leigo, mas acredito que o consumo na cidade deva-se mais às desacelerações e acelerações constantes do que à rotação de trabalho do motor. Na estrada mantem-se velocidade constante, aproveitando a inércia e exigindo menos força do motor.

  3. Gabriel Medeiros

    Olha, para a reportagem estar totalmente correta, precisariamos desconsiderar a primeira e segunda marchas, que são “reduzidas”. Em qq rotação, 3mil rpm por exemplo, 1a e 2a consomem mais que qualquer outra relação.

  4. A resposta está errada.
    O consumo que aumenta com a velocidade é o consumo em litros por minuto. Mas ninguém mede consumo desta forma. Já o consumo em litros por quilômetro diminui com o aumento da velocidade em rotação constante do motor, já que em marchas mais altas, cada giro do motor resulta em mais metros de avanço do veículo.
    Porém como a resistência aerodinâmica aumenta exponencialmente, há uma velocidade a partir da qual o consumo começa a aumentar. A velocidade em que isto acontece varia de carro para carro de acordo com o perfil aerodinâmico de cada um. Como regra geral podemos assumir que a resistência aerodinâmica não é muito expressiva em velocidades de até 80 km/h.
    Aliás esta foi a razão técnica para limitar a velocidade nas estradas em 80 km/h durante muito tempo. Afinal esta seria a velocidade com melhor compromisso entre tempo de viagem e consumo. Um dos primeiros estudos neste sentido foi feito na Alemanha e esta velocidade máxima de 80 km/h foi imposta durante o regime nazista em 1939 a fim de garantir o menor consumo de gasolina possível a fim de conservar as reservas de combustível para uso na guerra.